sábado, 24 de dezembro de 2016

GÊNESIS 4

GÊNESIS 4:1-16 A HISTÓRIA DE CAIM SOB DUAS PERSPECTIVAS








Caim foge 

Isaías 45.9

Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entre outros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça – 

Em 2009 o autor português e prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, publicou seu penúltimo livro, intitulado “Caim”. Nesse livro Saramago  volta a destilar seu ódio contra Deus. Um Deus em que, aliás, ele diz não acreditar na existência. Hum! Muito curioso. Para ele bem se aplicam as palavras do apóstolo Paulo, que caracterizam muito bem a todos os que rejeitam a revelação de Deus, através do mundo criado, daquilo que aí está e pode ser percebido e apreciado por qualquer um, quando diz:

Romanos 1:22 

“Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos”.  

Saramago é uma versão empobrecida do Mefistófeles de Goethe. Ele nega, mas se contradiz. Patético.

Em “Caim”, Saramago escolhe como o herói da sua saga, nada mais nada menos, que o Caim bíblico, o primeiro homicida. Demonstrando uma ignorância proposital, ele consegue enxergar Caim nos momentos mais inusitados da história do Antigo Testamento. Caim é para Saramago, o “homem da hora”, o verdadeiro “salvador da pátria”. Deus, por sua vez, é chamado por um nome que me recuso repetir. Saramago, como todos os que não querem acreditar no Deus verdadeiro, está condenado a inventar um deus à sua própria imagem e semelhança – ver Romanos 1:23—25. Portanto, não deve nos surpreender que seu “salvador” seja apenas um homem, e dos mais inveterados, pelo que a Bíblia nos revela. Caim personifica muito bem o espírito de José Saramago. Ele foi o primeiro homem a assumir uma atitude em tudo antagônica ao que Deus representava. Bem, vamos deixar o Caim de Saramago de lado e vejamos o que a Bíblia tem a nos dizer acerca de Caim.

I. CAIM

Após Caim ter assassinado seu irmão Abel, ele foi confrontado pelo Senhor. Pelo fato de ter derramado o sangue do seu irmão, Caim foi então pronunciado maldito, por parte de Deus – ver Gênesis 4:11. A maldição tem a ver com a forma como a terra irá reagir às tentativas de cultivo feitas por Caim, bem como o fato de que ele iria se tornar um fugitivo e alguém errante pela Terra. De acordo com a palavra do Senhor: “Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra – Gênesis 4:12.

Caim, por sua vez, se queixa ao Senhor alegando que seu castigo é muito grande e que, certamente alguém irá encontrá-lo e matá-lo – ver Gênesis 4:13—14. O Senhor responde de forma graciosa, como lhe é tão comum – ver Êxodo 34:5—7 – assegurando a Caim que: “O SENHOR, porém, lhe disse: Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o SENHOR um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse – Gênesis 4:15. A partir desse momento a Bíblia nos diz que “retirou-se Caim da presença do SENHOR” e foi habitar na terra de Node onde conheceu sua mulher, teve um filho e construiu um cidade – ver Gênesis 4:16—17. A frase que deve chamar nossa atenção, nestes últimos dois versículos, é exatamente esta que diz que Caim “retirou-se da presença do SENHOR”. E é aí, caro leitor, que reside a raiz de todos os problemas e de todas as malfadadas ações que, como seres humanos, intentamos contra Deus.

Até o momento em que Caim matou Abel, existia certa segurança tácita em meio à raça humana, mediante a proteção que, certamente, o Deus criador garantia às suas criaturas, contra agressões causadas pela natureza. Mas Caim destruiu esta segurança introduzindo o gosto por derramar sangue humano e por vingança. E, como o sangue de Abel foi derramado sobre a terra, a mesma se torna inimiga do homem. Por outro lado, nós, os ocidentais, não fazemos a menor idéia da força representada pelo desejo de vingança pelo sangue derramado que existe no meio dos povos que habitam o chamado Oriente Médio.

No diálogo travado entre Deus e Caim, como vimos a pouco, nós temos a nítida impressão que estamos mesmo diante de um homem que se revoltou contra seu Criador – ver Gênesis 4:3—8 – que matou seu próprio irmão e que, em muito pouco tempo, perderá toda capacidade de continuar acreditando em Deus. Mas, independente da sua atitude, Caim está sobre a proteção graciosa de Deus e será esta proteção que irá garantir sua sobrevivência, mesmo que ele não a reconheça. Caim demonstra que não confia nem no Senhor nem na marca que este colocou sobre ele. Este é o motivo central porque Caim decide retirar-se da presença de Deus. Mas do que, “mudar de endereço”, indo habitar na terra de Node, Caim se retira espiritualmente da presença de Deus. Ele não entende que bondade e severidade andam de mãos dadas quando se trata da maneira como Deus lida com nossos pecados que, por causa do fato de Deus ser eterno, o ofendem eternamente – ver Romanos 11:22. Pecados não são e não podem ser tratados como coisas insignificantes porque ofendem eternamente o Deus eterno. Como bem expressou o apóstolo Paulo “Graças a Deus pelo seu dom inefável! - 2 Coríntios 9:15. Não fosse pelo sacrifício de Cristo e nunca nossa relação com Deus poderia ser restabelecida. Mas retornemos a Caim e sua falta de confiança em Deus. Caim não confia que esta “tal marca”, que, na nossa opinião, ele é incapaz de enxergar, será suficiente para garantir sua sobrevivência em meio à gravidade da sua rebelião e desobediência, que o haviam alienado de Deus e de sua família. Caim percebe que, de agora em diante, ele precisará:

• Lutar contra inúmeras forças hostis – Deus, outros seres humanos e a própria natureza.

• Desenvolver meios para subjugar seres humanos e as forças contrárias da natureza.

• Tomar todas as medidas que estejam ao seu alcance para garantir sua sobrevivência.

Mas tudo isto não passa de um grande engano, uma verdadeira quimera. Para Caim todas estas atitudes lhe parecem necessárias e objetivas, mas na realidade elas são incapazes de protegê-lo.

Caim precisa procurar estabelecer sua própria segurança, porque não aceita a segurança que Deus lhe oferece. O que ele não compreende é que não existe verdadeira segurança fora da presença de Deus – veja como Davi reconheceu, quando estava sendo perseguido por Saul e seus homens e por Absalão e seus homens, que a verdadeira segurança está somente em Deus, nos Salmos 7, 11, 12, 13, 17, 25, 26, 31, 34, 35, 52, 54, 56, 57, 59, 64, 109, 140, 141. Para Caim, todavia, a segurança oferecida por Deus não vale absolutamente nada. Ele só irá se sentir seguro se seguir os desejos mais profundos do seu coração insatisfeito.

Longe de Deus, as duas maiores necessidades de Caim são: sua sede de eternidade e de descanso. Ele olha para o Éden e o deseja. Sem saber, ele realmente deseja a presença de Deus no Éden e não o jardim em si mesmo. Mas seus sentidos estão turvados pelo pecado e ele não consegue perceber a verdade. Como Caim acha que tudo o que ele precisa é um novo Jardim do Éden, ele se propõe a criar um para si mesmo. Seu sonho de eternidade também poderá ser satisfeito, assim ele imagina, através da procriação. São estas considerações que estão por trás de seus atos de “edificar uma cidade e de gerar um filho” – ver Gênesis 4:17.

II. CAIM COMO O PRIMEIRO COSTRUTOR DE UMA CIDADE E O PRIMEIRO PSEUDO SALVADOR DA HUMANIDADE

Caim, como o primeiro construtor de uma cidade imagina seu ato como a resposta mais apropriada a seus desejos mais profundos: segurança e eternidade. A relação entre estes dois anseios mais profundos de sua alma pode ser vista através do nome que ele atribuiu à cidade e a seu filho primogênito:

• E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque.

• Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.

Por que teria Caim atribuído a seu filho primogênito, bem como à cidade que edificou, um e o mesmo nome? Comecemos pela cidade que Caim construiu. Aquele era um lugar onde ele podia, acima de tudo, ser ele mesmo. O lugar onde ele podia se sentir seguro, onde poderia encontrar descanso e deixar de ser vagabundo no sentido próprio do termo – alguém que leva uma vida errante; que vagueia. Além disso, a cidade representava para Caim um sinal visível da sua segurança. De acordo com a decisão que ele havia tomado de “retirar-se da presença do SENHOR”, sua segurança dependia agora dele mesmo apenas. A construção da cidade, portanto, é conseqüência direta do ato criminoso de Caim e de sua recusa terminante de aceitar a segurança oferecida por Deus.

O Éden de Deus é substituído pela cidade de Caim, da mesma maneira que o propósito que o Deus Criador tinha para Caim foi substituído pelos planos que o próprio Caim fizera para si mesmo. Sua cidade e seu filho são chamados de Enoque e isto não é mera coincidência. Esse nome é derivado do verbo que significa: dedicar, inaugurar ou iniciar. Para Caim seus atos possuem um profundo significado. Eles representam um novo princípio, não como o “princípio” originado por Deus e mencionado em Gênesis 1:1, e sim algo completamente diferente. Algo iniciado pelo homem e dependente do ser humano. “No princípio Deus” nos diz o livro do Gênesis. Para Caim, porém, Deus não era mais nem apropriado nem pertinente. Um novo início era necessário. Um início centrado no homem, em sua mente distorcida e seu coração enfermo pelo pecado. É como se Caim estivesse dizendo: “Vou mostrar a Deus como as coisas devem, de fato, serem feitas”.

A cidade de Caim se opõe ao Éden de Deus. A proposta de Caim é grandiosa. Ele deseja reconstruir o mundo conforme a sua imagem e semelhança. Para alcançar seu objetivo Caim arrasta a criação para dentro do mesmo abismo em que ele se encontrava. Abismo de escravidão, de pecado e de uma amargurada revolta que, tenta a todo custo, se libertar dessa situação. Com isto Caim aumenta ainda mais a distância que existia entre ele e o Deus Criador. É dessa revolta que nasce a primeira cidade. Sua maior dificuldade, todavia, é que a solução para os problemas que ele enfrentava estava concentrada nas mãos de Deus, e isto era algo que ele não podia tolerar. Caim deseja encontrar, por si mesmo, a solução para todos os dilemas que seus atos haviam criado. Mas seus projetos apenas agregam ofensa à injúria. Cada novo ato de sua parte representa uma ofensa ainda maior a Deus, e o afunda em um abismo cada vez mais profundo.

A civilização humana, como a definimos em tempos modernos, começa com o estabelecimento de uma cidade e com tudo o que esta cidade representa. Para Caim, Deus se torna apenas uma figura imaginária, uma hipótese. Por modo semelhante o Paraíso se torna em uma lenda e a própria criação não passa de um mito. Quando Caim decide chamar seu filho e sua cidade de Enoque – início - ele estava coberto de razão. Por todos os cantos do planeta Terra nós encontramos exemplos de como aquele início se desenvolveu e se tornou ubíquo. Ao registrar a história de Caim como construtor da primeira cidade – Gênesis 4:17 - a Bíblia nos revela muito mais do que o mero ato ali descrito. Ela nos revela:

• Qual era a intenção do ser humano ao decidir construir a cidade – dar o ponta pé inicial em um novo “princípio”, por completo, independente de Deus.

• O que o ser humano esperava alcançar por meio daquela construção – uma segurança que fosse independente de Deus.

• O que os pensamentos do ser humano desejavam estabelecer – um nome para si mesmo que se estendesse por toda a eternidade.

A palavra hebraica ‘iyr – traduzida por cidade possui, na realidade, outros significados. Estes são: agitação, angústia e terror. Uma contração provinda da mesma raiz ‘ar - é traduzida pela palavra “inimigo” – ver 1 Samuel 28:16. Esses significados denotam que as cidades não são apenas ajuntamentos de moradias, ruas, palácios, muralhas e etc. As cidades são forças espirituais. A primeira cidade foi fruto da revolta do ser humano e certamente “outras forças” estavam também presentes auxiliando o homem em sua empreitada. Como tal, as cidades possuem a capacidade de influenciar as pessoas. Elas podem direcionar e alterar o curso da vida espiritual dos seres humanos. As cidades não representam apenas o “urbano” em oposição ao “rural ou campestre”. Elas são poderosas na força de atração que exercem sobre as pessoas e compõe um mistério que chega ser, até mesmo, assustador. Se considerarmos, de forma desapaixonada, o significado da palavra ‘iyr - agitação, angústia e terror, bem como da sua contração ‘ar – inimigo, nós podemos concluir que elas descrevem, de modo preciso, o que as cidades representam em pleno século XXI.

Por outro lado, a cidade como concebida por Caim, também não passava de um ídolo. Estava, portanto, destinada a ser destruída. Ao mesmo tempo, ela representava um poder cujo propósito era o de se elevar acima do próprio Deus. A cidade de Caim deveria representar para ele mesmo, muito daquilo que só podemos encontrar, de forma verdadeira, na pessoa do próprio Deus. Ao construir sua cidade Caim colocou toda sua revolta em cada parte. Se pudéssemos ver tal construção a partir do seu espectro espiritual, nós ficaríamos muito chocados com a terrível aparência da mesma. Todas as vezes que podemos presenciar este tipo de manifestação, nós estamos diante de uma força que só pode ser definida de uma maneira: demoníaca.

As atitudes de Caim são representativas daquelas que são comuns a todos os seres humanos. Caim foi pronunciado arur – maldito pelo Senhor – ver Gênesis 4:11. De modo semelhante todos os seres humanos, como descendentes de Adão, estão sobre a maldição da condenação do pecado. É somente em Cristo que nós podemos nos livrar desta maldição – ver Gálatas 3:13. E é por causa de Cristo que temos a promessa de que na eternidade “nunca mais haverá qualquer maldição” – ver Apocalipse 22:3. Mas, em vez de aceitar a provisão de Deus, tanto Caim, como outros seres humanos, buscam solucionar seus problemas por si mesmos. A posição de arrogância é refletida na imaginação que diz: “eu posso resolver meus problemas sozinho e sem o auxílio ou a bênção de Deus”. É por causa da maldição de Deus que pesa sobre os seres humanos que eles fazem de tudo para tornarem-se poderosos – poder manifesto em forma de riquezas, desenvolvimento, domínio, etc. Eles acreditam, em suas mentes doentias, que ao se tornarem poderosos poderão manter em cheque e impedir os efeitos da maldição proferida sobre suas cabeças. Esse é o verdadeiro motivo porque o homem desenvolve as artes e as ciências; porque ele organiza exércitos e constrói armamentos cada vez mais sofisticados; porque constrói cidades. A manifestação deste “espírito de poder” não passa de uma tentativa desesperada, do ser humano, de tentar paralisar ou até reverter as conseqüências de ser pronunciado arur – maldito pelo Senhor.

CONCLUSÃO

Caim ao ser expulso da presença de Deus, percebe a fragilidade da sua posição – ver Gênesis 4:14. Mesmo com a promessa de Deus de que qualquer um que ferisse a Caim sofreria 7 vezes mais – ver Gênesis 4:15 – ainda assim Caim não se sente confortável. Ao sair da presença de Deus para habitar na terra de Node – esta terra não pode ser identificada com precisão, mas o significado da palavra é - terra de peregrinação ou exílio – Caim expressa toda sua preocupação com sua própria segurança ao decidir construir uma cidadela fortificada – ver Gênesis 4:17. Esta cidadela além de servir como elemento de segurança para Caim, era também bastante representativa da rebelião instaurada em seu coração, pois ia frontalmente contra o mandamento do Criador para – encher a terra – ver Gênesis 1:28.

As cidades são, desde o princípio, um símbolo da desobediência humana contra o mandamento de Deus de encher a terra. Desde os tempos mais antigos, as cidades sempre foram elementos cativantes para os seres humanos caídos. Talvez o registro mais dramático da construção de uma cidade, que cristaliza este sentimento antagônico entre o Criador e suas criaturas, seja a tentativa da construção da cidade e da torre de Babel. Gênesis 11:4 encapsula de maneira perfeita toda a rebeldia encastelada no coração humano, que deseja, simultaneamente, construir uma cidade e uma torre e, com isso, tarnar-se célebre e evitar ser espalhado pela superfície da terra, em flagrante desobediência ao mandamento do Criador. A cidade da Babilônia irá ocupar a imaginação dos autores bíblicos de todos os tempos, culminando com o Apocalipse de João – último livro da revelação bíblica. A cidade e a torre mencionadas em Gênesis 11 são representativas de todo e qualquer poder sociopolítico que se incorpore em uma entidade ou organização contrária à adoração exclusiva de Deus. Ao agir desta maneira os seres humanos desejam tornar-se um fim em si mesmos, e reconstruir a realidade a partir de suas próprias convicções e independentes da vontade de Deus. Mas tudo não passa de uma fantasia. De pretensão pura e simples. Quando Deus se levanta para julgar, todo o brilho, toda a glória, toda riqueza, toda segurança, bem como toda a arrogância e empáfia, desaparecem imediatamente e por completo – ver Apocalipse 18. Note, de modo especial, a forma veloz como tudo se acabou.

As cidades representam a epítome do que significa ser anti-Deus. Elas são os pólos, por excelência, que fazem o homem se sentir seguro. Onde existe iluminação pública e privada, transporte público, segurança policial, médicos e hospitais, água encanada e esgoto recolhido e tratado, igrejas e cemitérios, comércio, estradas pavimentadas e carros velozes etc, não existe nem espaço para, nem necessidade de Deus. O homem cuida de tudo. Mas tudo não passa de uma grande mentira, com conseqüências finais catastróficas.

O ser humano caído perdeu a dimensão da eternidade e, de forma tola e estúpida, age como se a vida se resumisse a esse plano sobre a Terra. De fato, o Salmista inspirado por Deus, deixa claro que, ao agir estupidamente desta maneira, o ser humano se iguala aos animais.
O seu pensamento íntimo é que as suas casas serão perpétuas e, as suas moradas, para todas as gerações; chegam a dar seu próprio nome às suas terras. Todavia, o homem não permanece em sua ostentação; é, antes, como os animais, que perecem. Tal proceder é estultícia deles; assim mesmo os seus seguidores aplaudem o que eles dizem. Como ovelhas são postos na sepultura; a morte é o seu pastor; eles descem diretamente para a cova, onde a sua formosura se consome; a sepultura é o lugar em que habitam. Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si. Não temas, quando alguém se enriquecer, quando avultar a glória de sua casa; pois, em morrendo, nada levará consigo, a sua glória não o acompanhará. Ainda que durante a vida ele se tenha lisonjeado, e ainda que o louvem quando faz o bem a si mesmo, irá ter com a geração de seus pais, os quais já não verão a luz. O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem – Salmos 49:11 – 20!
A história do Caim bíblico é muito semelhante, em sua trajetória mental e espiritual, à do próprio José Saramago. Movido por um ódio cego ao Deus criador, Saramago não consegue nem aceitar, nem conviver com a idéia de que seu destino, inclusive eterno, está nas mãos desse mesmo Deus. Suas tentativas, inúteis, de se livrar de Deus, não passam de espasmos de um verme que está prestes a ser esmagado. Seu último livro, não pode sequer ser considerado como “literatura”. Como disse João Pereira Coutinho: “’Caim’, em termos literários, é uma narrativa pobre e, sobretudo nas descrições sexuais, vulgar e risível”.

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