quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cristãos se unem para ajudar o Haiti durante a epidemia de cólera

Dentro do pátio do Hospital São Nicolau, além do portão com a placa manuscrita que avisa "Apenas Emergência de Diarreia", há uma cena desagradável, mas estranhamente ordenada no centro da inesperada epidemia de cólera do Haiti. Muitos estão deitados sobre as superfícies disponíveis, atormentados por distúrbios estomacais convulsivos ou lívidos de desidratação. Baldes foram colocados a seus lados, soluções intravenosas gotejam em seus braços.

A cólera pode ser fatal, embora ela possa ser facilmente tratada com antibióticos e reidratação. Mas em um país que não tinha acesso a água limpa mesmo antes do terremoto de janeiro, o tratamento não está sempre ao alcance. A cólera se espalha por meio da água contaminada e a passagem do recente furacão naquele país provocou inundações e deslizamentos de terra em algumas áreas.

Até o fechamento desta edição, a cólera no Haiti já havia matado mais de 1.200 pessoas. O governo da República Dominicana já decretou em novembro alerta na fronteira de 360 quilômetros com o Haiti para impedir a proliferação da doença.

A epidemia de cólera no Haiti começou em outubro e atingiu o Vale do Artibonite, uma área agrícola, considerada a mais crítica até agora. Agências cristãs de ajuda e desenvolvimento estão trabalhando no Haiti para responder à ameaça da cólera, entre elas está a Igreja Metodista Unida.

“Estamos no Haiti para o povo do Haiti", disse a reverenda Cinthya Harvey Fierro da Junta Geral de Ministérios Globais. Harvey é a cabeça da Igreja Metodista Unida Comissão de Socorro de Emergência (UMCOR), que faz parte de Ministérios Globais.

"A pergunta que fazemos em nosso trabalho é como vamos construir a capacidade das comunidades e dar a titularidade ao povo haitiano? Não é sobre nós”, continuou a reverenda.

Durante estes nove meses desde o terremoto devastador no Haiti, a UMCOR prestou assistência aos sobreviventes e construiu uma base para uma grande escala de recuperação, em longo prazo.

A UMCOR distribuiu cuidadosamente mais de US $ 40 milhões doados pelos Metodistas Unidos e outros adeptos fiéis. Segundo a pastora, essa ação deverá capacitar o povo haitiano a construir uma infra-estrutura sustentável.

Na foto está um caminhão da UMCOR durante atendimento no Haiti. Foto: UMCOR

Os Metodistas Unidos mantém um relacionamento de longa data com o Haiti. Os fortes laços entre a Igreja Metodista do Haiti e da Comissão de Socorro de Emergência ajudou no sentido de facilitar a abertura do escritório de campo em 2005, naquele país.

A Compassion International (Compaixão Internacional), que tem trabalhado no Haiti desde 1968, tem centros de desenvolvimento infantil que estão fornecendo água potável, comprimidos de saneamento de água e sistemas de água filtrada para as crianças assistidas pela Compassion e suas famílias.

"Sem acesso à água limpa, tratamentos médicos baratos e educação básica, os pobres no Haiti, assim como os outros países vão continuar a sofrer e a morrer desnecessariamente de doenças de sobrevivência," escreveu Mark Hanlon, vice-presidente sênior da Compaixão dos EUA, em uma recente coluna.

Na foto acima, uma menina carrega água potável cedida por instituições de ajuda humanitária. Foto: Unicef

"A única maneira de efetivamente vencer esses antigos inimigos que atacam os pobres é derrotar a pobreza”, disse.

A “Ajuda Batista Mundial”, o braço e desenvolvimento da Aliança Batista Mundial, enviou mais de 12.000 dólares ao Haiti para lutar contra o surto de cólera. Os recursos serão utilizados para transporte de pacientes, para pagar auxílio médico e suprimentos, e conseguir água potável para aqueles que precisam, de acordo com a Missão Batista do Haiti.

Enquanto isso, a Water Missions International (Missões Internacionais de Água), uma ONG que atua com engenharia, enviou recentemente 20 sistemas de tratamento de água para o Haiti. Cada sistema de tratamento de água, concebido pelo grupo pode ser configurado dentro de duas horas e fornecer a 5.000 haitianos com suas necessidades diárias de água por menos de um centavo por pessoa por dia. Os sistemas de água a ser enviada suprirão 100 mil haitianos, com acesso à água, sustentável segura.

"Temos que lembrar que centenas de milhares de haitianos vivem sob pedaços de plástico e até mesmo pequenos ventos podem ser devastadores," disse Greene, George III, fundador de Water Missions International, em um comunicado sexta-feira. "O potencial para um surto de cólera significativa nessas condições multiplica”, explicou.

A Water Missions já enviou 115 sistemas de tratamento de água para o Haiti. A organização instalou dez sistemas adicionais em outubro, em resposta ao surto de cólera, fornecendo água potável para mais de 50.000 pessoas no Vale do Artibonite.

Como ajudar?
Embora muito tenha sido feito, a recuperação do Haiti ainda está no início. Sua ajuda financeira e oração ainda são necessárias. Visite o site a seguir e saiba como colaborar com essa causa. www.umcorhaiti.org .

Por Diana Gilli (com informações da UMCOR)

Fonte: Metodista.org.br
Via: www.guiame.com.br

O LADO ESCURO DO MUNDO -Governo ordena fechamento de igreja

Agentes policiais do estado de Chin, em Mianmar, ordenaram que uma igreja batista parasse de realizar cultos, depois que o seu pastor recusou vestir uma camiseta de campanha eleitoral do partido político que apoia o atual governo militar do país, o Union Solidarity and Development Party (USDP, sigla em inglês).
O Tribunal Eleitoral intimou o pastor Mang Tling, de 47 anos, no dia 9 de novembro, dois dias após a eleição, e determinou que ele parasse de dirigir cultos e interrompesse o programa de creches da igreja, informou a Organização de Direitos Humanos de Chin (CHRO, sigla em inglês).
O mandatário da cidade de Dawdin, U Than Chaung, tinha oferecido ao pastor uma camiseta de apoio eleitoral aos candidatos do USDP, mas quando o Tling se recusou a vesti-la, o líder governista escreveu um relatório para as autoridades estaduais acusando-o de influenciar os eleitores cristãos para que votassem no Partido de Unidade Nacional (NUP, sigla em inglês) de oposição.
Oficiais do governo interrogaram Mang Tling até o dia 14 de novembro, quando, finalmente, ele foi liberado para voltar para casa. O partido governista ganhou a eleição em meio a uma grande suspeita de fraude e de outras formas de manipulação de votos por todo o país.
O partido oposicionista derrotou o do governo em três zonas eleitorais de Chin, apesar dos amplos relatos de corrupção e indução de votos, alguns dos quais noticiados pela CHRO. No vilarejo de Tedim, no norte do estado de Chin, por exemplo, o cabo eleitoral do USDP, Go Lun Mang, bateu na casa de uma família local às 17h do dia anterior à eleição e disse que já havia votado no partido do governo em nome deles.
Enquanto isso, a libertação do líder democrático Aung San Suu Kyi, de sua prisão domiciliar em Mianmar, em 13 de novembro último, espalhou um otimismo cauteloso em relação aos direitos humanos dos cristãos e das minorias étnicas do país, mesmo com a junta militar combatendo os grupos armados de resistência.
Tradução: Joel Macedo
Fonte: Compass Direct

Mark Ruffalo vira ameaça à segurança nacional nos Estados Unidos

  Encantado com o documentário Gasland, que fala sobre como a água potável e o ar estão sendo afetados pelas perfurações nas reservas de gás natural nos Estados Unidos, Mark Ruffalo (A Ilha do Medo) organizou algumas exibições da obra, além de dar voz às suas preocupações com essa questão desde o início do ano.

Com isso, o ator esperava aumentar a conscientização do maior número possível de pessoas. O que ele provavelmente não imaginava é que esta iniciativa iria lhe render um lugar entre as possíveis ameaças à segurança nacional.

De acordo com a W.E.N.N., o Departamento de Segurança Nacional da Pensilvânia colocou o ator sob obervação, na chamada lista de alerta contra o terror, onde são enumeradas as possíveis ameaças contra os Estados Unidos da América. Aparentemente, mesmo anos após os atentados de 11 de setembro, a paranóia norte-americana ainda está longe de terminar.

Ruffalo, que viverá o Hulk na versão cinematográfica de Os Vingadores, mostrou-se bem humorado com relação a tudo isso. “É muito engraçado”, afirmou o ator à revista QG.

Do Cineclick

ANGOLA COM JESUS - "O Evangelho molda o coração dos que praticam o mal", afirma pastor

O ciclo de evangelização promovido pela Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA), no Cunene, iniciado a 16 deste mês, encerrou neste domingo em Ondjiva, com a realização de um culto de acção de graças, apurou a Angop no local.
A cerimónia religiosa, realizada no templo da Igreja, foi antecedida de entoações de cânticos por vários grupos evangélicos da província de Benguela, Kwanza Sul e da vizinha república da Namíbia.

No encerramento, o pastor da IESA no Cunene, Joaquim Cambindangolo, disse que este exercício religioso visou o reforço do anúncio das boas novas sobre os ensinamentos de Jesus Cristo, uma vez que o evangelismo ajuda na educação e recuperação das boas práticas dos seres humanos evitando procedimentos negativos.

"O evangelho molda o coração dos que praticam o mal e pode ser útil à sociedade, em aumentar a fé nos corações, respeito e maior responsabilidade, que dignifica um cristão verdadeiro com ideias de apoiar os necessitados na parte espiritual e social", lembrou o prelado.
Joaquim Cambindangolo sublinhou que o Cristão deve ter uma conduta social que se diferencia daquele não cristão, contribuindo assim para uma sociedade mais harmoniosa e melhor.
Durante o ciclo de evangelização foram abordados os temas "nota bíblica", "sinais da salvação", "a responsabilidade da igreja" e "o reforço na divulgação da palavra de Deus".
A IESA em Angola foi fundada em Novembro de 1897 no município de Kaluquembe, província da Huíla. No Cunene está representada nos seis municípios.

Fonte: AngolaPress

Missionários de Ibicoara recebem apoio vindo de Campinas - SP

A frente missionária em Ibicoara (BA) recebeu, entre os dias 12 e 15 de novembro, a visita de uma caravana da Missão Ide, da Igreja Batista Memorial de Campinas (SP). Liderados pelo pr. Rubens dos Santos e a irmã Fabiana Cunha, sete irmãos, entre eles dois americanos, desenvolveram um projeto evangelístico que apoiou o trabalho da Missão Batista.

Utilizando a linguagem artística, o grupo de voluntários de Campinas anunciou o amor de Deus a adultos e crianças. "Mais de 170 crianças participaram das tardes alegres e cinco delas se renderam verdadeiramente ao Senhor Jesus. Foi uma verdadeira festa, palhaços, fantoches, músicas e histórias da bíblia. Nos cultos à noite, a pregação ficou a cargo do pastor Rubens, que com sua criatividade conseguiu prender a atenção de todos, principalmente das crianças que ficaram fascinadas com os personagens criados pelo pastor que usou bonecos para compor sua mensagem", disse pr. Renato Alves, missionário local. A Missão Ide tem sido o braço evangelístico da IBM de Campinas. Além das ações na comunidade onde a igreja está localizada, o grupo tem como meta apoiar o trabalho missionário em outras regiões do país.

Grato pela ajuda dos irmãos, o missionário Renato comenta a importância da visita de igrejas ao campo missionário: "Nós louvamos a Deus pelo despertamento das igrejas Batistas que têm ido ao campo para apoiar o trabalho missionário. Foram momentos de inspiração e fortalecimento dos irmãos da congregação".
Fonte: JMN

Cristãos vão evangelizar muçulmanos durante feriado de Ação de Graças

Para muitos muçulmanos, todo conhecimento sobre o cristianismos foi adquirido na televisão. Eles nunca estiveram dentro de um lar cristão para ver como as famílias cristãs vivem e para saber o que eles realmente acreditam. O feriado de Ação de Graças é uma oportunidade para que os muçulmanos possam conhecê-los.

Para Fouad Masri, do projeto Crescent o feriado é uma boa oportunidade de abrir as casas para os vizinhos. "Jesus disse: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo'. E esta é uma ótima semana para convidar as pessoas para comer uma pizza, tomar um café ou chá".

Os muçulmanos são, geralmente, abertos para ler o Novo Testamento e aprender sobre os ensinamentos bíblicos. Eles estão com fome da verdade espiritual, muitas vezes, eles conhecem a verdade. "Muitos muçulmanos já estão lendo a Bíblia".

Segundo Fouad Masri, o Alcorão incentiva a leitura do Novo Testamento. Dar um Novo Testamento como presente é uma ótima maneira de estender a mão aos muçulmanos.

O Projeto Crescent oferece recursos e treinamento para ajudá-los a se preparar para construir relacionamentos e compartilhar o evangelho com os muçulmanos. Em 2011, o projeto oferecerá dois desafios intensivos. O primeiro será Sahara na Europa em fevereiro, e o segundo em Chicago (EUA) em junho de 2011.

"Quando se trata de construir pontes com os nossos vizinhos, construindo pontes com pessoas de diferentes credos, não podemos perder tempo. É por isso que projetamos uma semana de treinamento intensivo, onde as pessoas podem estudar e aprender sobre a Palavra de Deus".

Fouad Masri conta que um homem se tornou cristão após se mudar para outro país. "Ele decidiu visitar uma igreja pela primeira vez, ficou admirado com a atitude simpática dos cristãos e logo se convertei. Ele viu os ensinamentos de Cristo e o amor dos crentes", conclui.

Fonte: MNN / Redação CPAD News

Philip Yancey: "Nunca me vi como o líder de um movimento"

“De mil passará, mas a 2.000 não chegará...” Incontáveis vezes esse vaticínio repetido durante muito tempo foi reputado como “profecia bíblica”. O fato é que chegamos ao ano 2.000 sem nenhum tipo de problemas, o que inclui o tal “bug do milênio”. Foi um ano marcado pela vitória do PT nas eleições municipais e conquistas como a segunda vitória de Guga em Roland Garros.

Foi durante esse ano emblemático que dirigi até Águas de Lindóia (SP) para entrevistar Philip Yancey pela primeira vez. O papo foi agradabilíssimo e passamos mais de duas horas conversando. O escritor e jornalista já se destacava em meio à mornidão reinante nas prateleiras de livros cristãos e iniciou debates que ainda fazem parte das discussões entre o rebanho. Em sua quinta visita ao Brasil para o lançamento mundial de “Para que serve Deus“, a Mundo Cristão gentilmente me convidou para rever um dos meus autores favoritos. Nada melhor para celebrar esses 10 anos do que levar o Henrique (meu sobrinho) para acompanhar o encontro. Confira o nosso papo.

Dez anos atrás o sr. afirmou que o seu público havia mudado e que muitos não-cristãos estavam lendo seus livros. Como é o seu público hoje?

Só posso falar sobre os leitores que entram em contato comigo, que me escrevem. Em geral, são pessoas que foram machucadas de alguma maneira pela igreja e, mesmo assim, não desistiram de sua busca por Deus. Um dos motivos que as atraíram a meu trabalho é que sou muito franco sobre minhas próprias feridas. Se a pessoa não crê em Deus, provavelmente nem pegará meus livros. Porém, se elas acreditam que existe “algo mais” e não se sentem confortáveis indo a uma igreja, então esse é o tipo de pessoa que lê os meus livros.

Os últimos presidentes norte-americanos declararam-se cristãos. Que diferença isso fez para os EUA? Estamos às vésperas de eleições no Brasil. Cristão deve votar apenas em cristão?

É interessante que um dos presidentes que recebeu o maior número de votos nos últimos tempos foi Jimmy Carter. Ele é um conhecido batista do sul. Durante todo o período em que foi presidente, continuou dando aula de Escola Bíblica todos os domingos. Ninguém pode questionar a sua fé. O mais engraçado é que a maioria dos cristãos norte-americanos não gostava dele, nem de sua maneira de fazer política. Então veio Ronald Reagan, que foi o nosso primeiro presidente divorciado. Ele quase nunca ia à igreja e não deu quase nenhum apoio a obras cristãs beneficentes. Mesmo assim, era muito popular entre os evangélicos conservadores. Eles gostavam do seu jeito de fazer política. Quando penso sobre isso, lembro-me de algo que Martinho Lutero disse: “Se for me operar, prefiro um médico muçulmano a um açougueiro cristão”. Prefiro um líder que saiba liderar e conheça as melhores políticas para o país. Não adianta ter alguém que saiba a coisa certa a dizer, mas não age tendo em vista o que é melhor para a nação.

Após sete anos de operações militares no Iraque, recentemente o presidente Obama colocou oficialmente um ponto final nessa guerra. Há alguns anos, os escritores Max Lucado, John McArthur e Bob Jones estiveram no Larry King Live e usaram textos bíblicos para defender a ocupação do Iraque. Qual a sua posição em relação a esse conflito?

Penso que cometemos um dos maiores erros de política externa possíveis. Foi algo que irritou grande parte do mundo muçulmano. Quase todo, na verdade. Não existe nenhum tipo de prova de que o Iraque teve algo a ver com 11 de setembro. Foi parecido com o que ocorreu quando o Japão bombardeou os EUA, em Pearl Harbour. Não poderíamos invadir o Brasil como resposta! O episódio de 11 de setembro foi uma tragédia terrível. Foi um ato de guerra... mas não do Iraque. Muitos dos problemas econômicos que os EUA estão enfrentando atualmente tiveram origem nessa guerra. Nos meus textos daquela época, levantei muitos questionamentos sobre isso. Recebi manifestações iradas de cristãos que não gostavam do que eu estava dizendo. Olhando para trás, creio que isso será visto pela história como um grande e triste engano. Espero que o Iraque acabe se tornando uma maravilhosa e próspera república democrática. Contudo, não vejo nenhum sinal de que isso acabe acontecendo em um futuro próximo.

Pesquisa recente da Lifeway aponta que um em cada oito americanos está abandonando a igreja. Outro levantamento mostra que 18% deles pensam que Obama é muçulmano e 14% vão ainda mais longe, crendo que ele pode ser o anticristo. Seus livros já venderam mais de 15 milhões de exemplares. Em alguns momentos não se sente fracassado como "apóstolo da graça divina"?

Essa é uma pergunta muito boa. Nunca me vi como o líder de um movimento ou algo parecido. A leitura é algo muito pessoal. Estou sozinho quando escrevo e você está sozinho quando lê o que escrevi. Não é como se eu fosse um político ou uma figura pública. Não avalio se meus esforços foram bem-sucedidos pensando em termos numéricos, mas se consegui transmitir minha mensagem. Recebo muitos e-mails de pessoas que conseguiram entender o que a graça de Deus fez em suas vidas, ajudando-as a se aceitar. Recebo também várias mensagens sobre como essa graça mostrou-lhes a maneira errada como tratavam os outros. E elas procuraram consertar isso. É só disso que eu preciso.

Na última postagem que fez em seu blog, o sr. fala sobre a viagem ao Brasil e à Argentina, ressaltando o quanto a plateia brasileira é agradável. Fala também que depois vai voltar às Cataratas do Iguaçu, lugar que visitou pela primeira vez em 1977. Na área de comentários, ninguém fala das belezas naturais ou da cordialidade brasileira. Pela zilionésima vez, alguém questiona sobre suas afirmações a respeito da homossexualidade. Não está cansado de falar sobre isso?

Só fui ver isso agora há pouco, antes de falar com você. Escrevi o post e logo em seguida vim para o Brasil. Fui olhar o que as pessoas comentaram… e não tinha nada a ver com a minha viagem! [risos] As pessoas se fixam nessas questões. Em um dos meus livros, usei duas citações de um homem que trabalha com vítimas da AIDS. Ele não é homossexual e não aprova isso, mas acredita que é sua obrigação amar essas pessoas. Ele disse: “Aprendi que os cristãos ficam muito irritados com os que cometem pecados diferentes dos seus”. Um dos leitores do blog ficou muito indignado. Ele me perguntou por que eu não podia falar a verdade, afirmando que estava falando como um político, camuflando minha opinião. O fato é que não sou juiz do comportamento de ninguém. Minha obrigação, mesmo com as pessoas que tenho dificuldade de entender e que desaprovam o meu trabalho, é apresentar-lhes a graça e o amor divinos. Não devo tentar decidir as coisas por Deus. Agora é verdade, fico cansado ao ler esses comentários. Escrevi sobre as Cataratas do Iguaçu e eles novamente perguntam: “O que você pensa da questão gay?” [risos] Recentemente, li um livro de 1.000 páginas sobre a história do cristianismo. Ele apresenta todas as obsessões da igreja ao longo de centenas de anos: a natureza de Jesus, a liderança do Papa, a Virgem Maria, os ícones, os grandes debates sobre a justificação, essas coisas. Quando olhamos para a questão gay, vemos que é um dos grandes temas de nosso tempo. Mas nem se compara a essas outras questões [risos] Eu não vou perpetuar esse debate.

Ateus e cristãos hoje se digladiam em especial no campo literário. José Saramago, Christopher Hitchens e Richard Dawkins são três exemplos de combatentes do cristianismo. A crença de um escritor o influencia na hora de escolher seus livros ou os avalia principalmente pela qualidade de sua obra?

Sim, a crença dos autores influencia. Sempre procuro ler obras de pessoas que têm uma visão diferente do mundo. Afinal, eles certamente exercem alguma influência sobre os meus possíveis leitores. E influenciam a mídia. Nos EUA, você vê essas pessoas na TV o tempo todo. Não quero entrar numa discussão, mas preciso conhecer o pensamento deles. Na verdade, fui convidado para debater com Richard Dawkins quando eu estava na Inglaterra. Eu me recusei. Eles não precisam de um americano debatendo com esse ateu inglês. No entanto, quero refletir cuidadosamente sobre o ponto de vista dele.

Conheci vários autores por meio de suas indicações, especialmente em Alma sobrevivente e Muito mais que palavras. O que o sr. tem lido ultimamente? Quem são os novos autores que deveríamos ler?

Tenho lido vários livros de memórias e biografias porque pretendo escrever uma biografia. Fiz uma grande lista depois de escrever para amigos e pedir que me indicassem boas biografias. Provavelmente, já li cerca de 150 obras desse tipo. Algumas delas foram perda de tempo e outras foram muito inspiradoras. Bons autores? Eugene Peterson é alguém que tudo o que escreve é muito bom. Uma pessoa relativamente jovem, Mark Buchanan. Não sei se você o conhece, é um pastor canadense. Também gosto de Donald Miller, que escreveu “O que os pinguins me ensinaram sobre Deus”. Anne Lamott é outra boa dica. Uma autora muito irreverente, mas provocante. Essas são algumas das novas vozes que gosto de ouvir.

O que o motiva a escrever livros voltados para pessoas decepcionadas com a igreja institucional?

Muitos livros cristãos procuram apenas impor ideias a fim de defender a igreja. Eu não sou pastor. Não ganho meu sustento da igreja e não vejo motivos para defendê-la. Eu amo a igreja. Eu frequento uma igreja. Mas não sou do seu departamento de relações públicas. As pessoas dizem “você está criticando a igreja” e eu respondo “você já leu Coríntios, Gálatas ou Apocalipse?” A Bíblia é muito honesta ao dizer que a igreja é a opção de Deus para anunciar a sua mensagem. Contudo, também diz que, em algum momento, a igreja entende equivocadamente qual é essa mensagem. Então, parte do meu trabalho como jornalista é tentar apontar o que fazemos corretamente e também o que está errado. Meu livro mais recente tende a falar mais sobre o que ela faz corretamente do que sobre o que há de errado. Acho que meus outros livros pendiam mais para o lado negativo. [risos]

Em seu novo livro, após relatar sua visita ao Museu Nacional de Direitos Humanos em Memphis, o sr. faz uma pergunta: "Daqui a 150 anos, de que a igreja pedirá desculpas?" Se essa pergunta fosse feita no tempo presente, de que a igreja se desculpar hoje?

Essa é uma ótima pergunta. No meu país, e isso também é verdade aqui no Brasil, temos muitas pessoas morando na rua. Saí para correr em um parque hoje pela manhã e vi a polícia retirando alguns sem-teto da rua e os levando para algum outro lugar. Eles estavam debaixo de pedaços de papelão e cobertores velhos. Talvez eles estivessem fazendo algum tipo de festa por causa do feriado de hoje [7 de setembro]. Não sei. Mais tarde, fomos a um orfanato mantido por um grupo batista. Eles tiram essas crianças abandonadas das ruas. Vi que eles estavam dando banho em um menino de cerca de dois anos de idade. Os policiais o encontraram, retiraram-no da casa dos seus pais e o levaram para essa casa-lar. Temos todos esses problemas. Mesmo que de maneira tímida, a igreja está tentando ajudar. Certamente nos EUA há um grande egoísmo na igreja. Perdemos tempo demais discutindo o tamanho dos nossos estacionamentos, o tipo de ar-condicionado… Temos tantos problemas no mundo! Pense nas questões ambientais. Os cristãos demoraram muito para começar a falar sobre esse assunto, mas nossa voz é importante. Temos motivo para isso. Acreditamos que a Terra é criação divina. Acreditamos que Deus é um artista. A igreja precisa ter um líder nessa área. Claro, há outros problemas como o racismo e a tendência de julgar a todos. Parecemos ser os juízes morais da sociedade, em vez de sermos defensores da graça de Deus.

Igreja emergente, igreja orgânica, igreja em casa... Como o sr. avalia esse tipo de resposta à crise vivida pelas comunidades evangélicas em muitos países?

Sempre fico surpreso como, quando cremos que já entendemos sobre os métodos de Deus, o Espírito se manifesta de novas (e ótimas) maneiras. Quem poderia imaginar algo como o Jesus Movement [Movimento de Jesus], um bando de hippies nos anos 1960, na Califórnia? Quem poderia prever que o movimento carismático se espalharia tanto pelo mundo? Não faço parte do movimento carismático nem do Jesus Movement, mas comemoro o fato de que não conseguimos colocar Deus dentro de uma caixa. Vejo isso em especial nas igrejas que se reúnem nas casas, ao oferecer uma grande oportunidade para as pessoas terem comunhão. A maioria das igrejas nas quais você pode ir em um domingo qualquer não oferece comunhão verdadeira porque funcionam como instituição. É como ir para a escola. A igreja nas casas se parece mais com uma família. Foi assim que tudo começou no Livro de Atos. Não fico preocupado com esse tipo de coisa. Eu me alegro que existam. Talvez não me sentisse confortável fazendo parte delas, mas acho excelente.

Aludindo a um de seus livros antigos, ainda é possível encontrar Deus em um "lugar tão inesperado" como a igreja institucionalizada?

Sim, esse é um lugar inesperado. Na verdade, tento fazer isso no meu novo livro, “Para que serve Deus“. Veja lugares como a prisão na África do Sul ou a igreja subterrânea na China (que é parte do movimento de igreja nas casas), ou ainda Oxford, onde vivia C. S. Lewis. Na verdade, é possível dizer que este livro também trata sobre encontrar Deus em lugares inesperados. Sou jornalista e sempre estou em busca de boas histórias. Geralmente, elas estão em lugares inesperados. Se vamos à igreja não pensando tanto no que podemos ganhar com isso, mas abertos para ouvir Deus falar, aí ele se manifesta. Deus gosta de fazer sua presença ser percebida por pessoas que realmente o estão buscando. Normalmente, igrejas são lugares em que você encontra esse tipo de atitude... mas nem sempre.

Fonte: Mundo Cristão

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