segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Igrejas pressionam TVs abertas para que reduzam aluguel de horários



As principais igrejas evangélicas que compram horário em emissoras abertas estão se unindo em torno de um projeto em comum para 2017: reduzir o preço do "aluguel" que as emissoras cobram pela venda de horários na grade.

Um grupo de representantes de congregações evangélicas se reuniu dias atrás em São Paulo, tentando fechar questão: querem pagar menos às TVs.

O argumento do grupo, que inclui Igreja Universal, da Graça, Mundial, Vitória em Cristo e Assembleia de Deus, entre outras --maiores compradoras de espaço em TVs abertas UHF e VHF-- é que, com a crise econômica nos últimos anos, os fiéis começaram a sumir dos templos, e, com eles, a principal fonte de pagamento às TVs: o dízimo.

Conforme a coluna do Ricardo Feltrin antecipou em março, a crise econômica tem provocado fuga de fiéis das principais igrejas evangélicas.

Não há números oficiais porque as emissoras não revelam, mas estima-se que a venda de horários para igrejas movimenta algo em torno de R$ 600 milhões anuais --só na TV aberta.

A Universal por exemplo, gasta somente com compra de horários em outras emissoras (que não as próprias) algo entre R$ 60 e R$ 80 milhões por ano. Ela está presente no canal 21, na Gazeta e na RedeTV! (além da Record, claro).

A Internacional da Graça, do pastor R.R.Soares, gasta só com a Band, por ano, segundo estimativas do mercado (já que o assunto é sigiloso) entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões.

No caso de Universal, a ideia de reduzir custos, segundo esta coluna apurou, vale até para a "irmã" RecordTV, de quem ela compra todas as madrugadas.

A cúpula da Universal quer reduzir os valores, que neste ano vai passar de R$ 500 milhões. A igreja está hoje focada em outras grandes obras, como a construção de um novo e rico templo de Salomão, agora em Brasília.

A crise fez com que congregações como a Vitória em Cristo, de Malafaia, perdessem horários por causa dos altos custos. Malafaia chegou a anunciar a saída da RedeTV! meses atrás, mas, após uma renegociação (e redução de valor), retornou.

A Igreja Mundial, de Valdemiro Santiago, também tem feito um grande esforço para retornar à TV aberta, mas, naquelas emissoras dispostas a negociar, o pastor tem esbarrado nos preços.

SOB A NÉVOA DA LEI
A legislação brasileira é nebulosa a respeito da venda de grade de programação de TVs para terceiros. No caso das igrejas há um argumento "extra": o de que, afinal, são entidades sem fins lucrativos (lei é lei).

Para manter o atual status quo, digamos, "nebuloso", há uma combinação nacional de interesses:

1) bancadas evangélicas no Congresso que defendem seu quintal muito acima do dos demais;

2) TVs endividadas precisando urgentemente de dinheiro líquido;

3) Desinteresse do Ministério das Comunicações, da Anatel e do próprio governo central de comandar uma regulamentação definitiva do assunto.

Por outro lado é importante incluir que boa parte da falta de dinheiro de emissoras como Band, RedeTV!, Record se deve ao fato de a nata do mercado publicitário brasileiro investir a maioria absoluta de suas verbas na Globo --na TV aberta-- e na Globosat na TV fechada.

Algumas dessas TVs, caso perdessem hoje a receita da venda de horários a igrejas, certamente poderiam quebrar, com repercussões previsíveis como demissões em massa, para ficar na mais importante.

Por fim, é justamente por saberem de sua atual importância nas receitas das TVs abertas que as igrejas querem agora descontos no que pagam.

Fonte: Coluna de Ricardo Feltrin - UOL

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