domingo, 16 de outubro de 2016

A VERDADE E AMOR



Na segunda carta João se apresenta como o ancião, ou presbítero, e estas palavras são traduzidas do grego com o duplo sentido de, uma pessoa madura na fé, e um dos supervisores da igreja. João era ambas as coisas, e a sua posição na supervisão de uma igreja era um tanto diferente da sua missão de testemunhar como apóstolo. Ele dirigiu esta carta à "senhora eleita" e aos "seus filhos".
As palavras "senhora eleita" são a tradução de uma só palavra grega, electa, que pode ser uma mulher crente, portanto eleita por Deus para ser Sua filha (Efésios 1:5), ou um grupo de pessoas formando uma igreja, portanto eleitas por Deus para serem Seus filhos (1 Pedro 5:13). Como a carta é parte da Bíblia, de uso universal, é apropriado considerar a "senhora eleita" como a igreja, o corpo de Cristo. Assim sendo, os "seus filhos" são os crentes gerados nela e que dela fazem parte.
A palavra verdade é destacada nesta carta, e é a sua palavra-chave. O amor cristão só pode ser expressado dentro dos limites da família de Deus, ou seja, os que têm a verdade que é a Palavra de Deus, e Aquele que é revelado pela Palavra, o próprio Senhor Jesus Cristo. Amar na verdade significa:
  1. Que o objeto do amor são os outros verdadeiros crentes em Cristo.
  2. Que é um amor genuíno, não apenas uma expressão piedosa.
Não somente João ama a igreja, mas também todos os demais membros do corpo de Cristo, que conhecem a verdade. A verdade precisa ser proclamada e ensinada de maneira clara e firme com respeito a Deus e à Sua Palavra para que sejam bem conhecidos e amados.
Infelizmente há muitos pregadores e ensinadores que caem na tentação de adotar uma atitude sofisticada e superficial a fim de aparentar brilho naquilo que ensinam e pregam. Ao invés de transmitir exatamente o conteúdo das Escrituras com a clareza que nelas se encontra, eles multiplicam as palavras e introduzem uma variedade de adjetivos, advérbios e palavras pouco usadas ou conhecidas, visando impressionar a audiência com a sua erudição. Alguns até procuram assim esconder o que a Bíblia diz, porque não é do seu agrado.
A verdade reside em nós, e estará conosco para sempre. Atualmente temos motivos para não acreditar em políticos, didatas e até mesmo cientistas; mas temos alguém em quem podemos acreditar cegamente: o Senhor Jesus Cristo. O Espírito de Deus que reside em nós faz com que as coisas de Deus se tornem reais para nós, e a verdade nunca pode mudar.
Encontramos três palavras na saudação, no versículo 3, que precisam ser entendidas claramente: amormisericórdia e graça. Essas três palavras são também encontradas em Efésios 2:4-5: "Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" . Ou seja: Deus tem misericórdia, e por causa do Seu amor, Ele nos salva pela graça.
Explicando:
  • Amor: é um atributo de Deus, pois Deus é amor. Ele era amor, mesmo antes da criação de qualquer coisa para com a qual pudesse revelá-lo, usando da Sua misericórdia e graça. Amor é parte da natureza de Deus, mas o amor de Deus nunca salvou um pecador. Foi, no entanto, o motivo para que exercesse misericórdia e graça.
  • Misericórdia: é abster-se de impor punição ou sofrimento em alguém que nos ofende ou é nosso inimigo, estando ele em nosso poder. Por ser amor, Deus mostrou misericórdia abstendo-se de punir o pecador. Mas a misericórdia não teria salvo ninguém se não fosse pela graça.
  • Graça: é conceder alguma coisa como um favor, por boa vontade, não por direito. Deus pode usar da Sua graça porque Ele satisfez tudo o que a justiça perfeita requeria na cruz do Calvário. Nenhum pecador pode adquirir para si o direito de evitar a justa punição pelos seus pecados. Mas Deus, porque éamor, pode mostrar sua misericórdia ao pecador permitindo que ele, mediante a fé no Senhor Jesus, aceite que Ele deu a Sua vida na cruz como propiciação pelos seus pecados. Isto é a Sua graça: "pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9).
A salvação provém do amor de Deus, que mostra misericórdia ao pecador, e pela graça o salva da punição se ele tem fé no Senhor Jesus, que pagou o preço do seu pecado. A Bíblia diz: "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna..." (João 3:16).
A salvação não é somente a expressão do amor de Deus, mas é também a expressão da justiça e santidade de Deus: Ele não salvou o mundo inteiro por causa do Seu amor, mas Ele salva qualquer um que crê no Seu Unigênito Filho, pela graça mediante a sua fé. Porque Deus é justo e santo, em Sua misericórdia Ele nos deu um Salvador. Ele não pode simplesmente abrir a "porta dos fundos" do céu e admitir um pecador às escondidas.
Por isso João pôde escrever: "Graça seja convosco": essa é a maneira em que Deus nos salva; "Misericórdia seja convosco": misericórdia mostrada pelo Salvador; e "Paz seja convosco": de posse da salvação, a paz de Deus que excede todo o entendimento vai guardar o nosso coração. Estas grandes verdades não são algo que Deus vai mudar. Deus não muda, portanto podemos ter tranqüilidade quanto ao futuro. Deus o Pai, e o Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, são mencionados juntos como sendo os que fornecem graça, misericórdia e paz: o Senhor Jesus é Aquele que morreu por nós e está agora com o Pai. O amor deve ser praticado no contexto da verdade. Por isso amor e verdade são mencionados juntos.
João escreve que se alegrou muito ao encontrar alguns daquela igreja e ver que estavam andando na verdade. Andar na verdade diz respeito à sua maneira de vida, comportando-se em obediência ao mandamento recebido do Pai. O mandamento é que andemos na luz como Ele está na luz, para que vivamos segundo a Palavra de Deus, que é "lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho" (Salmo 119:105).
Desde o início do Seu ministério, o Senhor Jesus ensinou aos seus discípulos "Se me amardes, guardareis os meus mandamentos" e "nisto todos conhecerão que sois meus discípulos," não porque freqüentam a igreja e cumprem com todos os seus rituais, mas "se vos amardes uns aos outros" (João 14:15, 13:35). Aqui temos o equilíbrio que deve ser mantido: andar na verdade e amar os irmãos na fé. Se uma igreja não fizer isto, estará desequilibrada.
É possível ser sentimental na igreja e prestar pouca atenção ao andar na luz; ou ser muito escrupuloso em obedecer toda e qualquer instrução encontrada no Novo Testamento mas faltar em apoiar os irmãos e irmãs com amor. Todos os apóstolos salientaram que devemos andar em amor. É maravilhoso ser "fundamentalista", mas se não estivermos andando em amor uns pelos outros, não somos de forma alguma fundamentalistas. Também não podemos colocar o amor acima da verdade, porque se o fizermos, estaremos sacrificando a verdade.
O amor é andar segundo os Seus mandamentos. É outra maneira de dizer a mesma coisa. Os mandamentos do Senhor são mais do que os "dez mandamentos": o crente é elevado a um nível superior onde deve produzir nesta vida, pelo Espírito (pois é o fruto do Espírito), amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, e domínio próprio (Gálatas 5:22,23 - NVI). Se estas virtudes estiverem em nós e permanecerem em nós, estaremos andando conforme os Seus mandamentos. Se não, estamos vivendo em desobediência, por mais meticulosos que sejamos no cumprimento do formalismo.

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