segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Microchip obrigatório para todos os bebês a partir de maio 2014

“O chip é um circuito integrado utilizado no tecido subcutâneo . Os microchips são aproximadamente do tamanho de um grão de arroz e baseiam-se numa tecnologia NWO passiva . Os microchips são particularmente úteis no caso de sequestro ou desaparecimento de crianças . Muitos países já utilizam e exigem o microchip em conjunto para a vacinação.

ImageA partir de maio de 2014, em toda a Europa , a obrigação de apresentar as crianças para instalar o microchip sob a pele , que deve ser aplicado em hospitais públicos no momento do nascimento . O chip em questão é fornecido , bem como uma folha de dados com informações sobre o (nome, tipo sanguíneo , data de nascimento , etc ) indivíduo também é um detector de GPS poderoso que vai funcionar com uma bateria de micro- substituível a cada 2 anos nos hospitais estaduais. O chip de GPS está dentro da nova geração e , por conseguinte, permite uma margem de erro de detecção igual ou inferior a 5 metros . Vai ser conectado diretamente a um satélite, que irá gerenciar as conexões . Quem quiser , pode ser implantado gratuitamente (ou implantar seus filhos ) microchip , embora nascido / a primeiro de maio de 2014, o preenchimento de um formulário de pedido de adesão da ASL . O CCCP (Comitê Consultivo para o Controle da População ) levou em conta a instalação obrigatória para os cidadãos nascidos antes dessa data , mas que não se materializa antes de 2017. A instalação será totalmente indoloregrazie para o facto de o chip ser implantado sob a pele no cotovelo esquerdo , sem diterminazioni nervo .
Finalmente uma boa notícia do mundo da tecnologia. Com este chip , finalmente , vai evitar todos os casos discomparsa ou seqüestros que têm perturbado o mundo em todos estes anos. Também será possível , graças a essa tecnologia, no futuro,
controlar facilmente todos os criminosos em geral.”

 (tradução do Google do texto original “Microchip obbligatorio per tutti i Neonati da Maggio 2014“ By  Updated: dicembre 15, 2013 © Riproduzione Riservata CORRIEREDIROMA.IT)

O ESGOTAMENTO DA ALMA

SÍNDROME DE BURNOUT: O ESGOTAMENTO DA ALMA
 Talvez você nunca tenha ouvido falar de Síndrome de Burnout, mas caso exerça cargos de liderança na igreja, seja como pastor/a ou leigo/a, ou se sua profissão ou vocação é lidar com pessoas que esperam “respostas” ou “soluções” de você, mantendo com elas um contato próximo, tais como educador, assistente social, médico ou enfermeiro, saiba que você é um potencial candidato de, mais cedo ou mais tarde, vir a desenvolver alguns sintomas dessa síndrome.
O termo “Burnout” é uma expressão idiomática para designar “aquilo que deixou de funcionar, estragou”, mostrando que a pessoa entrou em “combustão completa” física e emocional, resultado de uma fadiga ocupacional.  As primeiras observações dessa síndrome vêm dos meados da década de 70 quando pesquisadores passaram a notar o desgaste, a irritação e a afetação do humor dos profissionais da área da saúde.
Todos aqueles de quem se espera direcionamento, solução de problemas, respostas e ajuda, tornam-se suscetíveis a desenvolver tal síndrome. Às vezes a pessoa atinge um grau tão devastador de cansaço físico e emocional, que a leva a uma total desmotivação(“não posso mais”) e desinteresse (“não quero mais”). É quase uma desistência dos ideais que outrora abraçou e defendeu. É o esgotamento da alma, um cansaço que nenhum fim de semana consegue resolver ou amenizar.
Alguns sintomas psicossomáticos podem surgir, tais como enxaquecas, insônia, hipertensão e gastrite.
No que se refere ao comportamento, há uma total incapacidade de relaxar, e grande irritabilidade.
Emocionalmente há um distanciamento afetivo, dificuldade de concentração, apatia, hostilidade e sarcasmo. Passa a ter uma conduta negativa em relação aos alunos, clientes, colegas de trabalho, familiares, e na vida igreja, em relação aos irmãos e também à instituição religiosa.
Embora não seja propriamente um problema de origem espiritual, é inegável que afeta o espírito e o relacionamento com Deus: “não adianta ir à igreja, não resolve”, dizem eles, ou então, “Deus se afastou de mim, não sinto mais vontade de orar”.
É interessante observar que inúmeros personagens bíblicos também desenvolveram essas mesmas reações negativas justamente a partir do adoecimento de suas relações interpessoais. Moisés quase desfaleceu ao lidar com o povo, a ponto de seu sogro intervir para salvá-lo daquela situação (Gn 18.17-18); Elias teve um esgotamento, e Jeremias um incompreendido até por seus familiares tornou-se sorumbático crônico.
Não somos melhores que eles, ao contrário, compartilhamos das mesmas fraquezas e sujeitos “aos mesmos sentimentos” (Tg 5.17). Não somos “supercrentes”, nem estamos imunes às doenças da alma. Perceber-se doente não é vergonha ou demérito. Aliás, Paulo ensina: “se tenho de gloriar-me é somente no que diz respeito à minha fraqueza” (2Co 11.30).
O perigo é não reconhecer-se doente e ignorar os sinais que vão se manifestando ao longo do tempo. Embora, a princípio seja um problema relacionado à atividade profissional/vocacional é inegável que seus efeitos destrutivos atingirão as outras áreas da vida. Clérigos não conscientes de estarem enfrentando essa exaustão que consome e esgota a alma, tentam procurar culpados por sua inadequação pessoal, e líderes cansados projetam na congregação seus “verdugos” atormentadores, que na verdade não estão fora, mas dentro deles mesmo. O resultado é linguajar duro, um ar distante, ironia, e uma indisfarçável desesperança.
De certa forma, as frustrações ao longo do caminho, a excessiva pressão externa, e uma exagerada cobrança interna – perfeccionismo –  aliados à incapacidade de perceber os próprios limites, podem abrir as portas para o início da síndrome.
Por outro lado, a humildade em perceber-se doente e um espírito flexível capaz de permitir-se mudar nas posturas inadequadas, são ingredientes essenciais para não se deixar cair e ficar prostrado. E é claro, manter uma fé inabalável Naquele que por ser Senhor de tudo, pode até mesmo transformar essa fraqueza em glória.
Procure ajuda, e não fique remoendo sozinho sua dor: a família agradece e o deserto se torna mais curto.

http://www.imesa.org.br/news/reflexoes/sindrome-de-burnout-o-esgotamento-da-alma.html

Minisséries bíblicas terão mais espaço na Record


São poucas as certezas da Record para 2014, mas uma coisa está garantida: as produções bíblicas terão espaço cada vez maior no canal.

Responsáveis pelas maiores audiências da emissora nos últimos anos, as minissérie bíblicas estão cada vez mais extensas, com mais capítulos, e ganharão um novo título no dia 22 de janeiro, com a estreia de "Os Milagres de Jesus".

Para embalar as quartas-feiras que antecedem a estreia, o jornalismo do canal está preparando dois documentários sobre passagens da Bíblia, que serão exibidos nos dias 8 e 15 de janeiro.

Já "Os Milagres de Jesus" tem a missão de manter a audiência do canal na faixa dos 11 pontos no horário, média conquistada por sua antecessora, "José do Egito". Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo.

"Rei Davi" registrou 12,2 pontos de audiência, a mesma média de ibope de "Sansão e Dalila".

Há quem aposte que essas produções bíblicas podem acabar tomando de vez o lugar das novelas convencionais na Record, uma vez que as últimas apostas do gênero, como "Pecado Mortal", não vêm correspondendo em audiência. A emissora já dispensou um de seus principais novelistas, Lauro César Muniz, e outros correm o risco de deixar o canal.

Fonte: Folha de São Paulo

Viver mais é uma benção ou uma maldição?

  • A proporção de jovens e idosos está mudando dramaticamente; a razão é simples, ao menos no mundo desenvolvido: temos cada vez menos filhos e vivemos cada vez mais
    A proporção de jovens e idosos está mudando dramaticamente; a razão é simples, ao menos no mundo desenvolvido: temos cada vez menos filhos e vivemos cada vez mais
À medida que a expectativa de vida aumenta e a taxa de natalidade cai, as populações cada vez mais velhas colocam em cheque noções e políticas sociais. Essa conversa sobre o envelhecimento foi realizada em Londres em parceria com a curadora de palestras 5X15. O moderador foi Serge Schmemann, antigo responsável pelos editoriais do International Herald Tribune.
Os participantes são Sarah Harper, gerontóloga britânica e fundadora do Instituto do Envelhecimento Populacional da Universidade de Oxford; Babatunde Osotimehin, médico, ex-ministro da saúde da Nigéria e diretor executivo do UNFPA, o Fundo de População das Nações Unidas e Ruby Wax, comediante, escritora e apresentadora de TV nascida nos EUA, vive em Londres e faz campanhas pela saúde mental.
Serge Schmemann:  A proporção de jovens e idosos está mudando rápida e dramaticamente. A razão é simples, ao menos no mundo desenvolvido: temos cada vez menos filhos e vivemos cada vez mais. As estatísticas são surpreendentes. Na Roma antiga, sobreviver à infância era um grande feito; atualmente, duas pessoas comemoram 60 anos de idade a cada segundo. A maior parte de nós, especialmente as mulheres, irá viver até os 80 anos e alguns chegarão aos 100.  Essa longevidade é uma conquista considerável do desenvolvimento e dos tratamentos de saúde.
Porém, ela também representa uma série de desafios; à medida que aumenta a proporção de adultos, quem tomará conta deles quando chegarem à velhice? Quem irá pagar as aposentadorias e as contas do médico? Em suma, viver mais é uma benção ou uma maldição? Dr. Osotimehin, sua agência acompanha as tendências populacionais de todo o planeta.  Pode nos dar uma ideia do que está acontecendo à medida que as populações envelhecem?
Babatunde Osotimehin: O envelhecimento é inevitável e o mundo todo está ficando mais velho. Esse é um fenômeno global, que não afeta só o norte ou o sul. Infelizmente, a consciência dos governos em relação ao envelhecimento varia de lugar para lugar. Enquanto que o Japão, que tem a população mais velha do mundo, reconhece o envelhecimento e criou sistemas para garantir que os mais velhos recebam o cuidado necessário, existem muitos países no mundo, especialmente no mundo em desenvolvimento, onde a consciência ainda não está tão avançada. No ano 2050, dois bilhões de pessoas no mundo terão mais de 60 anos e diversos países terão menos crianças com menos de 5 anos, que pessoas com mais de 65. O mundo não pode ver isso como um desafio, ou como um problema, mas como uma parte do desenvolvimento: como nós, enquanto comunidade global, podemos lidar com a questão do envelhecimento?
É importante que comecemos a mudar a forma como nos relacionamos com os cidadãos mais velhos. Descobrimos que as pessoas mais velhas ainda possuem habilidades que podem ser usadas no mercado de trabalho ou em suas comunidades. Precisamos repensar a noção de aposentadoria e também a de emprego. É preciso refletir sobre o desenvolvimento para os cidadãos mais velhos. É claro que não poderemos fugir do fato de que todas as economias precisam de um grande número de jovens. Não importa o quão habilidoso você seja aos 64, ou 68 anos; existem algumas coisas que não consegue mais fazer e os jovens são importantes para isso.
Atualmente, o equilíbrio está mudando drasticamente ao redor do planeta. Algumas economias no norte da Europa e na Ásia tentam lidar com a falta de jovens, introduzindo programas para encorajar a fertilidade. Ao mesmo tempo, em muitos países em desenvolvimento na África e na Ásia – em especial no sudeste asiático –, 70% da população têm menos de 30 anos.  Os dois países mais populosos do mundo, a China e a Índia, estão envelhecendo mais rápido do que a Europa e o restante da Ásia. Isso se complica ainda mais em função da migração rápida dos campos para a cidade. Por isso, esses países precisam estabelecer as formas de proteção social de que essas pessoas precisam.
Porém, em todo o planeta as populações estão vivendo mais. Precisamos garantir que todos estejam socialmente protegidos, que todos tenham acesso à saúde, à moradia e ao transporte. Essas pessoas precisam ser capazes de desenvolver suas habilidades e precisam ter acesso a oportunidades econômicas, pois estarão conosco por muito tempo.
Schmemann: Dra. Harper, muita gente teme que, com o envelhecimento da população, estejamos caminhando em direção ao colapso da família, dos sistemas de saúde e até mesmo de economias. Esse medo tem fundamento?
Sarah Harper: Existem muitos mitos por aí. Olhando em perspectiva, já sabíamos há muito tempo que isso iria acontecer. Tudo começou na Inglaterra há cerca de 250 anos. Isso se chama transição demográfica e é a substituição de populações predominantemente jovens, por sociedades predominantemente idosas. Demorou 150 anos para que a Europa passasse por essa transição, mas, no Hemisfério Sul, os países passarão por essa transição em apenas 25 anos.
Contudo, os demógrafos não foram capazes de prever duas coisas que tornam o contexto um pouco mais complicado do que se previa. Em primeiro lugar, ninguém se deu conta de como as taxas de natalidade caíram rapidamente. E isso não se limita à Europa: os países com a taxa de natalidade mais baixa atualmente ficam na Ásia. Em Hong Kong o total é de menos de uma criança por mulher. Na Coreia do Sul, Cingapura, nas áreas urbanas da Índia e da Malásia a natalidade é muito inferior aos níveis de reposição, que giram em torno de duas crianças por mulher. Portanto, as taxas de natalidade de dois terços dos países do mundo estão abaixo do nível de reposição.
De certa forma, isso é bom, já que significa que as previsões iniciais de que a população mundial poderia chegar a 24 bilhões de pessoas caíram atualmente para 10 ou 11 bilhões. Isso é melhor para o planeta, mas também significa que a fertilidade está diminuindo tão rapidamente que já está causando um enorme efeito paralelo. É a queda na fertilidade que ameaça nossas economias. Essa previsão se baseia na noção econômica de que produzimos, consumimos, poupamos e impulsionamos a economia quando somos jovens; e que, à medida que ficamos mais velhos, nos tornamos menos produtivos e passamos a consumir nossas poupanças. Portanto, o equilíbrio entre os grupos etários de determinada população gera um impacto enorme sobre a economia.
O outra coisa importante que não previmos foi ou aumento dramático da longevidade. Basicamente, estamos deixando a morte para depois – em 1859, metade da população inglesa morria antes de chegar aos 45 anos. Agora, metade da população ainda está viva aos 85 e não precisamos fazer muito para concluir que, em breve, metade da população estará viva aos 100. De fato, se observarmos o crescimento no número de pessoas centenárias ou supercentenárias, estaremos falando em expectativas de vida de 103, 104, ou 105 anos. Minha filha nasceu em 1996 e tem boas chances de ver no século 22.
O isso fará com as sociedades? Há quatro coisas importantes para observar. A primeira é o conceito de sucessão geracional: a ideia de que transferimos posses, poder, riqueza e status de uma geração para outra de forma regular. O que acontece quando você não recebe uma herança dos seus pais ou avós até chegar aos 80 anos de idade?
A segunda é o que acontece com o mercado de trabalho? Passaremos um período curto nos educando, um período curto trabalhando e várias décadas aposentados? Acredito que nossas trajetórias irão mudar completamente e que isso causará impactos sobre o mercado de trabalho, mas nós não nos preparamos para isso.
Meu pai se aposentou aos 54 anos. Agora ele tem 84 anos e passou mais tempo aposentado do que recebendo salário e tem muito orgulho disso. É impossível que eu, minhas irmãs, qualquer pessoa da minha família e muitos de vocês: a) tenham esse tipo de aposentadoria e; b) sejam capazes de se aposentar aos 54.
A terceira coisa é o contrato geracional. Na maioria das sociedades, nós temos um contrato entre as gerações que afirma basicamente que você cuida dos filhos quando são pequenos, para que eles cuidem de você quando chegar à velhice. Agora precisamos nos perguntar se as famílias que têm menos filhos e vivem mais deveriam assumir mais responsabilidades em relação às próprias vidas no futuro.
A quarta é o sistema de saúde. Estamos realmente deixando a morte para depois, mas em algum momento vamos chegar lá. Portanto, iniciativas de saúde pública que nos mantenham saudáveis a vida toda serão absolutamente essenciais. Acredito que as sociedades irão se adaptar e não creio que as economias irão à falência, mas é possível que nossas sociedades se tornem ainda mais desiguais.
Schmemann: Sra. Wax, pelo que entendi,  acabou de terminar seu mestrado. Sobre o que foi sua dissertação?
Ruby Wax: Eu me formei na Universidade de Oxford em terapia cognitiva baseada na plena consciência, que é parte neurociência, parte atenção plena.  
Schmemann: Isso é impressionante! Não sei se isso a torna uma especialista em envelhecimento, mas, assim como eu, você vive em um mundo em que as pessoas envelhecem, o que nos obriga a refletir sobre isso. Sendo assim, gostaria de ouvir suas impressões, na qualidade de alguém que sempre está no palco e que fala com as pessoas. Como você define a velhice? É uma questão de idade, de fragilidade, de sentir-se velho? Como na música dos Beatles, é quando "chegamos aos 64"?
Wax: Bom, para ser honesta não falarei a partir do ponto de vista governamental ou sociológico. Achei que falaríamos sobre como evitar a velhice, sobre como ter mais qualidade de vida quando ficamos idosos. Ou então que falaríamos sobre onde fazer o melhor botox.
Nunca direi que estou velha. Acho que quando você começa a se identificar como velho, ou a dizer "sou alcoólatra", "sou deprimido", ou o que quer que seja, você começa a se rotular. Uma das coisas que estudei foi a neuroplasticidade; ou seja, que quando você começa a limitar sua visão de mundo, e sua visão de si mesmo, milhões de neurônios começam a se atrofiar. Se você não os usa, começa a perdê-los.
A forma como devemos tratar os mais velhos é dizendo: "Tire essa bunda da cadeira e vá aprender a nadar. Não fique sentado desse jeito. Arrume uma massagista para o sangue circular direito e ajeitar essa coluna". Mas os deixamos ficar velhos e começamos a tratá-los como animais de estimação. É assim que vemos os idosos.
Para ser sincera, ninguém quer ver uma velhinha nas telas. As pessoas não querem e é por isso que não existem estrelas de cinema com mais de 50 anos. Assim, as únicas pessoas que têm que encarar a velhice frente a frente são os próprios idosos.
Então, precisamos nos perguntar o que podemos fazer para a vida ser melhor. Correr, andar, fazer exercícios, não ficar por perto das mesmas pessoas. Vá para a Jamaica, pule de paraquedas. Você já está velho mesmo, o pior que pode acontecer é você morrer.
Não quero pensar a meu respeito como uma pessoa velha. Nunca digo a minha idade e o dia em que fizer isso, estarei me tornando aquilo que imagino em uma pessoa velha. É isso o que penso.
Schmemann: Você vai pular de paraquedas?
Wax: É claro! Veja bem, a gente vive tempo demais. Precisamos nos reinventar. Parte da tragédia é que os velhos ficam amargos e dizem: "Me mandaram embora porque estou velho". É claro que irão substituí-lo por gente mais jovem! O que você acha que vão fazer, deixá-lo na TV para o resto da vida?
Ninguém fica no mesmo emprego para sempre. Todo mundo é substituído, como as imagens de cera do Museu Madame Tussauds – em algum momento eles o derretem e o transformam na próxima grande atração. Contudo, todas as vezes que isso acontece, você fica chocado. Quer dizer, eu fui mandada embora da TV porque estava velha demais e, para mim, nunca estive mais bonita…
Schmemann: Você tem toda razão...
Wax: ...ainda assim eu fui tirada da TV, então não vou passar o resto da minha vida berrando em frente à BBC com um cartaz nas mãos. Eu pensei: é agora que vou colocar esses neurônios para trabalhar. Vou voltar a estudar e aprender como o cérebro funciona. Isso é o equivalente a aprender chinês. Nunca fui tão esperta e já entrei na casa dos 60. É isso!
Schmemann: Ruby disse uma coisa que não costumamos encontrar na literatura sobre o envelhecimento: "O pior que pode acontecer é você morrer". Morrer é uma das coisas que passam o tempo todo pela cabeça dos idosos. E eles têm muitos medos: ficar sozinho é um deles. Eles não acreditam que alguém irá ajudá-los quando chegar a hora. Dra. Harper, o que você pode dizer sobre os medos que nos afetam quando chegamos a determinada idade?
  • Tim Bedingfield/The New York Times
    Sarah Harper, segunda a partir da esquerda, discute com Serge Schmemann, Babatunde Osotimehin e Ruby Wax. Harper disse que seu pai se aposentou aos 54 anos, mas ninguém em sua família pode se imaginar fazendo isso
Harper: Até 100 anos atrás, a morte estava em toda parte. Bebês morriam, crianças morriam. Agora, vivemos em uma sociedade em que a morte foi afastada. Por isso, a morte passou a ser relacionada em grande parte com a velhice; e a solidão e a fragilidade são duas coisas que deixam os idosos com medo.
Mas a Ruby está certa: enquanto nos mantivermos saudáveis e ativos, podemos deixar a doença e a fragilidade para depois. A outra notícia boa é que quando você chegar aos 60, 70, 80, 90, você ainda estará cercado por seus amigos, já que eles também vão viver mais.
Wax: É verdade, mas depende de cada um ser esperto o bastante para saber o que fazer. No futuro, quero viver em uma casa cheia de gente esperta e com os cérebros trabalhando a mil.
Harper: Quando você tem recursos, isso é possível, mas a maioria das pessoas não pode se dar a esse luxo e são justamente as desigualdades da velhice que se tornarão uma questão importante.
Osotimehin: Acredito que também haja um fator cultural a ser levado em conta. Em algumas culturas, especialmente na Ásia e na África, a idade traz respeito e as pessoas sentem orgulho de serem idosas. Elas são tratadas como líderes em suas comunidades e, por isso, acho importante que, onde essas estruturas ainda existam, o governo  e as comunidades encorajem e apoiem sua continuidade.
Vi um documentário sobre a vida de uma família no sul da Itália, onde as famílias se reúnem com frequência e compartilham uma grande refeição. Você vê gerações de filhos e netos reunidos em torno dos patriarcas e das matriarcas e isso dá um senso de pertencimento aos idosos. Isso é muito importante.
Deixe-me falar também sobre a África. O continente africano está envelhecendo muito rapidamente, mas os índices de expectativa de vida ainda não mostram isso, uma vez que tantas pessoas morrem de Aids. Mas se excluirmos a Aids do cálculo, será possível notar que muitas pessoas estão ficando muito velhas. Portanto, acredito que também é importante reexaminar as políticas sociais na África.
Outra coisa que não posso deixar de dizer é que, uma vez que as mulheres costumam viver mais que os homens, vemos muito mais mulheres do que homens pobres no mundo. As políticas sociais devem levar isso em conta. A desigualdade de gênero é um problema no mundo todo. Até mesmo na Inglaterra e nos Estados Unidos as mulheres recebem menos que os homens para fazer a mesma coisa. Então, quando as mulheres se aposentam, elas recebem menos, mesmo que vivam mais tempo, do ponto de vista estatístico.
Schmemann: Dr. Osotimehin, onde você gostaria de passar a velhice?
Osotimehin: Sou nigeriano. Eu vivo em Nova York, mas gostaria de passar a velhice na Nigéria. Minha rede social está na Nigéria. Lá eu não preciso ligar para avisar que vou fazer uma visita. Simplesmente apareço, bato na porta e a gente toma alguma coisa. São coisas que a gente nem percebe, mas que permitem que a gente tenha o que os franceses chamam de "joie de vivre".
Você sai, tem uma vida, com gente ao seu redor. Acho que isso dá um senso de pertencimento, de alegria, uma ideia de que se precisar de um serviço, uma ajuda ou um conselho, vai haver alguém que possa fazer isso por você.
Schmemann: Drª Harper, nós falamos sobre a necessidade de uma aposentadoria tardia, de trabalhar por mais tempo. Porém, também existe o risco de que os jovens não consigam trabalho. Não existe um conflito entre as novas gerações que procuram trabalho e as mais velhas, que não param de trabalhar? Isso leva a mais uma questão complicada: por quanto tempo as pessoas devem trabalhar? E, já que estamos falando disso, por quanto tempo as pessoas devem viver?
Harper: Estas são duas perguntas muito diferentes: Existe uma expectativa de vida ideal? Existe uma expectativa de vida máxima? Sempre existiram pessoas que viveram muito e sabemos que a pessoa que comprovadamente viveu por mais tempo foi uma francesa que morreu aos 122 anos. Acredito que se alguém aparecer dizendo que a primeira pessoa que viverá 200 anos já nasceu, nós devemos duvidar. Da mesma forma, se alguém disser que existe um limite para a vida, nós também devemos duvidar.
Quanto ao trabalho, é preciso olhar em perspectiva. A queda na taxa de natalidade significa que um número cada vez menor de jovens entra no mercado de trabalho. Além disso, a idade de aposentadoria de 60 a 65 anos não faz sentido, já que, do ponto de vista biológico, estamos extrapolando os limites da fragilidade.
Biologicamente, muito pouco muda entre os 20 e os 70 anos em termos de capacidade física e mental que não possa ser adaptado ao ambiente de trabalho moderno. Ainda assim, vou a muitas conferências, especialmente no setor bancário, em que jovens banqueiros de 20 ou 30 e poucos anos dizem: "Ah, mas gente idosa – ou seja, com mais de 45 anos – não consegue lidar com a tecnologia". Isso não é verdade.
É uma fantasia dizer que os velhos estão tirando os empregos dos jovens. O mesmo argumento costuma ser usado em relação aos migrantes. Existem certas áreas do país em que existem muitos empregos, de forma que há espaço para muitos migrantes e muitos idosos, mas, ao mesmo tempo, há espaço de sobra para trabalhadores jovens. Na maioria dos casos, pessoas mais velhas não impedem os mais jovens de conseguir empregos.
"Porém, como vamos nos adaptar aos idosos?", me perguntam. Eu sempre digo que, há 100 anos havia um número muito pequeno de mulheres com mais de 45 anos, já que a maioria morria no parto. De repente, as mulheres pararam de morrer no parto e tivemos que criar uma sociedade na qual as mulheres adultas ainda eram ativas e foi por isso que elas entraram no mercado de trabalho. Nós nos adaptamos.
Schmemann: Até quando devemos trabalhar?
Harper: Acredito que devemos trabalhar enquanto tivermos capacidade física e mental para contribuir com a sociedade. Se você disser a alguém de 50 anos que essa pessoa precisa se aposentar em quatro ou cinco anos, sua produtividade vai diminuir gradualmente. Todavia, se você perguntar para alguém de 50 anos: "o que vai fazer da vida nos próximos 20 anos, já que ainda vai estar ativa e saudável?", essa pessoa verá uma oportunidade para ficar na empresa, trabalhar em meio período, começar uma nova carreira. Seus horizontes passam a ter uma relação muito mais direta com sua saúde.
Schmemann: Está certo, farei isso!
Osotimehin: Permita-me acrescentar que acredito que nós também precisamos redefinir o mundo do trabalho. Ir adiante, ser criativo e inovador será ainda mais importante em função de todas essas novas tecnologias. Acredito que seja importante permitir que cada ser humano tenha acesso às habilidades que acompanham essas tecnologias, para que todos possam ser criativos. Na República da Coreia existem programas que ensinam novas técnicas aos idosos, para que eles sejam capazes de lidar com os avanços necessários da tecnologia.
Schmemann: Ruby, vamos voltar à questão de gênero levantada pelo Dr. Osotimehin. As mulheres vivem significativamente mais que os homens. As estatísticas que vi indicam que para cada 100 mulheres com mais de 60 anos, existem apenas 84 homens; e para cada 100 mulheres com mais de 80 anos, existem apenas 61 homens. Portanto, existem muito mais idosas que idosos.
Isso tem vantagens e desvantagens. Estudos revelam que mulheres mais velhas encontram mais funções sociais cuidando de crianças ou parentes, ou fazendo trabalho voluntário, e que as pessoas preferem cuidar das mães a cuidar dos pais quando ficam idosos. Ao mesmo tempo, as mulheres sofrem mais discriminação que os homens, conforme todos sabemos. Você dá muitas palestras e se encontra com muitas pessoas, quais são suas impressões sobre o destino das mulheres que envelhecem?
Wax: Bom, em nível individual, as pessoas não toleram o envelhecimento no mundo ocidental. Nós gostamos da novidade e isso é algo comum à natureza humana. Quando era jovem, acreditava que devíamos nos livrar da velharia. Então, eu me tornei a velharia. O que farei a esse respeito? Aprender a mexer em softwares. Aprender outro idioma. O estresse, o amargor e a inveja é que envelhecem as pessoas.
Não estou falando sobre ter dinheiro ou não. Descendo de imigrantes que chegaram aos EUA com uma mão na frente e outra atrás. Portanto, não consigo ver a mim mesma como uma pessoa indefesa ou que pede as coisas para os outros. Digo isso de um ponto de vista pessoal; a culpa é sua se você fica fragilizado. A menos que você tenha doença de Alzheimer ou alguma outra doença crônica, existem tantas coisas que podem ser feitas para evitar que você fique física e mentalmente doente. Quem continua curioso mantém a mente sempre viva.
Não há nada que assuste mais as pessoas – especialmente as idosas – que a incerteza. "Estou velho! O que vou fazer agora?" Vou fazer o que sempre fiz, vou trabalhar até ficar exausta. Não estou nem aí se sou homem ou mulher, é isso que vou fazer.
Schmemann: Drª Harper, você anotou alguma coisa enquanto Ruby falava...
Harper: Eu ia dizer que existe essa ideia de que à medida que ficamos mais velhos, nos tornamos menos criativos. Mas existem diversas evidências de que, na verdade, as pessoas são criativas de formas diferentes e que algumas pessoas que recebem estímulos externos durante o processo de criação fazem as melhores obras quando são jovens. Por outro lado, pessoas que recebem estímulos internos fazem suas melhores obras quando ficam mais velhas.
Wax: Contudo, existe um fato biológico e neurobiológico que diz que os lados esquerdo e direito do cérebro começam a trabalhar juntos e que as pessoas se tornam mais prudentes. Isso é algo biológico, que permite ver as coisas de longe e é por isso que as pessoas gostam de falar com os idosos, porque eles veem as coisas em perspectiva.
Eu gostaria de ter um idoso por perto. Onde é que eles estão. Talvez pudéssemos treinar uns velhos para que eles nos inspirem.
Osotimehin: Concordo até certo ponto. Mas acredito que a sociedade precisa repensar sua construção. As pessoas de 65 anos são os novos jovens e precisam de espaço. Concordo totalmente que, em nível individual, as pessoas devem ir adiante. Porém, acredito que também seja importante que a sociedade como um todo vá além e crie novas políticas para garantir que a idade não é o problema, e sim sua capacidade de produzir.
Voltando à questão do gênero, vivemos em uma sociedade global na qual são os homens que tomam as decisões, seja nos Estados Unidos, na Inglaterra, na África ou onde quer que seja. Precisamos continuar a insistir que as mulheres – velhas, jovens, adultas ou crianças – sejam tratadas da mesma forma que os homens.
Wax: Mas a única forma de alcançar isso é se cada indivíduo assumir sua responsabilidade.
Osotimehin: Eu entendo o que você diz, mas existe gente com a personalidade forte como a sua e outras pessoas que não são tão firmes e que dependem do sistema para poder se expressar. Por isso, precisamos seguir sempre adiante e continuar a garantir que mulheres e meninas não sejam discriminadas no mundo todo e que os idosos também não sofram com a discriminação.
Harper: O futuro reserva desigualdades cada vez maiores e nós já somos testemunhas disso. Muitos governos dizem aos idosos que o Estado não permitirá que eles caiam na pobreza e que irá garantir que tenham o mínimo, mas, se quiserem mais do que isso, a responsabilidade será deles. Isso é muito bom para quem tem os recursos necessários para trabalhar mais e poupar, para quem tem uma família que cuide deles. Porém, acho que você está certo, esse será o maior desafio dos próximos 20, 30, ou 40 anos.
Osotimehin: Eu concordo com você, mas acredito que essa seja a beleza da democracia. Se temos as evidências, deveríamos fazer nossos governos tomarem as decisões corretas, por mais desconfortáveis que sejam. Não consigo entender porque os governos do mundo todo – e não apenas do ocidente – cortam o orçamento da educação e da saúde quando precisam reduzir os gastos. O capital social, a pessoa humana, é o bem mais importante de qualquer país: então, qual é o sentido de negar educação e saúde às pessoas?
Schmemann: Ruby, você deixou claro que deseja continuar trabalhando duro enquanto puder, embora não tenha dito exatamente isso. Você gostaria de viver até os 100 anos de idade?
Wax: Claro! Sem dúvidas.
Schmemann: Por quê?
Wax: Sabe, uma jornalista me perguntou certa vez qual era o meu maior medo e eu disse "a morte". Então ela perguntou: "Alguma razão em especial?". É claro que não quero continuar vivendo se estiver louca ou vegetando, mas ainda estou lúcida, existe algo mais incrível que a vida? Eu quero viver até os 150 e que me acompanhe quem quiser.


Esta geração evangeliza mais do que qualquer outra


Esta geração evangeliza mais do que qualquer outraEsta geração evangeliza mais do que qualquer outra
Um estudo do Instituto Barna está revelando a verdade sobre o perfil espiritual da geração dos milenares, também chamada de “geração Y”. São pessoas nascidas entre 1980 e 2000. Durante anos, argumentou-se que os milenares colocam questões como a justiça social acima de sua fé e estão abandonando a igreja em massa.
Recentemente, o ministério Focus on the Family publicou uma pesquisa chamada “Participação na Fé e Retenção entre os Milenares”. Como o título indica, o foco principal são as opções religiosas da chamada geração milenar e descobriu que apenas um pequeno percentual mantem sua fé desse a infância.
O principal motivo é a falta de uma formação clara no lar sobre a questão espiritual. O estudo utiliza dados da pesquisa anual do Instituto Pew e da Fundação Nacional de Ciência Social. Cerca de um quinto (18%) dos jovens adultos criados em lares com pouca influência religiosa declaram não ter atualmente nenhum vínculo com uma fé específica. Por outro lado, 60% por cento dos milenares afirmam que “mantém a fé”.
Entre os que afirmam ser “sem religião”, apenas 11% disse que tinha uma fé forte enquanto criança e viviam em uma casa onde uma fé viva era praticada e ensinada. Em outras palavras, a grande maioria dos jovens que deixam o cristianismo não viveram em famílias com forte convicções religiosas.
O estudo publicado este mês pelo Instituto Barna mostra que os milenares compartilham o evangelho mais do que qualquer outra geração. Cerca de 65% dos entrevistados com menos de 35 anos afirmaram terem compartilhado o evangelho com alguém pelo menos uma vez no último ano. Quando perguntados sobre de quem é responsabilidade de pregar, 100% dos evangélicos disseram ser deles, enquanto apenas 34% dos católicos reconheceram isso.
“Pelos padrões da geração anterior, eles parecem discretos, até um pouco desinteressados”, observa Greg Jao, que trabalha com a missão InterVarsity, voltada para a evangelização em universidades. “Mas quando você realmente vê o comportamento, começa a perceber que essa geração… é altamente comprometida com sua fé.”
“Cerca de um em cada 10 alunos envolvidos com InterVarsity converteu-se enquanto ainda estava na faculdade”, diz Jao. “Nós testemunhamos um aumento no evangelismo que não vimos em nenhum momento da história recente”, comemora.
De acordo com Jao, essa geração tem uma preocupação: “Um testemunho cristão autêntico que alia um convite para receber Jesus Cristo como a necessidade de viver-se as consequências do evangelho, tanto pessoal como socialmente”, defende.
Para ele, “a geração atual ama a Jesus e quer compartilhar quem Ele é com o mundo, tentando celebrar a verdade”. Um dos elementos que ajuda essa geração é a grande variedade de maneiras de se espalhar a boa nova hoje em dia, sobretudo através da internet, redes sociais, vídeos, etc. Por outro lado, a pregação nas ruas e o uso de folhetos, por exemplo, não se mostra mais relevante.
Ao mesmo tempo, observa Jao, os líderes da igreja precisam investigar as necessidades dos crentes mais velhos. As estatísticas indicam que quanto mais idosos, menos eles se empenham em evangelizar. Com informações Charisma News.

As e-Bíblias

O maior best-seller de todos os tempos saiu do papel.
De janeiro a outubro, a SBB (Sociedade Bíblica do Brasil), entidade que lidera esse mercado entre o público evangélico, vendeu 27.225 “e-Bíblias”.
O recordista “Bênçãos de Deus para Você” (20.842 downloads), com 16 páginas de passagens bíblicas sobre temas como “paz” e “amor”, custa R$ 1,30.
Em cultos, é bastante comum ver pastores e fiéis deslizarem os dedos por iPhones protegidos por capinhas temáticas (“keep calm and trust God”), séculos após aquele dia no monte Sinai em que Deus teria entregado duas tábuas de pedra a Moisés com dez mandamentos rabiscados por seus próprios dedos.
Até consigo imaginar como seria narrar a saga bíblica nos tempos modernos (“@noe convidou você para a Balada do Dilúvio”, “@ApostoloPedro negou três vezes o pedido de amizade de @JC_filhodedeus_33”).
A linguagem saidinha assim, naturalmente, é cortesia da casa. Mas não está tão distante assim das novas estratégias para chegar sobretudo à ala mais jovem da igreja.
Certa vez, num templo da igreja Bola de Neve, conheci Mariana, menina de trancinhas, 15 anos no máximo, que lia no iPad de capa rosa fosforescente uma versão das Escrituras na fonte “comic sans” (cada bloco de texto numa cor diferente).
Versão em grego, reproduzida em iPad, na mostra "O Livro dos Livros", no Museu Terras da Bíblia, em Jerusalém“Os livros digitais permitem a customização de algumas características, como tipo e tamanho da letra, além de ferramentas de pesquisa rápida, marcação de texto e inserção de notas pessoais. Já os aplicativos permitem uma experiência audiovisual completa, possibilitando ouvir, ver e ler a Bíblia em seu contexto temático e geográfico”, afirma Erní Seibert, secretário de Comunicação da SBB.
Versão reproduzida em iPad, na mostra “O Livro dos Livros”, no Museu Terras da Bíblia, em Jerusalém
“No princípio era o verbo, e agora o verbo está num app”, dizia o título de uma reportagem de julho do “New York Times”.
O jornal escreveu sobre onde, quando e como os fiéis leem a Bíblia atualmente. Deu destaque para o app gratuito YouVersion, a primeira Bíblia disponível na loja da Apple, em 2008.
O aplicativo inclui mais de 600 traduções em 400 línguas, com versões que servem para públicos tão distintos quanto católicos, judeus messiânicos e ortodoxos russos.
No mês em que a matéria foi publicada, o YouVersion havia alcançado 100 milhões de downloads para computador, tablet ou celular –seu convite para o seleto clubinho de tecnologias start-up como Instagram e Dropbox. Hoje, já são 120 milhões de instalações.
A pedido do “NYT”, um empreendedor do Vale do Silício avaliou iniciativas afins.
“Certamente vai ser o canal de distribuição mais importante para quem trabalha com a criação de conteúdo para a fé cristã. Onde mais você pode ir e chegar a 100 milhões de pessoas?”

Da Globo à ExpoCristã - FOLHA DE SÃO PAULO NUMA ENTREVISTA BEM REVELADORA MOSTRA A VERDADEIRA PERSONALIDADE DE LEO GANEM DONO DA EXPO CRISTÃ.

Leo Ganem, ex-CEO de duas empresas da Globo (seis anos na Som Livre e três na Geo Eventos), entrou no feirão gospel com um abacaxi para descascar.
Em setembro, ele abriu a Um Entretenimento, agência focada no segmento musical cristão, “que tem parceria exclusiva com a Universal Music”. São 16 funcionários e duas sedes, no Rio (na enseada de Botafogo) e em São Paulo (Avenida Paulista).
A Um multiplicou o ti-ti-ti entre evangélicos ao comprar duas coisas: os direitos da ExpoCristã, maior e mais longeva feira cristã de negócios no Brasil, e também uma boa briga dentro do segmento.
Leo Ganem: da Globo ao mercado gospel (Gabriel Cabral/Projetor)
Leo Ganem: da Globo ao mercado gospel (Gabriel Cabral/Projetor)
A Expo não ia muito bem das pernas, é verdade –a edição deste ano, que seria a 12ª, foi desalojada do pavilhão do Anhembi após calote de quase meio milhão de reais e, enfim, cancelada. Mas o mau momento não é privilégio seu.
2013 foi um ano particularmente ruim para esse filão. A Globo estreou em julho na área, com a FIC (Feira Internacional Cristã). Puro ‘business’, segundo o pastor Silas Malafaia. Saldo chocho: 43 mil pagantes (em 2010, no auge, a Expo atraiu 220 mil).
Para 2014, já foi anunciada a fusão de duas feiras menores: o Salão Internacional Gospel e a Flic, que só abrange o ramo editorial –foi nessa feira literária que me deparei com as obras “Marina – A Vida por uma Causa”, dedicada a Marina Silva, “Justin Bieber – Fama, Fé e Coração” e “Celebração do Sexo”, com um capítulo dedicado a transar “sem tirar a roupa”.
E, agora, a volta da ExpoCristã, pilotada por Leo Ganem e Rogério Barrios, pastor da igreja Renascer em Cristo que dirigiu a primeira (e última, por ora) feira cristã da Globo.
Como o mercado reage a isso?
Conversando com algumas pessoas do meio, observo duas leituras.
Pelo copo meio cheio:
Leo possui o know-how de quem chefiou dois braços da maior rede de comunicação do país. Ajudou a pôr na praça artistas como Luan Santana, Maria Gadú e Michel Teló. Pode injetar profissionalismo num mercado que muitas vezes ainda vive de banners feitos em Power Point. Foi um dos responsáveis pela aproximação da Globo com evangélicos: assinou o contrato com o Diante do Trono, um dos maiores grupos cristãos do país, e criou o selo Promessas (festival + troféu), chamego iniciado em 2011 com essa pulsante cena musical.
Pelo copo meio vazio:
Leo é um “forasteiro” (declara-se católico). Vem da Globo, a gigante que por anos fechou a cara e as portas para evangélicos. Bom… Ajudou a pôr na praça artistas como Luan Santana, Maria Gadú e Michel Teló. Saiu de uma Geo já cambaleante, mais ou menos na época em que grandes vitrines da empresa, como Lollapalloza Brasil e Promessas, estilhaçaram. Isso sem falar na FIC, que não vingará até uma segunda edição. E circula na internet um e-mail corroborado por parentes de Eduardo Berzin, fundador da ExpoCristã, detonando a nova gestão (“roubaram, traíram, foram os causadores do homem estar numa cama e agora falam que vão orar”). Berzin passou mal no sábado da FIC, teve um infarto e desde então está em estado vegetativo.
Leo Ganem é formado em biologia, com pós-doutorado em Harvard. Com certeza está familiarizado com um dos preceitos básicos da teoria evolutiva. Se vai conseguir imprimi-la na nova Expo, só Deus (ou Darwin, a gosto do freguês) dirá.
Com óculos Ray Ban no bolso da camisa social Lacoste, All Star nos pés, o empresário conversou comigo após uma apresentação da ExpoCristã para jornalistas, no Expo Center Norte, ontem. A feira será sediada lá uma semana e meia após a final da Copa do Mundo, em julho de 2014.
Como foi sair da Globo para trabalhar unicamente com o público gospel?
Quando saí da Geo, passei uns dois meses parado pensando no que ia fazer da vida. Fui comunicado de que a Geo seria encerrada. Tinha opção de ficar e ajudar a empresa. Não sou exatamente um fechador de empresas, sou um abridor. Chegamos a um acordo amigável, sou um fã da empresa.
Ficou dois meses pensando e…
Fui juntando as peças. Olhando para o mercado evangélico, vi que tinha espaço para crescer. E aqui você não chega de um dia para o outro e sai cantando de galo. Tem que conhecer as pessoas, ter contato, respeito. Me levou seis anos para aprofundar. Não é como abrir o próximo restaurante, botequim. Vejo que estou no início de uma onda muito grande. Muita gente não percebeu o tamanho dela ainda.
Você é evangélico?
Não, católico.
Vejo uma desconfiança muito forte no segmento com quem não é evangélico.
Existe, sim, algumas desconfianças, que são até normais. O Brasil tem histórico de perseguição enorme com evangélicos. Mas, quando você olha individualmente pra mim, acho que carrego uma bandeira de divulgação tremenda da causa. E talvez, por não ser evangélico, é aquela coisa: sou uma pessoa diferente do que tem por aí.
E na Globo? Uma das grandes críticas à Globo é que, quando tentou entrar no mercado, ela não se conseguiu atingir as igrejas no “varejo”.
Exatamente. Essa lição já foi aprendida [risos]. Por ser um mercado que não tem uma pontinha de crise, eu seria burro de não entrar.
O segmento cresce, mas as feiras vêm acumulando um histórico de fracasso. Como a FIC.
Dizer que a FIC não deu certo é um pouco de exagero. Trazer, na primeira edição, 43 mil pagantes é um bom resultado. A gente está acostumado com um ciclo de três, cinco anos para o evento se consolidar. O Lollapalloza, outro evento nosso [da Geo], estava se consolidando agora, no terceiro ano. É quando ia começar a fazer dinheiro. Foi quando a gente resolveu abrir mão do festival. “A gente”, não. Não é mais “a gente”, porra louca…
E a competição atrapalhou também. O pessoal da Expo fez muita força contra a FIC. Houve uma luta de bastidores. O Eduardo Berzin foi um cara muito simpático comigo, desde a época da Som Livre, quando fizemos projetos juntos. A gente tentou adquirir a Expo dele. Foi impossível.
Tem um e-mail circulando na internet, endossado por parentes do Berzin, que avacalha a nova ExpoCristã.
Me xingando de patife…
É.
Patife pra baixo. Olha, não tenho nada contra o Berzin. A marca não era mais dele [quando a compramos], não tive nada a ver com isso. Não destruí a feira. Cheguei e houve uma oportunidade de negócio. Se eu fosse a família, diria: “Ainda bem que o trabalho do meu pai está indo adiante”.
Como é a concorrência com outras feiras evangélicas?
Acho que a gente é mais abrangente.
Deve ter gente que não vai participar da Expo por ter se ‘apalavrado’ com outra feira. 
A Som Livre já falou que não vem.
Por quê?
Provavelmente por um desacordo pessoal comigo. Acho besteira, não levo nada no pessoal. Convidei eles, apesar de detestar o filho da puta que está lá.
O namoro da Globo com evangélicos esfriou?
Acho que houve uma degringolada. A Som Livre está com problemas com alguns grupos lá dentro. O festival Promessas deste ano teve muitas críticas de qualidade. A Globo cancelou a cerimônia do troféu Promessas, o que achei uma vergonha. O evento custa R$ 200 mil, e isso é troco de novela –um capítulo custa R$ 2,5 milhões para produzir.
Tenho a impressão de que o pêndulo foi muito para um lado e agora está voltando pro meio. A Globo vai  manter personagem evangélica na novela, Fernanda Brum [cantora gospel] no programa da Fátima Bernardes, mas não vai mais ter uma coisa institucional.

“Não chame meninas de princesas”, diz campanha da Avon

Uma campanha da Avon tem gerado polêmica nas redes sociais por pedir aos pais que não chamem suas filhas de “princesas”, dizendo que o elo...