segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O preço da impunidade: carteiros pagam o prejuízo do PT


O PT conseguiu um feito inimaginável: interferindo numa empresa privada, o fundo de pensão Postalis, que administra as contribuições dos funcionários dos Correios, direcionou recursos para investimentos duvidosos com o intuito de financiar esquemas e parceiros. Até aí, nada muito diferente do que já vimos do partido recentemente. Extraordinário é saber que a roubalheira foi tão grande que os funcionários associados a esse fundo de pensão terão que pagar, de seu próprio bolso, o rombo criado pelo PT. E pelos próximos 16 anos no mínimo.  Leiam a notícia no Correio Braziliense, da qual destaco o trecho:
O conselho deliberativo do Postalis impôs aos funcionários a contribuição extra que terá forte impacto sobre os salários. O corte de 25,98% nos contracheques, definido num primeiro momento, será reavaliado a cada ano a partir do retorno dos investimentos e da expectativa de vida dos participantes. Um funcionário que tem salário de R$ 10 mil, por exemplo, receberá R$ 2.598 a menos no final do mês apenas para cobrir o déficit, além o valor da contribuição definida.
Para pagar o prejuízo de R$5,6bilhões, os funcionários dos Correios terão descontados esses 25,98% de seus pagamentos até 2030!
O que não está sendo devidamente lembrado agora é que tudo isso podia ter sido evitado mais ou menos em 2006, quando a CPMI dos Correios já havia, através de sua sub-relatoria de Fundos de Pensão, explicitado como o Postalis, dentre outros fundos, errava deliberadamente para favorecer os esquemas do mensalão. Trago abaixo alguns trechos do relatório daquela CPMI em que os esquemas no Postalis são explicados. De lá para cá eles radicalizaram nos erros, passando a comprar títulos podres além de nossas fronteiras.
Este é um exemplo de como a impunidade fortalece a prática criminosa. Não há notícia de que os responsáveis da Postalis tenham sido punidos pelos estragos já nítidos em 2006. Como sabemos, FHC capitaneou a omissão e covardia de seu partido em dar vazão aos claros fundamentos que se tinha então para avançar um impeachment de Lula. Os gestores do Postalis não foram punidos e isso virou uma licença ou prova de que, mesmo flagrados, nada de ruim poderia acontecer. O PT e Lula não foram punidos e isso permitiu que novos escândalos de corrupção saqueassem outras estatais. É preciso ter isso bem claro: os carteiros estão pagando hoje tanto pela roubalheira de sua diretoria quanto pelas intenções petistas mas também pela covardia tucana, representada pela figura de FHC.
Relembrem então o que se apurou no Postalis até 2006, extraído da conclusão da sub-relatoria de Fundos de Pensão da CPMI dos Correios, que pode ser baixado nesse link. Destaco apenas o levantado em relação aos Bancos do Mensalão (BMG e Rural) e ao Banco Santos, que sofreu intervenção do Banco Central:
  • Antes de 2003, o Postalis nunca investira no Banco Rural, um dos bancos do Mensalão. Em 2003 investiu R$ 5 milhões e em 2004 foram R$ 10milhões;
  • Antes de 2003, o Postalis nunca investira no Banco BMG, um dos bancos do Mensalão. Em 2003 investiu R$ 5 milhões e em 2004 R$ 14 milhões;
Trecho do relatório:
A Sub-relatoria analisou o volume de recursos investidos pelo Postalis nos bancos BMG e Rural, entre os períodos de janeiro de 2000 e agosto de 2005, com a finalidade de identificar eventuais variações e concentrações nestas instituições, em conexão com as denúncias feitas pelo ex-Deputado Roberto Jefferson de que estes bancos estariam sendo utilizados para financiar o designado esquema do “mensalão”, por meio dos fundos de pensão. A necessidade de se quantificar os valores investidos se confirmou quando os dirigentes do Banco Rural afirmaram, em depoimento Relatório Final dos Trabalhos da CPMI “dos Correios” Volume III – Pág. 1360 à Sub-relatoria, ter comemorado o aumento, em 2004, das captações com as entidades de previdência.
Os recursos do Postalis investidos nos bancos BMG e Rural foram distribuídos conforme a seguir:
Postalis_BMG_RURAL
  • O Postalis teve perdas significativas em investimentos com o Banco Santos na véspera da interdição do banco;
Trechos do relatório
No dia 29 de outubro de 2004, o Nucleos investiu R$ 1,8 milhões em CDBs do Banco Santos. Isto ocorreu há menos de um mês da intervenção levada a efeito pelo Banco Central. Situação idêntica ocorreu com o Postalis, o que sugere que o Banco Santos conseguiu angariar recursos de fundos de pensão dias antes da referida intervenção, ocorrida em 12 de novembro de 2004.
Apesar da afirmação de que não havia como saber sobre a intervenção, o mercado há vários meses caracterizava os investimentos no Banco Santos como aplicações de alto risco de crédito. Este fato resta evidenciado ante o rebaixamento da classificação de risco feito pela agência Moody’s em junho de 2003.
(…)em 4 de junho de 2003, o Banco Santos foi classificado como rating “B1” em sua primeira classificação de risco feita pela Moody’s. Instituições com risco do tipo “B” representam, segundo a Moody’s, qualidade pobre de crédito e baixa segurança sobre o pagamento pontual de obrigações relacionadas a certificados de depósito de longo prazo.
(…)O Postalis registrou, em 2004, perdas no valor de R$ 36 milhões referentes a aplicações em CDBs do Banco Santos e debêntures da PROCID, holding do Grupo Santos, adquiridos em carteira própria, com exceção de uma aplicação de R$ 4 milhões, feita pelo fundo exclusivo FI PREVIDENCIARIO CAIXA DIAMANTE RF no dia 28 de outubro de 2004, há menos de um mês da intervenção promovida pelo Banco Central.
Quanto mais custará a trabalhadores do país a continuidade desse governo petista?
FuncionariosCorreios


O preço da impunidade: carteiros pagam o prejuízo do PT
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