JEFTÉ - O ESCOLHIDO DE DEUS .

O preconceito faz parte da história da humanidade desde os tempos remotos. Ainda hoje, em que pese as movimentações da sociedade organizada, que combatem todas as formas de preconceito, não há como exterminar as várias e variadas formas de discriminação.

Israel era governada por juízes num sistema de governo conhecido como Teocracia, que é a interpretação das leis por religiosos, que têm autoridade também para fazer cumprir leis cívicas e religiosas. Na teocracia israelita Deus era o soberano e Ele designava juízes encarregados de julgar o povo e fazer cumprir as leis.

Pois bem. Havia um homem valoroso em Israel, que era filho de Gileade com uma prostituta. A bem da verdade, Jefté era filho de Gileade com uma mulher canaanita, por isso ela é chamada na Bíblia de prostituta, porque não era israelita e tinha costumes e rituais pagãos.

Gileade teve outros filhos com sua esposa e quando estes meio-irmãos de Jefté cresceram, eles expulsaram Jefté da casa de seu pai, para que ele não tivesse direito à herança. Jefté foi humilhado e fugiu de seus irmãos e foi habitar em Tobe. O texto relata que homens levianos se juntaram a Jefté e saíram com ele, ou seja, além de expulso, Jefté andava em más companhias, mas Deus não olha a circunstância em volta do homem a quem escolhe e Ele escolheu Jefté para ser o chefe na terra do Seu povo.

Depois de algum tempo houve um probleminha em Israel. Os filhos de Amon pelejaram contra Israel e os anciãos de Gileade foram procurar Jefté para pedir ajuda. É, meu amigo, nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio para clarar as ideias. Foi a coisa apertar e os gileaditas se lembraram da coragem de Jefté, que havia sido expulso da casa de seu pai pela ganância de seus irmãos.

Não passou batido, Jefté disse aos anciãos de Gileade: “Porventura não me odiastes a mim, e não me expulsastes da casa de meu pai? Por que, pois, agora viestes a mim, quando estais em aperto?” (Juízes 11:7). Depois de tudo o que fizeram contra Jefté, os gileaditas ainda tiveram a cara dura de pedir a ajuda dele. A vida é assim mesmo e o mundo dá voltas.

A proposta dos anciãos de Gileade era que Jefté os livrasse dos filhos de Amon e depois se tornasse chefe sobre eles. Jefté desconfiou das intenções deles, afinal, ele foi expulso da casa de seu pai e ninguém por lá o ajudou, mas os anciãos juraram por Deus que tinham as melhores intenções do mundo e que cumpririam com a promessa.

Jefté foi com os anciãos de volta a Gileade e foi aclamado chefe e príncipe sobre eles, então Jefté começou a tomar suas providencias e mandou mensageiros ao rei dos filhos de Amon com um recado atrevido, veja: Que há entre mim e ti, que vieste a mim a pelejar contra a minha terra?” (Juízes 11:12). Jefté tinha fama de valente e o rei dos filhos de Amon tremeu nas bases e disse: É porque, saindo Israel do Egito, tomou a minha terra, desde Arnom até Jaboque, e ainda até ao Jordão: Restitui-ma agora, em paz.” (Juízes 11:13). 

Era uma desculpa esfarrapada e Jefté rebateu o rei dos filhos de Amon, rememorando toda a trajetória de Israel desde sua saída do Egito.

Depois de detalhada exposição, Jefté deu o tiro de misericórdia no rei dos filhos de Amon e disse: Assim o Senhor Deus de Israel desapossou os amorreus de diante do seu povo de Israel; e os possuirias tu? Não possuirias tu aquilo que Quemós, teu deus, desapossasse de diante de ti? Assim possuiremos nós todos quantos o Senhor nosso Deus desapossar de diante de nós. (Juízes 11:23-24).

A argumentação de Jefté seguia uma lógica clara: o Deus de Israel desapossou aquelas terras seus moradores e as deu aos hebreus por possessão, então eles iriam desfrutar de tudo quanto o seu Deus lhes havia dado, afinal, se o deus dos filhos de Amon (Quemós) desse a eles terras, por ventura eles não a iriam possuir?

Por fim, e sem conseguir dissuadir o rei dos filhos de Amon de pelejar contra Israel, Jefté disse: Tampouco pequei eu contra ti! Porém tu usas mal comigo em pelejar contra mim; o Senhor, que é juiz julgue hoje entre os filhos de Israel e entre os filhos de Amom. (Juízes 11:27). Jefté, inteligentemente, invocou o julgamento do Senhor entre os filhos de Amon e os filhos de Israel. O rei dos filhos de Amon fez pouco caso daquela oração do valoroso Jefté, mas ela funcionou e o Espírito de Deus encheu Jefté de força e ele passou à frente do exército dos filhos de Amon.

Só teve um probleminha: Jefté fez um voto de tolo ao Senhor, veja: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão, aquilo que, saindo da porta de minha casa, me vier ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do Senhor, e o oferecerei em holocausto. (Juízes 11:30-31). Esse era um costume canaanita: sacrifícios humanos rituais, mas o Deus de Israel nunca requereu nada parecido, a não ser para provar a fé de Abraão, porém o Senhor não permitiu que ele imolasse seu filho Isaque.

Muito bem. Jefté foi vitorioso na batalha e feriu os filhos de Amon com grande mortandade, mas quando ele voltou da guerra para sua casa em Mizpá, sua filha única saiu ao seu encontro dançando e tocando adufes. Aquela era sua única filha mesmo, Jefté não tinha outro filho, ou filha. Foi uma tragédia e Jefté se arrependeu muito de proferir voto louco diante do Senhor, mas ele o cumpriu.

Isso serve de lição para cada um de nós: Deus não pede além do que podemos dar, que é o nosso coração. Está escrito: “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos: o que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votares e não cumprires”. (Eclesiastes 5:4-5). Não se apresse fazendo votos a Deus, ainda mais se for voto de tolo. O melhor presente que se pode dar a Deus é reconhecer Seu Filho como Salvador.

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