sexta-feira, 20 de junho de 2008

O Desafio dos Povos Não Alcançados

por John Robb
Diretor do Programa para Povos Não Alcançados Visão Mundial Internacional
Tomando uma xícara fumegante do negro café russo num hotel de Moscou pergunto ao novo conhecido se ele já ouviu falar de Jesus. -- Ah sim respondeu imediatamente. Ele não era um japonês?

Fiquei surpreso que um homem letrado como o Dr. M. tivesse tão pouco conhecimento da mais expressiva pessoa em toda a história da humanidade. Mas o Dr. M. era muçulmano do Cáucaso uma área da Janela 10/40 onde vive uma multidão de povos não alcançados. Embora surpreendente era compreensível que ele ainda não tivesse ouvido do amor e da verdade de Jesus. O grupo de seu povo esteve alheio a esse conhecimento através de séculos por muros religiosos culturais e políticos. Se houver cristãos vivendo em sua cidade são muito poucos.

A história tem um final feliz! Mais tarde após ler o Novo Testamento ele não somente veio a crer profundamente como também conduziu seu irmão pai e avô a Cristo e escreveu um folheto descrevendo histórias bíblicas de cura fazendo-o circular entre seus pacientes e amigos em sua cidade.

Mas a grande maioria das pessoas na Janela 10/40 não tem oportunidade de ouvir de Cristo.

O que é exatamente um grupo de povos? Freqüentemente os membros do grupo de povos têm sua própria língua ou dialeto e uma etnia diferente das pessoas ao seu redor. Por vezes empregamos o termo “povos etno-lingüísticos” para refletir essas diferenças. Às vezes como em muitas partes da Índia barreiras de classe ou profissão são mais significativas do que as barreiras de língua ou etnia. Do ponto de vista do evangelismo um grupo de povos é “o maior grupo dentro do qual o Evangelho pode fluir por linhas naturais sem deparar com barreiras de entendimento ou aceitação”. Isso quer dizer que a não ser que o Evangelho venha através de alguém de dentro do grupo do próprio povo será estrangeiro pois para que membros de um grupo não alcançado recebam o Evangelho ele tem que ser comunicado atravessando essas divisões culturais.

A falta de conhecimento de Cristo do Dr. M. é típica dos povos não alcançados e em grande parte da Janela 10/40. Há muitas razões para isso. Uma é a hostilidade das autoridades religiosas e políticas que se sentem ameaçadas com medo de que o cristianismo diminua o seu poder. Em lugares como o Irã e o Sudão as autoridades têm tentado eliminar o movimento cristão.

Opressão espiritual é outra causa. O apóstolo Paulo disse que “o deus deste século cegou os entendimentos dos que não crêem para que não creiam no evangelho”( 2 Coríntios 4:4). Jesus menciona o “valente” espiritual que tem que ser amarrado antes de sua casa ser invadida (Marcos 3:27). Os falsos deuses principados e potestades que trabalham através de falsos sistemas religiosos dão aos não crentes a idéia errada sobre os cristãos. Cegam povos inteiros e os mantém nas trevas a respeito de Jesus. Muitas dos 800 milhões de pessoas analfabetas habitam a Janela 10/40 incapazes de ler o Novo Testamento ou qualquer literatura cristã. Mais de 80 % dos povos mais pobres do mundo moram dentro da Janela; para eles a vida diária é uma luta por sobrevivência. Eles são subnutridos não têm acesso a quaisquer cuidados de saúde e nem água limpa e segura para beber. Na Janela freqüentemente os perdidos são os pobres e os pobres são os perdidos. Dessas pessoas Mahatma Gandhi disse certa vez: “Existem algumas pessoas tão pobres que Deus só lhes pode aparecer em forma de pão”.

Entre os povos não alcançados a maior razão para não entendimento ou desconhecimento de Jesus Cristo é a ausência de cristãos ativos que falem suas línguas e saibam compartilhar a verdade de Jesus do modo culturalmente mais apropriado. Por exemplo um turcomano pode ver um modelo de igreja russa mas não tem nenhum exemplo de uma igreja culturalmente turcomana.

Na verdade essa é a definição de povo não alcançado: não possue um movimento cristão autóctone ou números suficientes de pessoas com recursos adequados para evangelizar o resto do grupo. Contudo quando é dada a oportunidade de ouvir muitos responderão favoravelmente como o fez o Dr. M. Simplesmente não tiveram oportunidade adequada de ouvir.

Um amigo missionário andou pelos ônibus e trens do Paquistão todos os dias por muito anos a fim de compartilhar Jesus Cristo com os passageiros. Somente uma vez em todos esses anos um deles disse já ter ouvido a respeito do Evangelho. Há cinco anos duas igrejas na minha cidade “adotaram” um povo não alcançado da Ásia Central. Na época só havia dois cristãos conhecidos entre aquele grupo de povo e nenhum esforço missionário para alcançá-los. Alguns viajaram até a Ásia Central num programa de cidades-irmãs a fim de erigir relacionamentos. Uma pesquisa cultural ajudou a fazer com que a oração fosse informada e focalizada. Enquanto as igrejas oraram envolveram-se de outras formas: dando equipamento médico e participando de intercâmbios de jovens e de músicos. Deus realizou uma parceria que agora inclui mais de 20 agências e igrejas. O Novo Testamento foi traduzido e a igreja autóctone cresceu substancialmente tudo isso em menos de cinco anos!

Aceite o desafio do Senhor da igreja de envolver-se pessoalmente com outros crentes numa rede de igrejas e missões. Escolha um povo que provavelmente não seria escolhido por outros descubra tudo que puder a respeito deles e compartilhe isso com sua igreja. Ao orar por eles Deus o conduzirá a modos criativos de fazer uma diferença. Considere a possibilidade de enviar uma equipe de pesquisa ou de oração para visitá-los e estabelecer relacionamentos levantando sustento financeiro para obreiros crentes locais ou suprindo uma necessidade tangível como suprimentos médicos. O céu é o limite!

Ao orar peça a Deus que lhe dê a sua perspectiva e seu coração por esse povo. O coração de Deus sofre pelos povos perdidos e sofridos sem conhecimento do Filho de Deus. Dezenas de milhões como o Dr. M. dentre os povos ainda não alcançados ainda esperam que alguém venha até eles.

Por Larry Stockstill
Pastor do Centro Mundial de Oração Betânia



O Centro Mundial de Oração Betânia tomou para si a tarefa de mobilizar a igreja para tornar prioridade máxima o envio de missionários para atuar entre os povos não alcançados. Os 300 grupos de células da igreja tem o compromisso de orar pelos povos não alcançados toda semana. Para ajudar nos esforços de oração e missões o Centro Mundial de Oração Betânia recebeu o desafio de produzir perfis sobre cerca de 1700 povos não alcançados do mundo.

Lembra-se de Neemias? Sob sua liderança o povo de Israel erigiu um muro. Os pastores enfrentam uma tarefa semelhante à dele mas o muro que constroem é de oração e não tijolos e argamassa. Ao levantar a oração nas igrejas locais podemos seguir o processo que Neemias usou na construção das defesas de Jerusalém.

O impulso de Neemias veio de sua visão. Ele viu o problema. Quando ouviu da condição de Jerusalém sentou e chorou jejuou e orou perante o Deus do céu (Neemias 1:4). Ao ver as necessidades do mundo meu coração se quebranta. Plenamente persuadido do desastre gigantesco e global para o qual os três bilhões de povos não alcançados se movem sou motivado a contar aos outros. Os 3 5 bilhões de pessoas não alcançadas sobre a terra formariam uma fila que daria a volta no Equador 25 vezes! Pode imaginar 25 filas de pessoas sem Cristo caminhando sem parar até o inferno? “Levantemo-nos e edifiquemos” (Neemias 2:18).

Este material pode ajudar cada crente a começar a visualizar as massas de povos não alcançados que antes eram apenas nomes numa lista. Use fotografias mapas perfis vídeos testemunhos de missionários ao vivo ou seu próprio ministério para a curto prazo manter a visão dos povos não alcançados perante a igreja local. No Centro Mundial de Oração Betânia freqüentemente preparamos dramatizações nos cultos de domingo de manhã. Os atores representam membros de um povo não alcançado. Se vestem a caráter e conversam entre si em voz audível sobre sua frustração e seu desespero em não conhecer a existência do Deus vivo. Você pode encontrar maneiras criativas de criar e manter a visão dos povos não alcançados perante a igreja.

Neemias seguiu o desafio com a delegação. Deus deu a pessoas comuns uma parte na tarefa gigantesca. Nossas igrejas estão cheias de pessoas sem propósito que entram e saem dos cultos semana após semana olhando só para si mesmas. Ajude-as a encontrar a sua parte. Em vez de tentar construir tudo sozinho Neemias deu a cada família uma parte do muro. Você pode mobilizar sua igreja para orar pelos não alcançados designando um grupo de povo para cada grupo de célula classe bíblca grupo de homens ou departamento de senhoras. Espalhe a tarefa pela congregação toda não apenas a uns poucos fiéis que se reunem no conselho de missões. Deixe que cada grupo faça sua própria pesquisa e estude na biblioteca local a fim de aperfeiçoar sa visão e apresentá-la à igreja. Raramente nos consagramos a oração por aquilo pelo qual não temos um envolvimento pessoal.

O povo de Neemias se dispôs a trabalhar e viu a importância da tarefa. Sabia da possibilidade de oposição e construía com uma mão enquanto com a outra carregava uma espada. Eles dormiram de roupa por 52 dias. Um senso de urgência e guerra manteve vivo seu esforço. Orar pelos não alcançados é um meio de guerrear contra as forças das trevas. As nossas igrejas precisam saber que libertar essas nações das trevas que por tantos milhares de anos as aprisionam é uma batalha espiritual. Ajude-as a ver que suas orações têm a oposição dos príncipes das trevas deste mundo. Idéias impiedosas falsos deuses e cultos demoníacos têm que ser confrontados no âmbito espiritual antes que a atividade missionária tenha efeito e antes da volta de Cristo.

O resultado da visão comunicação delegação e batalha de Neemias foi um esforço poderoso que perseverou até o fim. Enquanto você e sua igreja separam este tempo para orar pelas fronteiras finais de missões preparem-se para a batalha. A oração é a chave que abre as portas há tantos séculos fechadas. Dentro dessas portas há bilhões de almas perdidas e sua oração será imprescindível para a vida eterna dessas pessoas.

O modelo de oração de Jesus

Jesus iniciou sua vida pública com oração. Em seu batismo no momento de oração o céu se abriu o Espírito Santo desceu sobre ele e a voz de Deus foi ouvida do céu. É o mesmo para nós: tão logo começamos a orar é o momento em que os céus se abrem. Deus e o homem se encontram em perfeita comunhão. As limitações humanas desaparecem e entra em cena o Deus do universo. Se reconhecêssemos o que faz por nós a oração entraríamos mais freqüentemente na presença de Deus através da oração!

Não só os céus se abrem quando oramos como também o Espírito Santo desce sobre nós. Que empolgante essa verdade! Jesus só podia estar em um lugar de cada vez mas o Consolador a quem enviou o Espírito Santo pode estar conosco em qualquer lugar e a qualquer hora. O Espírito Santo nos capacita qando oramos. Quando Jesus orou ouviu a doce voz do Pai dizendo “Este é meu Filho amado”. Como todos nós desejamos ouvir as palavras de segurança do amor de Deus! Essas coisas todas acontecem quando oramos. Os grandes pregadores podem mover multidões mas até mesmo a mais simples oração fala direto ao coração de Deus.

Jesus gostava de orar sozinho em lugares solitários. Muitas vezes ia até uma montanha para orar e continuava em oração a noite toda. Antes de uma decisão importante como a escolha dos apóstolos ele conversou com o Pai. Mesmo quando estava com os discípulos ele se afastava para orar sozinho.

Por vezes ele orava com um pequeno grupo de discípulos. Podemos também nos reunir em oração com dois ou três amigos. Jesus prometeu que onde dois ou três estiverem reunidos no seu nome Deus estará no meio deles. Jesus não apenas orou com os amigos orou por eles. Disse a Simão: “mas eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça. E tu quando te converteres fortalece teus irmãos”(Lucas 22:32).

Paulo também orou por seus amigos e queria que eles soubessem de suas orações. Muitas e muitas vezes ele orou pelas igrejas iniciadas por sua equipe missionária encorajando-os com suas orações. Da mesma maneira nossos amigos são encorajados quando sabem que intercedemos por eles.

Jesus não orou para conseguir o que queria mas para receber força para cumprir a vontade do Pai. Ele estava em perfeita harmonia com o Pai. Ao enfrentar a cruz ele disse: “Pai se queres passa de mim este cálice todavia não se faça a minha vontade mas a tua” (Lucas 22:42). A oração nos ajuda a fazer a vontade de Deus.

Em suas orações Jesus perdoava aqueles que o crucificavam dizendo: “Pai perdoa-lhes pois não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). Como perdoar aqueles que nos ferem? Somente pela oração.

O último ato de Jesus antes de morrer foi uma oração o final natural de uma vida de oração. Nós também podemos nos consagrar a Deus. Para Jesus a oração era tão natural quanto respirar. Se sinceramente desejamos ser como Cristo sigamos Seu exemplo!

A oração não custa nada financeiramente. Não exige uma catedral joelhos dobrados ou mesmo olhos fechados. Onde e quando nos encontramos em humildade na presença do Senhor estamos ligados a um Deus maravilhoso. Jesus iniciou o ministério com oração terminou a vida sobre a terra com oração. Se Ele viveu em oração quanto mais nós necessitamos orar?!

Podemos ajudar nossos vizinhos com dinheiro e com os nossos esforços mas tendo feito tudo podemos ficar sem dinheiro e sem forças. Pela oração podemos abrir as comportas dos recursos ilimitados de Deus. Ainda que nós sejamos limitados a oração não tem barreiras porque Deus não é limitado.


O Desafio dos Povos Não Alcançados

por John Robb
Diretor do Programa para Povos Não Alcançados Visão Mundial Internacional
Tomando uma xícara fumegante do negro café russo num hotel de Moscou pergunto ao novo conhecido se ele já ouviu falar de Jesus. -- Ah sim respondeu imediatamente. Ele não era um japonês?

Fiquei surpreso que um homem letrado como o Dr. M. tivesse tão pouco conhecimento da mais expressiva pessoa em toda a história da humanidade. Mas o Dr. M. era muçulmano do Cáucaso uma área da Janela 10/40 onde vive uma multidão de povos não alcançados. Embora surpreendente era compreensível que ele ainda não tivesse ouvido do amor e da verdade de Jesus. O grupo de seu povo esteve alheio a esse conhecimento através de séculos por muros religiosos culturais e políticos. Se houver cristãos vivendo em sua cidade são muito poucos.

A história tem um final feliz! Mais tarde após ler o Novo Testamento ele não somente veio a crer profundamente como também conduziu seu irmão pai e avô a Cristo e escreveu um folheto descrevendo histórias bíblicas de cura fazendo-o circular entre seus pacientes e amigos em sua cidade.

Mas a grande maioria das pessoas na Janela 10/40 não tem oportunidade de ouvir de Cristo.

O que é exatamente um grupo de povos? Freqüentemente os membros do grupo de povos têm sua própria língua ou dialeto e uma etnia diferente das pessoas ao seu redor. Por vezes empregamos o termo “povos etno-lingüísticos” para refletir essas diferenças. Às vezes como em muitas partes da Índia barreiras de classe ou profissão são mais significativas do que as barreiras de língua ou etnia. Do ponto de vista do evangelismo um grupo de povos é “o maior grupo dentro do qual o Evangelho pode fluir por linhas naturais sem deparar com barreiras de entendimento ou aceitação”. Isso quer dizer que a não ser que o Evangelho venha através de alguém de dentro do grupo do próprio povo será estrangeiro pois para que membros de um grupo não alcançado recebam o Evangelho ele tem que ser comunicado atravessando essas divisões culturais.

A falta de conhecimento de Cristo do Dr. M. é típica dos povos não alcançados e em grande parte da Janela 10/40. Há muitas razões para isso. Uma é a hostilidade das autoridades religiosas e políticas que se sentem ameaçadas com medo de que o cristianismo diminua o seu poder. Em lugares como o Irã e o Sudão as autoridades têm tentado eliminar o movimento cristão.

Opressão espiritual é outra causa. O apóstolo Paulo disse que “o deus deste século cegou os entendimentos dos que não crêem para que não creiam no evangelho”( 2 Coríntios 4:4). Jesus menciona o “valente” espiritual que tem que ser amarrado antes de sua casa ser invadida (Marcos 3:27). Os falsos deuses principados e potestades que trabalham através de falsos sistemas religiosos dão aos não crentes a idéia errada sobre os cristãos. Cegam povos inteiros e os mantém nas trevas a respeito de Jesus. Muitas dos 800 milhões de pessoas analfabetas habitam a Janela 10/40 incapazes de ler o Novo Testamento ou qualquer literatura cristã. Mais de 80 % dos povos mais pobres do mundo moram dentro da Janela; para eles a vida diária é uma luta por sobrevivência. Eles são subnutridos não têm acesso a quaisquer cuidados de saúde e nem água limpa e segura para beber. Na Janela freqüentemente os perdidos são os pobres e os pobres são os perdidos. Dessas pessoas Mahatma Gandhi disse certa vez: “Existem algumas pessoas tão pobres que Deus só lhes pode aparecer em forma de pão”.

Entre os povos não alcançados a maior razão para não entendimento ou desconhecimento de Jesus Cristo é a ausência de cristãos ativos que falem suas línguas e saibam compartilhar a verdade de Jesus do modo culturalmente mais apropriado. Por exemplo um turcomano pode ver um modelo de igreja russa mas não tem nenhum exemplo de uma igreja culturalmente turcomana.

Na verdade essa é a definição de povo não alcançado: não possue um movimento cristão autóctone ou números suficientes de pessoas com recursos adequados para evangelizar o resto do grupo. Contudo quando é dada a oportunidade de ouvir muitos responderão favoravelmente como o fez o Dr. M. Simplesmente não tiveram oportunidade adequada de ouvir.

Um amigo missionário andou pelos ônibus e trens do Paquistão todos os dias por muito anos a fim de compartilhar Jesus Cristo com os passageiros. Somente uma vez em todos esses anos um deles disse já ter ouvido a respeito do Evangelho. Há cinco anos duas igrejas na minha cidade “adotaram” um povo não alcançado da Ásia Central. Na época só havia dois cristãos conhecidos entre aquele grupo de povo e nenhum esforço missionário para alcançá-los. Alguns viajaram até a Ásia Central num programa de cidades-irmãs a fim de erigir relacionamentos. Uma pesquisa cultural ajudou a fazer com que a oração fosse informada e focalizada. Enquanto as igrejas oraram envolveram-se de outras formas: dando equipamento médico e participando de intercâmbios de jovens e de músicos. Deus realizou uma parceria que agora inclui mais de 20 agências e igrejas. O Novo Testamento foi traduzido e a igreja autóctone cresceu substancialmente tudo isso em menos de cinco anos!

Aceite o desafio do Senhor da igreja de envolver-se pessoalmente com outros crentes numa rede de igrejas e missões. Escolha um povo que provavelmente não seria escolhido por outros descubra tudo que puder a respeito deles e compartilhe isso com sua igreja. Ao orar por eles Deus o conduzirá a modos criativos de fazer uma diferença. Considere a possibilidade de enviar uma equipe de pesquisa ou de oração para visitá-los e estabelecer relacionamentos levantando sustento financeiro para obreiros crentes locais ou suprindo uma necessidade tangível como suprimentos médicos. O céu é o limite!

Ao orar peça a Deus que lhe dê a sua perspectiva e seu coração por esse povo. O coração de Deus sofre pelos povos perdidos e sofridos sem conhecimento do Filho de Deus. Dezenas de milhões como o Dr. M. dentre os povos ainda não alcançados ainda esperam que alguém venha até eles.

Por Larry Stockstill
Pastor do Centro Mundial de Oração Betânia



O Centro Mundial de Oração Betânia tomou para si a tarefa de mobilizar a igreja para tornar prioridade máxima o envio de missionários para atuar entre os povos não alcançados. Os 300 grupos de células da igreja tem o compromisso de orar pelos povos não alcançados toda semana. Para ajudar nos esforços de oração e missões o Centro Mundial de Oração Betânia recebeu o desafio de produzir perfis sobre cerca de 1700 povos não alcançados do mundo.

Lembra-se de Neemias? Sob sua liderança o povo de Israel erigiu um muro. Os pastores enfrentam uma tarefa semelhante à dele mas o muro que constroem é de oração e não tijolos e argamassa. Ao levantar a oração nas igrejas locais podemos seguir o processo que Neemias usou na construção das defesas de Jerusalém.

O impulso de Neemias veio de sua visão. Ele viu o problema. Quando ouviu da condição de Jerusalém sentou e chorou jejuou e orou perante o Deus do céu (Neemias 1:4). Ao ver as necessidades do mundo meu coração se quebranta. Plenamente persuadido do desastre gigantesco e global para o qual os três bilhões de povos não alcançados se movem sou motivado a contar aos outros. Os 3 5 bilhões de pessoas não alcançadas sobre a terra formariam uma fila que daria a volta no Equador 25 vezes! Pode imaginar 25 filas de pessoas sem Cristo caminhando sem parar até o inferno? “Levantemo-nos e edifiquemos” (Neemias 2:18).

Este material pode ajudar cada crente a começar a visualizar as massas de povos não alcançados que antes eram apenas nomes numa lista. Use fotografias mapas perfis vídeos testemunhos de missionários ao vivo ou seu próprio ministério para a curto prazo manter a visão dos povos não alcançados perante a igreja local. No Centro Mundial de Oração Betânia freqüentemente preparamos dramatizações nos cultos de domingo de manhã. Os atores representam membros de um povo não alcançado. Se vestem a caráter e conversam entre si em voz audível sobre sua frustração e seu desespero em não conhecer a existência do Deus vivo. Você pode encontrar maneiras criativas de criar e manter a visão dos povos não alcançados perante a igreja.

Neemias seguiu o desafio com a delegação. Deus deu a pessoas comuns uma parte na tarefa gigantesca. Nossas igrejas estão cheias de pessoas sem propósito que entram e saem dos cultos semana após semana olhando só para si mesmas. Ajude-as a encontrar a sua parte. Em vez de tentar construir tudo sozinho Neemias deu a cada família uma parte do muro. Você pode mobilizar sua igreja para orar pelos não alcançados designando um grupo de povo para cada grupo de célula classe bíblca grupo de homens ou departamento de senhoras. Espalhe a tarefa pela congregação toda não apenas a uns poucos fiéis que se reunem no conselho de missões. Deixe que cada grupo faça sua própria pesquisa e estude na biblioteca local a fim de aperfeiçoar sa visão e apresentá-la à igreja. Raramente nos consagramos a oração por aquilo pelo qual não temos um envolvimento pessoal.

O povo de Neemias se dispôs a trabalhar e viu a importância da tarefa. Sabia da possibilidade de oposição e construía com uma mão enquanto com a outra carregava uma espada. Eles dormiram de roupa por 52 dias. Um senso de urgência e guerra manteve vivo seu esforço. Orar pelos não alcançados é um meio de guerrear contra as forças das trevas. As nossas igrejas precisam saber que libertar essas nações das trevas que por tantos milhares de anos as aprisionam é uma batalha espiritual. Ajude-as a ver que suas orações têm a oposição dos príncipes das trevas deste mundo. Idéias impiedosas falsos deuses e cultos demoníacos têm que ser confrontados no âmbito espiritual antes que a atividade missionária tenha efeito e antes da volta de Cristo.

O resultado da visão comunicação delegação e batalha de Neemias foi um esforço poderoso que perseverou até o fim. Enquanto você e sua igreja separam este tempo para orar pelas fronteiras finais de missões preparem-se para a batalha. A oração é a chave que abre as portas há tantos séculos fechadas. Dentro dessas portas há bilhões de almas perdidas e sua oração será imprescindível para a vida eterna dessas pessoas.

O modelo de oração de Jesus

Jesus iniciou sua vida pública com oração. Em seu batismo no momento de oração o céu se abriu o Espírito Santo desceu sobre ele e a voz de Deus foi ouvida do céu. É o mesmo para nós: tão logo começamos a orar é o momento em que os céus se abrem. Deus e o homem se encontram em perfeita comunhão. As limitações humanas desaparecem e entra em cena o Deus do universo. Se reconhecêssemos o que faz por nós a oração entraríamos mais freqüentemente na presença de Deus através da oração!

Não só os céus se abrem quando oramos como também o Espírito Santo desce sobre nós. Que empolgante essa verdade! Jesus só podia estar em um lugar de cada vez mas o Consolador a quem enviou o Espírito Santo pode estar conosco em qualquer lugar e a qualquer hora. O Espírito Santo nos capacita qando oramos. Quando Jesus orou ouviu a doce voz do Pai dizendo “Este é meu Filho amado”. Como todos nós desejamos ouvir as palavras de segurança do amor de Deus! Essas coisas todas acontecem quando oramos. Os grandes pregadores podem mover multidões mas até mesmo a mais simples oração fala direto ao coração de Deus.

Jesus gostava de orar sozinho em lugares solitários. Muitas vezes ia até uma montanha para orar e continuava em oração a noite toda. Antes de uma decisão importante como a escolha dos apóstolos ele conversou com o Pai. Mesmo quando estava com os discípulos ele se afastava para orar sozinho.

Por vezes ele orava com um pequeno grupo de discípulos. Podemos também nos reunir em oração com dois ou três amigos. Jesus prometeu que onde dois ou três estiverem reunidos no seu nome Deus estará no meio deles. Jesus não apenas orou com os amigos orou por eles. Disse a Simão: “mas eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça. E tu quando te converteres fortalece teus irmãos”(Lucas 22:32).

Paulo também orou por seus amigos e queria que eles soubessem de suas orações. Muitas e muitas vezes ele orou pelas igrejas iniciadas por sua equipe missionária encorajando-os com suas orações. Da mesma maneira nossos amigos são encorajados quando sabem que intercedemos por eles.

Jesus não orou para conseguir o que queria mas para receber força para cumprir a vontade do Pai. Ele estava em perfeita harmonia com o Pai. Ao enfrentar a cruz ele disse: “Pai se queres passa de mim este cálice todavia não se faça a minha vontade mas a tua” (Lucas 22:42). A oração nos ajuda a fazer a vontade de Deus.

Em suas orações Jesus perdoava aqueles que o crucificavam dizendo: “Pai perdoa-lhes pois não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). Como perdoar aqueles que nos ferem? Somente pela oração.

O último ato de Jesus antes de morrer foi uma oração o final natural de uma vida de oração. Nós também podemos nos consagrar a Deus. Para Jesus a oração era tão natural quanto respirar. Se sinceramente desejamos ser como Cristo sigamos Seu exemplo!

A oração não custa nada financeiramente. Não exige uma catedral joelhos dobrados ou mesmo olhos fechados. Onde e quando nos encontramos em humildade na presença do Senhor estamos ligados a um Deus maravilhoso. Jesus iniciou o ministério com oração terminou a vida sobre a terra com oração. Se Ele viveu em oração quanto mais nós necessitamos orar?!

Podemos ajudar nossos vizinhos com dinheiro e com os nossos esforços mas tendo feito tudo podemos ficar sem dinheiro e sem forças. Pela oração podemos abrir as comportas dos recursos ilimitados de Deus. Ainda que nós sejamos limitados a oração não tem barreiras porque Deus não é limitado.


Piada satânica

Olavo de Carvalho

Outro dia um amigo meu me perguntou se eu não havia reparado que, no intervalo de uma geração, condutas descritas pela psiquiatria como neuróticas e até psicóticas passaram a ser aceitas como normais. Não apenas como normais – respondi –, mas como normativas, louváveis e obrigatórias. Os passos seguintes são: (a) marginalizar e criminalizar toda reação de repulsa; (b) tornar a repulsa psicologicamente impossível, expelindo-a do repertório das condutas admitidas na sociedade.

Só a paranóia indisfarçável permite, por exemplo, que, num país onde ocorrem 50 mil homicídios por ano, os assassinatos de 120 homossexuais, espalhados ao longo de um ano num território de oito milhões e meio de quilômetros quadrados, sejam descritos como uma onda genocida homofóbica. No entanto, basta alguém apelar à comparação estatística e instantaneamente ele mesmo, entre gritos de revolta e lágrimas de indignação da platéia, é acusado de homofóbico e apóstolo do genocídio. A hipótese de confrontar o número de gays assassinados com o de gays assassinos, indispensável cientificamente para distinguir entre um grupo ameaçado, um grupo ameaçador e um grupo que não é nem uma coisa nem a outra, acabou por se tornar tão ofensiva que a mera tentação de sugeri-la já basta para você ser processado por homofobia, antes mesmo de haver lei que a proíba.

Mutatis mutandis, o sr. Luiz Mott alega como prova do ódio generalizado anti-gay uns noventa e poucos casos de agressões a homossexuais ocorridos num prazo de quatro meses em São Paulo, mas quem ousará cotejar esse número com a quantidade de agressões cometidas pelos próprios militantes gayzistas num só dia da Parada Gay na mesma cidade? Raciocinando pelo critério estatístico do sr. Mott, diríamos que os gays são um perigo público. A conclusão é absurda, mas decerto menos absurda do que proclamar que eles estão em perigo.

Proibido o senso das proporções, o fingimento histérico e o hiperbolismo paranóico em favor de grupos de interesse tornam-se deveres cívicos indeclináveis. A loucura tornou-se obrigatória, e quem quer que recuse ser contaminado por ela é um criminoso, um réprobo, um doente mental incapacitado para a vida em sociedade.

O sr. presidente da República acaba de dar foros de exigência estatal a essa estupidez psicótica, ao declarar que toda e qualquer oposição ao homossexualismo é "a doença mais perversa que já entrou numa cabeça humana".

S. Excia reforça suas palavras insistindo em aparecer em cerimônias oficiais ao lado do sr. Luiz Mott, aquele mesmo que discursa sobre arte pornô abraçado à estátua de um bebê pelado do sexo masculino, transmitindo de maneira nada sutil a idéia de que bebês são ou devem tornar-se objetos de desejo sexual como quaisquer outros (se não acreditam, confiram em http://www.youtube.com/watch?v=FlmfZdyk2YA). A propaganda da pedofilia é aí mais do que evidente, mas, ao condecorar o sr. Mott por "mérito cultural" (como se ele próprio tivesse mérito ou cultura), o sr. Lula joga todo o peso da sua autoridade presidencial no blefe cínico que nos força a negar o que vemos e a crer, em vez disso, na encenação oficial de altas intenções humanitárias e culturais. Não há prepotência maior do que exigir que um ser humano sacrifique sua consciência, sua inteligência a até sua capacidade de percepção sensível no altar do absurdo. "Afinal, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?", perguntava Groucho Marx. Quando a piada se transfigura em realidade, o humorismo se transmuta em palhaçada satânica.

Totalmente insensível ao grotesco da sua performance, o louco sobe à cátedra e dá lições de psiquiatria, catalogando como doentes os que achem que há algo de errado em erotizar a imagem de um bebê, e ainda propondo, como terapêutica, a prisão de todos eles.

E há quem acredite que é possível discutir racionalmente, polidamente, com pessoas como os srs. Lula e Mott...

Fonte: Jornal do Brasil, 12 de junho de 2008

“Opor-se ao homossexualismo faz de você um doente”

Presidente do Brasil realiza conferência para lutar contra a “homofobia”

Christina Millerv
© 2008 WorldNetDaily

O presidente do Brasil diz que “se opor” ao homossexualismo faz uma pessoa de doente, e crê que tais pensamentos precisam ser criminalizados.

Poucas décadas atrás, a Associação Psiquiátrica Americana colocou a homossexualidade na lista de doenças mentais, mas logo sucumbiu à campanha pró-homossexualismo para descontinuar essa definição.

Agora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ganhou uma reeleição apertada depois de escândalos envolvendo dinheiro em troca de votos, realizou a 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais para condenar a convicção bíblica de que a homossexualidade é errada.

Lula, em 5 de junho, não só fez a abertura oficial do evento para promover o homossexualismo na nação, mas também convocou a conferência por meio de decreto presidencial.

Ele está exigindo a “criminalização da homofobia”, e ele disse que a oposição à homossexualidade “talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano”.

Ele disse que os “preconceituosos” precisam “arejar a cabeça e a despoluírem”. Outros palestrantes incentivaram os homossexuais a reivindicarem ser parte de uma campanha de direitos civis que já trouxe reformas para o tratamento de negros, idosos e deficientes. Eles também anunciaram que os hospitais públicos da nação começariam a realizar operações de mudança de sexo para as pessoas.

O ativista pró-família Julio Severo, em entrevista por email, disse que o avanço em direção aos padrões de Sodoma e Gomorra é mais forte no Brasil do que nos Estados Unidos — por enquanto — por causa da ausência de princípios fundamentais cristãos para a sociedade.

“Os cristãos envolvidos na política estão sendo dirigidos em massa por filosofias esquerdistas, principalmente a Teologia da Libertação em suas várias formas”, ele disse.

“Os cristãos que não estão envolvidos pensam que a única opção de ação social é imitar o ativismo político de esquerdistas cristãos”, disse ele.

Severo disse que o que precisa ocorrer é as igrejas cristãs renunciarem conjuntamente ao socialismo e se envolverem na política, usando as normas bíblicas como padrão.

“As igrejas precisam se preparar e enviar homens como José, Davi e Daniel para conquistarem funções públicas”, disse ele.

Severo disse que a comunidade homossexual, diferente das reivindicações de muitos grupos de interesses do passado, não está satisfeita com a “aceitação geral” do estilo de vida sexual que escolheu. Essa insatisfação está levando a exigências para que o homossexualismo seja aprovado e apoiado, e para legalmente erradicar a “homofobia” e os pensamentos “homofóbicos”.

O governo Lula adotou medidas ousadas com essa finalidade, disse ele. A Secretária Especial de Direitos Humanos, em conjunto com outros ministérios, lançou a campanha “Brasil Sem Homofobia”, observou ele.

Esse programa é apresentado em sua propaganda como uma iniciativa para promover uma compreensão maior acerca da homossexualidade no Brasil. Contudo, suas ações têm sido bem longe de pacíficas — em maio, um dos seus idealizadores, Luiz Mott, entrou com ações legais contra ativistas pró-família e postou na Internet os endereços residenciais deles.

Por ora, os conservadores têm o direito à livre expressão, relatam os líderes cristãos. No entanto, se a defesa ao homossexualismo se tornar lei, a homossexualidade será classificada como parte da “dignidade da pessoa”. Portanto, esse conceito vencerá todos os direitos de expressão que os cristãos defendem.

Severo confessa ter grandes preocupações com o andamento das coisas.

“Só Deus sabe o que o futuro trará”, ele disse.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com

Igreja Anglicana declara ruptura por homossexualidade

Nesta quinta-feira, dia 19, a versão online do jornal inglês The Telegraph publicou que líderes da Igreja Anglicana declararam o fim da comunhão universal de valores entre seus membros, afirmando que não mais se associarão aos liberais que tolerem a homossexualidade na religião.

O pronunciamento formal da cisão interna da Igreja Anglicana está contido em um documento de 89 páginas intitulado “The Way, The Truth and The Life” (O Caminho, A Verdade e A Vida) que será apresentado no encontro entre religiosos anglicanos na próxima semana.

O documento tem o total apoio de dirigentes das igrejas anglicanas africanas, espcialmente da Nigéria, da Uganda e de Ruanda, três países que possem juntos quase a metade de todos os seguidores da Igreja Anglicana mundial.

Segundo o Arcebispo nigeriano Perter Akinola, não há mais esperanças de unificação. “Se falharmos agora, corremos o risco de guiar milhões de pessoas para longe das Sagradas Escrituras e também, mais seriamente, encarar a real possibilidade de negar Nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo”, disse.

“Queremos a união, mas não pelo preço de renegar Cristo em detrimento de outro ‘professor’, que poder ser obedecido ou desobedecido”, completou.

O Arcebispo disse, ainda, que a cisão interna somente será evitada se as igrejas que toleram a homossexualidade e abençoam as uniões entre pessoas do mesmo sexo deixarem de agir desta forma.

Fonte: MixBrasil

As 95 Teses de Martin Lutero

Estudo Introdutório:

Essas teses foram afixadas na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg a 1o de outubro de 1517. Era esse o modo usual de se anunciar uma “disputa”, prática regular da vida universitária. Ao fazer isso, não havia nada de excepcional na atitude de Lutero(1483-1546), pois apenas agia conforme costumes medievais ainda presentes nas universidades européias. Não se tratava de uma ação que deveria ter uma conotação individual, visto que as disputas eram debates que envolviam professores e estudantes, daí o fato de Lutero pedir para aqueles que não pudessem se fazer presentes às disputas que, ao menos, enviassem suas opiniões por escrito para serem lidas. Portanto, as “teses” deveriam ser vistas como “pontos a serem debatidos” em uma plenária. Nesse sentido, trata-se de um ato público envolvendo doutos e/ou seus estudantes, como demonstra o fato de as teses terem sido escritas originalmente em latim e não em alemão (língua familiar de Lutero). Observe-se também que o tom irônico e uma certa preocupação com métrica e rima fazem parte do ritual de “belo discurso”(arte da retórica), matéria obrigatória nas universidades da época. Portanto, ao lançar suas “95 Teses”, Lutero tornava públicas (mas não populares) as suas idéias, com a finalidade de expor questões que o incomodavam a respeito das “vendas de perdão/indulgências”, cujas contradições práticas e doutrinais, somadas à corrupção de determinados setores do clero, eram vistas por ele como uma ameaça à credibilidade em relação à fé cristã e à Igreja de Roma. Isso significa que, ao tornar públicas suas teses, Lutero esperava receber o apoio do papa e não a sua censura. No entanto, depois de novas disputas teológicas, desta vez com agentes enviados pelo Papa Leão X(1475-1521; pontificado: 1513-1521), foi redigida contra Lutero uma carta de excomunhão datada em 21 de janeiro de 1521, que ele receberia meses depois.

Entre 1517 e 1521, Lutero foi submetido a algumas disputas teológicas e quase metade de suas teses foi refutada pelos agentes teológicos do papa. Aos poucos, a situação fugiu dos muros da universidade, e muitas idéias de Lutero foram convenientemente distorcidas por membros da nobreza alemã, que utilizaram a “desculpa da fé” para tomar bens e terras de famílias inimigas e da própria Igreja. Toda esta situação foi consolidando uma situação de cisma religioso na Europa que estava longe das intenções de Lutero. Portanto, deve-se entender que a ação de Lutero misturou-se involuntariamente com interesses políticos e outras tendências do debate teológico que remontavam ao século XIII. Por isso, ele criticou tanto as revoltas camponesas (marcadamente anabatistas) quanto os nobres que misturavam o plano religioso com o secular. Inserido numa realidade mental de Antigo Regime, Lutero era muito cioso das hierarquias sociais e criticava a nobreza e parte do clero que não davam “bom exemplo” e, explorando os camponeses com tributações extraordinárias, alimentavam as suas revoltas. Assim, não surpreende que em 1520 tenha escrito “Apelo à Nobreza Germânica” e, em 1525, no contexto das guerras camponesas ocorridas na Alemanha, tenha escrito “Sobre a Autoridade Secular”, que tinham um teor claramente secularizante e favorável ao equilíbrio dos diretos e responsabilidades que justificavam, aos seus olhos, as hierarquias sociais. Portanto, frente a um mundo que se apresentava instável e inseguro, Lutero apelava para dispositivos tradicionais como meio de restaurar a segurança do mundo, mas com uma novidade que jamais foi praticada plenamente em parte nenhuma da Europa até o final do Antigo Regime: apenas quem julga a fé é Deus e, portanto, nenhuma autoridade política deve, em nome dela, causar perda de vida e bens de seus súditos.

Valeria fazer uma indagação final: Se a ação de Lutero de lançar suas teses em 1517 não tinha nada de excepcional, por que posteriormente isso foi lembrado em muitos livros didáticos de história com conotações de heroicidade ou excepcionalidade? Em primeiro lugar, porque os desdobramentos não necessariamente luteranos de uma fé reformada ganhou avultado corpo e agentes sociais. Sem isso, não há quem celebre ou crie memória social em torno de determinado evento. Em segundo lugar, várias idéias de outros escritos de Lutero foram utilizadas por políticos e intelectuais da segunda metade do século XIX para, muito antes de Max Weber, fazer a ponte entre “protestantismo” e “espírito capitalista” e, assim, explicar a emergência imperial da Grã-Bretanha e do Império Prussiano, em contraponto ao “atraso ibérico” e à “decadência napoleônica francesa”. No entanto, foi ao final do século XVII, contexto da expansão militar de Luís XIV (que revogou o Édito de Nantes em 1685), que se começou a celebrar nos meios “protestantes” o dia de lançamento das teses de Lutero como um “marco de ruptura” com Roma.


Cronologia Básica:

1483, 10 de novembro: Nasce Lutero.

1509: Henrique VIII(1491-1547) torna-se rei da Inglaterra. Nasce João Calvino em 10 de julho.

1517, 1.º de outubro: Lutero fixa as suas “95 Teses” na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg.

1518: Lutero recusa-se a retratar-se perante o papa Leão X(1475-1521; pontificado: 1513-1521).

1520, junho: Leão X condena 41 proposições de Lutero.

1521, 21 de janeiro: Leão X excomunga Lutero, mas levam vários meses até a ordem de excomunhão chegar à Alemanha.

1522: Lutero publica a sua advertência contra os distúrbios e publica a tradução do grego para o alemão do Novo Testamento, com gravuras de Lucas Kranach (1472-1553).

1523: Lutero publica texto que fala do direito de a comunidade de fiéis julgar toda a doutrina e nomear e demitir clérigos.

1524-1525: Revolta camponesa liderada por Thomas Müntzer (1490-1525).

1525: Lutero publica texto contra os “profetas sagrados” e contra as “revoltas camponesas”.

1528: Mandato imperial ameaça de morte os anabatistas.

1530: Carlos V (1500-1558) – rei de Espanha desde 1516 e eleito imperador Habsburgo desde 1519 – fracassa em impor uma ortodoxia religiosa ao império.

1534: Ruptura de Henrique VIII da Inglaterra com Roma, supressão dos monastérios e concessão de permissão para os padres se casarem. Na Alemanha, Lutero publica a tradução do hebreu para o alemão do Velho Testamento.

1534-1535: Anabatistas tomam o poder em Münster, mas seu “reino” é derrubado pela coligação de forças católicas e protestantes.

1536: Calvino edita “Instituições da Religião Cristã”. Há também a introdução da bíblia vernacular na Inglaterra.

1542: Calvino organiza o seu catecismo em Genebra.

1544: Calvino admoesta os anabatistas.

1545, 13 de dezembro: Começa o Concílio de Trento.

1546, 18 de fevereiro: Morre Lutero.

1547: Eduardo VI(1537-1553) assume o trono na Inglaterra e demonstra forte tendência calvinista.

1549: Eduardo VI lança o livro de pregações e pretende forçar a uniformidade religiosa em torno da fé reformada na Inglaterra.

1553: Morre Eduardo VI e sua irmã mais velha, Maria I(1516-1558), pretende o retorno da Inglaterra ao Catolicismo.

1558: Morre Carlos V da Espanha e Maria I da Inglaterra. Elizabeth (1533-1603) assume o trono da Inglaterra e tenta restaurar o anglicanismo de seu pai, Henrique VIII, o que significava evitar os extremos puritano(Eduardo VI) e católico(Maria I).

1560, Março: Fracasso de uma conspiração de jovens aristocratas huguenotes contra a Casa Católica do Duque de Guise na França. Primeiro édito de tolerância é editado.

1561, Setembro-Novembro: Colóquio de Poissy, mas fracassa a tentativa de restaurar a unidade entre huguenotes e católicos na França.

1562, março: Massacre dos huguenotes em Vassy comandada pela Casa Católica de Guise. Primeira Guerra Civil Religiosa na França.

1563: Em março, Catarina de Médicis(1519-1589; regente: 1560-1574) tenta por fim à guerra civil francesa com a assinatura da Paz de Amboise, que concede certo grau de tolerância para os huguenotes. Neste mesmo ano, encerra-se o Concílio de Trento.

1564, 27 de maio: Morre João Calvino. Théodore de Béze(1519-1605) sucede Calvino como líder da reforma protestante centrada em Genebra.

1572, 23-24 de agosto: Noite do Massacre de São Bartolomeu em Paris.

1598: Publicação do Édito de Nantes.

1685: Revogação do Édito de Nantes.



Latim
Português
Amore et studio elucidande veritatis hec subscripta disputabuntur Wittenberge, Presidente R. P. Martino Lutther, Artium et S. Theologie Magistro eiusdemque ibidem lectore Ordinario. Quare petit, ut qui non possunt verbis presentes nobiscum disceptare agant id literis absentes.

In nomine domini nostri Hiesu Christi.

Amen.



1. Dominus et magister noster Iesus Christus dicendo ‘Penitentiam agite &c.’ omnem vitam fidelium penitentiam esse voluit.

2. Quod verbum de penitentia sacramentali (id est confessionis et satisfactionis, que sacerdotum ministerio celebratur) non potest intelligi.

3. Non tamen solam intendit interiorem, immo interior nulla est, nisi foris operetur varias carnis mortificationes.

4. Manet itaque pena, donec manet odium sui (id est penitentia vera intus), scilicet usque ad introitum regni celorum.

5. Papa non vult nec potest ullas penas remittere preter eas, quas arbitrio vel suo vel canonum imposuit.

6. Papa non potest remittere ullam culpam nisi declarando, et approbando remissam a deo Aut certe remittendo casus reservatos sibi, quibus contemptis culpa prorsus remaneret.

7. Nulli prorus remittit deus culpam, quin simul eum subiiciat humiliatum in omnibus sacerdoti suo vicario.

8. Canones penitentiales solum viventibus sunt impositi nihilque morituris secundum eosdem debet imponi.

9. Inde bene nobis facit spiritussanctus in papa excipiendo in suis decretis semper articulum mortis et necessitatis.

10. Indocte et male faciunt sacerdotes ii, qui morituris penitentias canonicas in purgatorium reservant.

11. Zizania illa de mutanda pena Canonica in penam purgatorii videntur certe dormientibus episcopis seminata.

12. Olim pene canonice non post, sed ante absolutionem imponebantur tanquam tentamenta vere contritionis.

13. Morituri per mortem omnia solvunt et legibus canonum mortui iam sunt, habentes iure earum relaxationem.

14. Imperfecta sanitas seu charitas morituri necessario secum fert magnum timorem, tantoque maiorem, quanto minor fuerit ipsa.

15. Hic timor et horror satis est se solo (ut alia taceam) facere penam purgatorii, cum sit proximus desperationis horrori.

16. Videntur infernus, purgaturium, celum differre, sicut desperatio, prope desperatio, securitas differunt.

17. Necessarium videtur animabus in purgatorio sicut minni horrorem ita augeri charitatem.

18. Nec probatum videtur ullis aut rationibus aut scripturis, quod sint extra statum meriti seu augende charitatis.

19. Nec hoc probatum esse videtur, quod sint de sua beatitudine certe et secure, saltem omnes, licet nos certissimi simus.

20. Igitur papa per remissionem plenariam omnium penarum non simpliciter omnium intelligit, sed a seipso tantummodo impositarum.

21. Errant itaque indulgentiarum predicatores ii, qui dicunt per pape indulgentias hominem ab omni pena solvi et salvari.

22. Quin nullam remittit animabus in purgatorio, quam in hac vita debuissent secundum Canones solvere.

23. Si remissio ulla omnium omnino penarum potest alicui dari, certum est eam non nisi perfectissimis, i.e. paucissimis, dari.

24. Falli ob id necesse est maiorem partem populi per indifferentem illam et magnificam pene solute promissionem.

25.Qualem potestatem habet papa in purgatorium generaliter, talem habet quilibet Episcopus et Curatus in sua diocesi et parochia specialiter.

[26] Optime facit papa, quod non potestate clavis (quam nullam habet) sed per modum suffragii dat animabus remissionem.

[27] Hominem predicant, qui statim ut iactus nummus in cistam tinnierit evolare dicunt animam.

[28] Certum est, nummo in cistam tinniente augeri questum et avariciam posse: suffragium autem ecclesie est in arbitrio dei solius.

[29] Quis scit, si omnes anime in purgatorio velint redimi, sicut de s. Severino et Paschali factum narratur.

[30] Nullus securus est de veritate sue contritionis, multominus de consecutione plenarie remissionis.

[31] Quam rarus est vere penitens, tam rarus est vere indulgentias redimens, i. e. rarissimus.

[32] Damnabuntur ineternum cum suis magistris, qui per literas veniarum securos sese credunt de sua salute.

[33] Cavendi sunt nimis, qui dicunt venias illas Pape donum esse illud dei inestimabile, quo reconciliatur homo deo.

[34] Gratie enim ille veniales tantum respiciunt penas satisfactionis sacramentalis ab homine constitutas.

[35] Non christiana predicant, qui docent, quod redempturis animas vel confessionalia non sit necessaria contritio.

[36] Quilibet christianus vere compunctus habet remissionem plenariam a pena et culpa etiam sine literis veniarum sibi debitam.

[37] Quilibet versus christianus, sive vivus sive mortuus, habet participationem omnium bonorum Christi et Ecclesie etiam sine literis veniarum a deo sibi datam.

[38] Remissio tamen et participatio Pape nullo modo est contemnenda, quia (ut dixi) est declaratio remissionis divine.

[39] Difficillimum est etiam doctissimis Theologis simul extollere veniarum largitatem et contritionis veritatem coram populo.

[40] Contritionis veritas penas querit et amat, Veniarum autem largitas relaxat et odisse facit, saltem occasione.

[41] Caute sunt venie apostolice predicande, ne populus false intelligat eas preferri ceteris bonis operibus charitatis.

[42] Docendi sunt christiani, quod Pape mens non est, redemptionem veniarum ulla ex parte comparandam esse operibus misericordie.

[43] Docendi sunt christiani, quod dans pauperi aut mutuans egenti melius facit quam si venias redimereet.

[44] Quia per opus charitatis crescit charitas et fit homo melior, sed per venias non fit melior sed tantummodo a pena liberior.

[45] Docendi sunt christiani, quod, qui videt egenum et neglecto eo dat pro veniis, non idulgentias Pape sed indignationem dei sibi vendicat.

[46] Docendi sunt christiani, quod nisi superfluis abundent necessaria tenentur domui sue retinere et nequaquam propter venias effundere.

[47] Docendi sunt christiani, quod redemptio veniarum est libera, non precepta.

[48] Docendi sunt christiani, quod Papa sicut magis eget ita magis optat in veniis dandis pro se devotam orationem quam promptam pecuniam.

[49] Docendi sunt christiani, quod venie Pape sunt utiles, si non in cas confidant, Sed nocentissime, si timorem dei per eas amittant.

[50] Docendi sunt christiani, quod si Papa nosset exactiones venialium predicatorum, mallet Basilicam s. Petri in cineres ire quam edificari cute, carne et ossibus ovium suarum.

[51] Docendi sunt christiani, quod Papa sicut debet ita vellet, etiam vendita (si opus sit) Basilicam s. Petri, de suis pecuniis dare illis, a quorum plurimis quidam concionatores veniarum pecuniam eliciunt.

[52] Vana est fiducia salutis per literas veniarum, etiam si Commissarius, immo Papa ipse suam animam pro illis impigneraret.

[53] Hostes Christi et Pape sunt ii, qui propter venias predicandas verbum dei in aliis ecclesiis penitus silere iubent.

[54] Iniuria fit verbo dei, dum in eodem sermone equale vel longius tempus impenditur veniis quam illi.

[55] Mens Pape necessario est, quod, si venie (quod minimum est) una campana, unis pompis et ceremoniis celebrantur, Euangelium (quod maximum est) centum campanis, centum pompis, centum ceremoniis predicetur.

[56] Thesauri ecclesie, unde Pape dat indulgentias, neque satis nominati sunt neque cogniti apud populum Christi.

[57] Temporales certe non esse patet, quod non tam facile eos profundunt, sed tantummodo colligunt multi concionatorum.

[58] Nec sunt merita Christi et sanctorum, quia hec semper sine Papa operantur gratiam hominis interioris et crucem, mortem infernumque exterioris.

[59] Thesauros ecclesie s. Laurentius dixit esse pauperes ecclesie, sed locutus est usu vocabuli suo tempore.

[60] Sine temeritate dicimus claves ecclesie (merito Christi donatas) esse thesaurum istum.

[61] Clarum est enim, quod ad remissionem penarum et casuum sola sufficit potestas Pape.

[62] Verus thesaurus ecclesie est sacrosanctum euangelium glorie et gratie dei.

[63] Hic autem est merito odiosissimus, quia ex primis facit novissimos.

[64] Thesaurus autem indulgentiarum merito est gratissimus, quia ex novissimis facit primos.

[65] Igitur thesauri Euangelici rhetia sunt, quibus olim piscabantur viros divitiarum.

[66] Thesauri indulgentiarum rhetia sunt, quibus nunc piscantur divitias virorum.

[67] Indulgentie, quas concionatores vociferantur maximas gratias, intelliguntur vere tales quoad questum promovendum.

[68] Sunt tamen re vera minime ad gratiam dei et crucis pietatem comparate.

[69] Tenentur Episcopi et Curati veniarum apostolicarum Commissarios cum omni reverentia admittere.

[70] Sed magis tenentur omnibus oculis intendere, omnibus auribus advertere, ne pro commissione Pape sua illi somnia predicent.

[71] Contra veniarum apostolicarum veritatem qui loquitur, sit ille anathema et maledictus.

[72] Qui vero, contra libidinem ac licentiam verborum Concionatoris veniarum curam agit, sit ille benedictus.

[73] Sicut Papa iuste fulminat eos, qui in fraudem negocii veniarum quacunque arte machinantur.

[74] Multomagnis fulminare intendit eos, qui per veniarum pretextum in fraudem sancte charitatis et veritatis machinantur.

[75] Opinari venias papales tantas esse, ut solvere possint hominem, etiam si quis per impossibile dei genitricem violasset, Est insanire.

[76] Dicimus contra, quod venie papales nec minimum venialium peccatorum tollere possint quo ad culpam.

[77] Quod dicitur, nec si s. Petrus modo Papa esset maiores gratias donare posset, est blasphemia in sanctum Petrum et Papam.

[78] Dicimus contra, quod etiam iste et quilibet papa maiores habet, scilicet Euangelium, virtutes, gratias, curationum &c. ut 1.Co.XII.

[79] Dicere, Crucem armis papalibus insigniter erectam cruci Christi equivalere, blasphemia est.

[80] Rationem reddent Episcopi, Curati et Theologi, Qui tales sermones in populum licere sinunt.

[81] Facit hec licentiosa veniarum predicatio, ut nec reverentiam Pape facile sit etiam doctis viris redimere a calumniis aut certe argutis questionibus laicorm.

[82] Scilicet. Cur Papa non evacuat purgatorium propter sanctissimam charitatem et summam animarum necessitatem ut causam omnium iustissimam, Si infinitas animas redimit propter pecuniam funestissimam ad structuram Basilice ut causam levissimam?

[83] Item. Cur permanent exequie et anniversaria defunctorum et non reddit aut recipi permittit beneficia pro illis instituta, cum iam sit iniuria pro redemptis orare?

[84] Item. Que illa nova pietas Dei et Pape, quod impio et inimico propter pecuniam concedunt animam piam et amicam dei redimere, Et tamen propter necessitatem ipsius met pie et dilecte anime non redimunt eam gratuita charitate?

[85] Item. Cur Canones penitentiales re ipsa et non usu iam diu in semet abrogati et mortui adhuc tamen pecuniis redimuntur per concessionem indulgentiarum tanquam vivacissimi?

[86] Item. Cur Papa, cuius opes hodie sunt opulentissimis Crassis crassiores, non de suis pecuniis magis quam pauperum fidelium struit unam tantummodo Basilicam sancti Petri?

[87] Item. Quid remittit aut participat Papa iis, qui per contritionem perfectam ius habent plenarie remissionis et participationis?

[88] Item. Quid adderetur ecclesie boni maioris, Si Papa, sicut semel facit, ita centies in die cuilibet fidelium has remissiones et participationes tribueret?

[89] Ex quo Papa salutem querit animarum per venias magis quam pecunias, Cur suspendit literas et venias iam olim concessas, cum sint eque efficaces?

[90] Hec scrupulosissima laicorum argumenta sola potestate compescere nec reddita ratione diluere, Est ecclesiam et Papam hostibus ridendos exponere et infelices christianos facere.

[91] Si ergo venie secundum spiritum et mentem Pape predicarentur, facile illa omnia solverentur, immo non essent.

[92] Valeant itaque omnes illi prophete, qui dicunt populo Christi “Pax pax”, et non est pax.

[93] Bene agant omnes illi prophete, qui dicunt populo Christi “Crux crux”, et non est crux.

[94] Exhortandi sunt Christiani, ut caput suum Christum per penas, mortes infernosque sequi studeant,

[95] Ac sic magis per multas tribulationes intrare celum quam per securitatem pacis confidant.



M.D.Xvii.
Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes teses serão defendidas em Wittenberg sob a presidência do Rev. Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial da mesma. Ele, portanto, pede que todos os que não puderem estar presentes e disputar com ele verbalmente, façam-no por escrito.

Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Amém.

1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.

2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).

3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.

4. Por conseqüência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.

5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.

6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoados os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações, a culpa permaneceria.

7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.

8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.

9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.

10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.

11. Essa cizânia de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.

12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.

13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.

14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais quanto menor for o amor.

15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.

16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.

17. Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que cresce o amor.

18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontrem fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.

19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza disso.

20. Portanto, por remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.

21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.

22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.

23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.

24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.

26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.

27. Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].

28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa[1], pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas, como na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal?

30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.

31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.

32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.

33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Ele.

34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.

35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.

36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plena tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de indulgência.

37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem carta de indulgência.

38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina[2].

39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar simultaneamente perante o povo a liberalidade de indulgências e a verdadeira contrição.[3]

40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, ou pelo menos dá ocasião para tanto.[4]

41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.[5]

42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.

43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.[6]

44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.

45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.

46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.

47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.

48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (assim como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que do dinheiro que se está pronto a pagar.

49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.

50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.

52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.

53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.

54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.

55. A atitude do Papa necessariamente é: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.

56. Os tesouros da Igreja, a partir dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.

58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.

59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.

60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem estes tesouros.

61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos especiais, o poder do papa por si só é suficiente.[7]

62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63. Mas este tesouro é certamente o mais odiado, pois faz com que os primeiros sejam os últimos.

64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é certamente o mais benquisto, pois faz dos últimos os primeiros.

65. Portanto, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.

66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.

67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tais, na medida em que dão boa renda.

68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.

70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbidos pelo papa.

71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.

72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências.

73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências,

74. muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram fraudar a santa caridade e verdade.

75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes a ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.

76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados venais no que se refere à sua culpa.

77. A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa.

78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I.Coríntios XII.

79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insigneamente erguida, eqüivale à cruz de Cristo.

80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes sermões sejam difundidos entre o povo.

81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil nem para os homens doutos defender a dignidade do papa contra calúnias ou questões, sem dúvida argutas, dos leigos.

82. Por exemplo: Por que o papa não esvazia o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas – o que seria a mais justa de todas as causas –, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica – que é uma causa tão insignificante?

83. Do mesmo modo: Por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?

84. Do mesmo modo: Que nova piedade de Deus e do papa é essa que, por causa do dinheiro, permite ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, mas não a redime por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta por amor gratuito?

85. Do mesmo modo: Por que os cânones penitenciais – de fato e por desuso já há muito revogados e mortos – ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?

86. Do mesmo modo: Por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos ricos mais crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?

87. Do mesmo modo: O que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à plena remissão e participação?

88. Do mesmo modo: Que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações cem vezes ao dia a qualquer dos fiéis?

89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências, outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?

90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os cristãos infelizes.

91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92. Portanto, fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo "Paz, paz!" sem que haja paz!

93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo "Cruz! Cruz!" sem que haja cruz![8]

94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno.

95. E que confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.

[1517 A.D.]




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[1]Lutero refere-se à caixa de coleta de rendas oriundas da venda de “cartas de indulgência”. (Vide Tese 36)

[2]Observa neste trecho o quanto a postura de Lutero não é cismática, mas reformadora, pois reconhecia, pelo menos em 1517, o papel do Papa como intercessor.(Vide Teses 61, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 83, 84, 87, 89, 90, 91)

[3]No século XVII, o padre católico Gregório da Mattos Guerra(1633-1696) voltaria, com sarcasmos, a este tema em seu poema-missiva “A Jesus Cristo Nosso Senhor”: Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado./Da vossa clemência me despido,/porque, quanto mais tenho delinqüido,/vos tenho a perdoar mais empenhado./.../Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada./ Cobrai-a e não queirais, pastor divino,/perder na vossa ovelha a vossa glória. (MATOS, Gregório de. Poemas Escolhidos. São Paulo, Cultrix, 1976. p. 297).(Vide Teses 44, 49, 67, 76, 84, 93)

[4]Lutero é marcadamente agostiniano e, por isso, insiste no valor pedagógico do castigo, na utilidade do sofrimento, no recurso necessário aos métodos repressivos – tanto em matéria de fé quanto de política.(Vide Teses 94, 95)

[5]Em 1525, Lutero afirmaria abertamente que condenada estaria toda a obra que não nascesse do amor, no sentido da “charitas” de Cristo, o que significava que a “obra” concebida como “cálculo de indulgência” não teria o menor efeito, mesmo porque não caberia ao homem julgar a fé de outrem, pois somente Deus conheceria o que se passava no coração dos homens. O efeito disso, diferentemente do tom ainda conciliador de 1517, era tornar a instituição eclesiástica completamente desnecessária para reger o “mundo interior” do cristão.(Vide Teses 47, 48, 49, 51, 52, 53, 55, 57, 58, 65, 66)

[6]Esta tese tem dois alvos: em âmbito geral, a elite nobre e não-nobre alemã que desperdiçava recursos em encomendas de missas ou patrocínio de igrejas às custas da miséria ou exação de seus subordinados; em âmbito particular, o Cardeal Alberto de Brandeburgo(1490-1545). Para ter sua confirmação para o Arcebispado de Mayence em 1514, Alberto tinha que conseguir uma soma considerável e enviá-la para Roma. Para tanto, ele fez um empréstimo e o assentou, com autorização papal, sobre a arrecadação das indulgências vinculadas à construção da Basílica de São Pedro em Roma. Segundo o acordo entre Alberto e o Papado, metade do arrecadado iria para a construção da basílica e a outra metade para Alberto quitar suas dívidas provenientes da investidura no arcebispado. No final das contas, o Papa teria o conjunto das rendas de Brandeburgo vinculadas às indulgências.(Vide Teses 46, 47, 48, 50, 51, 52, 55, 56, 59, 65, 66, 82, 83, 85, 86, 88)

[7]Vide Tese 38.

[8]Com tal imprecação, Lutero espera uma reforma moral da Igreja e seu rebanho, o que significava a interiorização da fé, da contrição e da “charitas”.(Supra notas “3” e “5”)

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