segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Paulo em Jerusalém

Em Cesaréia, Paulo, Lucas e os demais companheiros se aprontaram e subiram para Jerusalém, acompanhados por alguns dos discípulos de Cesaréia. Era uma caminhada de uns oitenta quilômetros, o que lhes levaria de três a quatro dias.

Segundo um manuscrito antigo (Códice Bezae), no caminho eles se hospedaram na casa de Mnasom, natural de Chipre, que seria um dos primeiros discípulos que se converteram no início da igreja em Jerusalém no dia de Pentecoste.
Ao chegarem a Jerusalém, os irmãos os receberam com alegria. O relato das viagens missionárias de Paulo terminam aqui, e o restante deste livro trata do seu aprisionamento, julgamentos em Jerusalém e em Cesaréia, sua viagem até Roma para julgamento na corte de César e alguns acontecimentos durante os seus dois primeiros anos naquela cidade.
No dia seguinte Paulo foi com seus companheiros encontrar-se com Tiago, estando ali presentes todos os presbíteros. Tiago era o filho mais velho de José e Maria, logo meio- irmão natural de nosso Senhor (Gálatas 1:19). Ele havia se destacado entre os presbíteros da igreja de Jerusalém, sendo mencionado mesmo antes dos apóstolos (Atos 12:17, 15:13 etc.). Também escreveu a epístola que leva o seu nome, considerada a mais antiga de todas.
Nada é dito sobre a presença de algum apóstolo nessa reunião. Provavelmente estavam todos ausentes, pois sua missão era sair para evangelizar e fazer discípulos.
Paulo começou contando o que Deus havia feito entre os gentios mediante o seu testemunho e ministério, o que causou considerável alegria aos presentes e eles louvaram a Deus por isto.
Em Romanos 15:31, notamos que Paulo estava apreensivo, tanto que pediu aos irmãos em Roma para que lutassem juntamente com ele em suas orações a Deus para que fosse livre dos rebeldes que estavam na Judéia e que o seu ministério em Jerusalém fosse aceitável aos santos.
Os presbíteros logo manifestaram o descontentamento que havia surgido na Judéia contra o ministério de Paulo: milhares de judeus haviam crido no Evangelho (haja vista os que se converteram no início – cap. 2:41, 4:32), e ainda eram zelosos da lei, o que quer dizer que não só continuavam cumprindo os seus preceitos, mas exigiam que os outros cristãos também o fizessem.
E, pior ainda, em Jerusalém havia se espalhado o boato que Paulo ensinava todos os judeus convertidos que se achavam reunidos em igrejas com os gentios a abandonar Moisés, não circuncidar os seus filhos nem viver de acordo com os costumes dos judeus. Sem dúvida os judeus haviam torcido a realidade pois Paulo não ensinava tal coisa.
A passagem que se segue tem dado origem a explicações diferentes feitas por bons expositores da Bíblia para responder à pergunta: Paulo estaria agindo contra o Novo Testamento de Deus quando fez um voto judeu que envolvia um sacrifício?
Os presbíteros não pediram que Paulo se explicasse mas, já que a sua presença logo seria conhecida de todos, que mostrasse praticamente que ele ainda obedecia aos rituais da nação de Israel. Pediram que ele participasse com quatro homens dos rituais de purificação concernentes a um voto que fizeram, e que pagasse as suas despesas para que raspassem a cabeça.
Seu raciocínio era que Paulo deveria fazer isso para desmentir os boatos e mostrar que continuava vivendo em obediência à lei. Não iria afetar os gentios, pois que eles, os presbíteros da igreja de Jerusalém, já haviam determinado que os gentios não eram obrigados a se submeter à lei de Moisés, mas apenas deveriam abster-se de comida sacrificada aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da imoralidade sexual.
Em outras palavras, assim como os gentios não precisavam obedecer à lei de Moisés para santidade de vida, também os judeus não tinham que abandonar os rituais da sua lei quando se convertessem a Cristo (está implícito que não confiavam neles para a sua salvação).
A mesma graça de Deus que permite ao crente não se submeter à lei de Moisés, também permite ao judeu continuar a obedecer aos seus preceitos porque julga que assim agrada a Deus. Sabemos que Pedro, mesmo depois de convertido, e estar cheio do Espírito Santo, ainda obedecia aos costumes da lei, e foi preciso aprender a lição dada na visão dos animais impuros antes de entrar na casa do centurião Cornélio.
Paulo explicou a atitude que o cristão deve ter com relação a esse paradoxo como segue:
1. Quanto à marca da nação de Israel (circuncisão): "ande cada um como o Senhor lhe repartiu, cada um como Deus o chamou… Foi chamado alguém, estando circuncidado? permaneça assim. Foi alguém chamado na incircuncisão? não se circuncide. A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus. Cada um fique no estado em que foi chamado." (1 Coríntios 7:17-20).
2. Quanto a alimentos: "Não é a comida que nos há de recomendar a Deus; pois não somos piores se não comermos, nem melhores se comermos… mas se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para não servir de tropeço a meu irmão." (1 Coríntios 8:8, 13)
3. Quanto ao uso da humildade para evitar escândalo e levar outros a Cristo: "Pois, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos para ganhar o maior número possível:
  • Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse eu debaixo da lei (embora debaixo da lei não esteja), para ganhar os que estão debaixo da lei; para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.
  • Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos.
  • Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.
Ora, tudo faço por causa do evangelho, para dele tornar-me co-participante." (1 Coríntios 9:19 a 23).
Não sabemos que voto era este que esse homens fizeram. Em Números 6:1-21 lemos sobre voto de nazireado, e ali encontramos a prática de raspar a cabeça e de oferecer sacrifícios, mas em outros aspectos não parece ser a mesma coisa.
No dia seguinte, Paulo fez o que os presbíteros haviam pedido: depois de purificar-se com aqueles homens ele entrou no templo e declarou o prazo do cumprimento dos dias da purificação e da oferta que seria feita individualmente em favor deles.
Não é justo criticar Paulo, como alguns fazem, por ter feito o que pediram os presbíteros de Jerusalém. Foi a graça de Deus que permitiu a Paulo, um judeu, a ganhar os judeus para Cristo abrindo mão da liberdade que tinha em Cristo. Se fosse gentio, seria questionável para ele adotar um costume dos gentios. Nesta base, entendemos a ação de Paulo.
O que ele fez agradou os presbíteros e os irmãos judeus que conservavam os costumes judeus para paz da consciência, mostrou seu amor e consideração aos irmãos que haviam feito voto, e tornou o Evangelho um pouco mais aceitável ao povo. Era tudo para a glória de Deus e para benefício do Evangelho.
É um exemplo de humildade e dedicação (a prejuízo do amor-próprio e orgulho espiritual), que é proveitoso para todos nós.

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