A VERDADE E AMOR



Na segunda carta João se apresenta como o ancião, ou presbítero, e estas palavras são traduzidas do grego com o duplo sentido de, uma pessoa madura na fé, e um dos supervisores da igreja. João era ambas as coisas, e a sua posição na supervisão de uma igreja era um tanto diferente da sua missão de testemunhar como apóstolo. Ele dirigiu esta carta à "senhora eleita" e aos "seus filhos".
As palavras "senhora eleita" são a tradução de uma só palavra grega, electa, que pode ser uma mulher crente, portanto eleita por Deus para ser Sua filha (Efésios 1:5), ou um grupo de pessoas formando uma igreja, portanto eleitas por Deus para serem Seus filhos (1 Pedro 5:13). Como a carta é parte da Bíblia, de uso universal, é apropriado considerar a "senhora eleita" como a igreja, o corpo de Cristo. Assim sendo, os "seus filhos" são os crentes gerados nela e que dela fazem parte.
A palavra verdade é destacada nesta carta, e é a sua palavra-chave. O amor cristão só pode ser expressado dentro dos limites da família de Deus, ou seja, os que têm a verdade que é a Palavra de Deus, e Aquele que é revelado pela Palavra, o próprio Senhor Jesus Cristo. Amar na verdade significa:
  1. Que o objeto do amor são os outros verdadeiros crentes em Cristo.
  2. Que é um amor genuíno, não apenas uma expressão piedosa.
Não somente João ama a igreja, mas também todos os demais membros do corpo de Cristo, que conhecem a verdade. A verdade precisa ser proclamada e ensinada de maneira clara e firme com respeito a Deus e à Sua Palavra para que sejam bem conhecidos e amados.
Infelizmente há muitos pregadores e ensinadores que caem na tentação de adotar uma atitude sofisticada e superficial a fim de aparentar brilho naquilo que ensinam e pregam. Ao invés de transmitir exatamente o conteúdo das Escrituras com a clareza que nelas se encontra, eles multiplicam as palavras e introduzem uma variedade de adjetivos, advérbios e palavras pouco usadas ou conhecidas, visando impressionar a audiência com a sua erudição. Alguns até procuram assim esconder o que a Bíblia diz, porque não é do seu agrado.
A verdade reside em nós, e estará conosco para sempre. Atualmente temos motivos para não acreditar em políticos, didatas e até mesmo cientistas; mas temos alguém em quem podemos acreditar cegamente: o Senhor Jesus Cristo. O Espírito de Deus que reside em nós faz com que as coisas de Deus se tornem reais para nós, e a verdade nunca pode mudar.
Encontramos três palavras na saudação, no versículo 3, que precisam ser entendidas claramente: amormisericórdia e graça. Essas três palavras são também encontradas em Efésios 2:4-5: "Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" . Ou seja: Deus tem misericórdia, e por causa do Seu amor, Ele nos salva pela graça.
Explicando:
  • Amor: é um atributo de Deus, pois Deus é amor. Ele era amor, mesmo antes da criação de qualquer coisa para com a qual pudesse revelá-lo, usando da Sua misericórdia e graça. Amor é parte da natureza de Deus, mas o amor de Deus nunca salvou um pecador. Foi, no entanto, o motivo para que exercesse misericórdia e graça.
  • Misericórdia: é abster-se de impor punição ou sofrimento em alguém que nos ofende ou é nosso inimigo, estando ele em nosso poder. Por ser amor, Deus mostrou misericórdia abstendo-se de punir o pecador. Mas a misericórdia não teria salvo ninguém se não fosse pela graça.
  • Graça: é conceder alguma coisa como um favor, por boa vontade, não por direito. Deus pode usar da Sua graça porque Ele satisfez tudo o que a justiça perfeita requeria na cruz do Calvário. Nenhum pecador pode adquirir para si o direito de evitar a justa punição pelos seus pecados. Mas Deus, porque éamor, pode mostrar sua misericórdia ao pecador permitindo que ele, mediante a fé no Senhor Jesus, aceite que Ele deu a Sua vida na cruz como propiciação pelos seus pecados. Isto é a Sua graça: "pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9).
A salvação provém do amor de Deus, que mostra misericórdia ao pecador, e pela graça o salva da punição se ele tem fé no Senhor Jesus, que pagou o preço do seu pecado. A Bíblia diz: "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna..." (João 3:16).
A salvação não é somente a expressão do amor de Deus, mas é também a expressão da justiça e santidade de Deus: Ele não salvou o mundo inteiro por causa do Seu amor, mas Ele salva qualquer um que crê no Seu Unigênito Filho, pela graça mediante a sua fé. Porque Deus é justo e santo, em Sua misericórdia Ele nos deu um Salvador. Ele não pode simplesmente abrir a "porta dos fundos" do céu e admitir um pecador às escondidas.
Por isso João pôde escrever: "Graça seja convosco": essa é a maneira em que Deus nos salva; "Misericórdia seja convosco": misericórdia mostrada pelo Salvador; e "Paz seja convosco": de posse da salvação, a paz de Deus que excede todo o entendimento vai guardar o nosso coração. Estas grandes verdades não são algo que Deus vai mudar. Deus não muda, portanto podemos ter tranqüilidade quanto ao futuro. Deus o Pai, e o Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, são mencionados juntos como sendo os que fornecem graça, misericórdia e paz: o Senhor Jesus é Aquele que morreu por nós e está agora com o Pai. O amor deve ser praticado no contexto da verdade. Por isso amor e verdade são mencionados juntos.
João escreve que se alegrou muito ao encontrar alguns daquela igreja e ver que estavam andando na verdade. Andar na verdade diz respeito à sua maneira de vida, comportando-se em obediência ao mandamento recebido do Pai. O mandamento é que andemos na luz como Ele está na luz, para que vivamos segundo a Palavra de Deus, que é "lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho" (Salmo 119:105).
Desde o início do Seu ministério, o Senhor Jesus ensinou aos seus discípulos "Se me amardes, guardareis os meus mandamentos" e "nisto todos conhecerão que sois meus discípulos," não porque freqüentam a igreja e cumprem com todos os seus rituais, mas "se vos amardes uns aos outros" (João 14:15, 13:35). Aqui temos o equilíbrio que deve ser mantido: andar na verdade e amar os irmãos na fé. Se uma igreja não fizer isto, estará desequilibrada.
É possível ser sentimental na igreja e prestar pouca atenção ao andar na luz; ou ser muito escrupuloso em obedecer toda e qualquer instrução encontrada no Novo Testamento mas faltar em apoiar os irmãos e irmãs com amor. Todos os apóstolos salientaram que devemos andar em amor. É maravilhoso ser "fundamentalista", mas se não estivermos andando em amor uns pelos outros, não somos de forma alguma fundamentalistas. Também não podemos colocar o amor acima da verdade, porque se o fizermos, estaremos sacrificando a verdade.
O amor é andar segundo os Seus mandamentos. É outra maneira de dizer a mesma coisa. Os mandamentos do Senhor são mais do que os "dez mandamentos": o crente é elevado a um nível superior onde deve produzir nesta vida, pelo Espírito (pois é o fruto do Espírito), amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, e domínio próprio (Gálatas 5:22,23 - NVI). Se estas virtudes estiverem em nós e permanecerem em nós, estaremos andando conforme os Seus mandamentos. Se não, estamos vivendo em desobediência, por mais meticulosos que sejamos no cumprimento do formalismo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ILLUMINATIS , QUEM SERIA O LIDER DELES NO BRASIL ?

ENTENDA MAIS SOBRE LO-DEBAR “Lo-Debar, nunca mais” (II Samuel 9: 1-13) nos links

COMO FAZER UM ESBOÇO PARA PREGAÇÃO - Aprendendo a fazer um esboço de pregação.