segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Igreja é suspeita de lavagem de dinheiro dos donos do site de compras Pank

A Justiça solicitou que igreja evangélica frequentada pelos empresários Viviane Boffi Emílio e Michel Pierri Cintra, suspeitos de aplicar golpes de R$ 100 milhões pela internet, informe todas as doações recebidas do casal nos últimos anos.
O objetivo, segundo o promotor Aroldo Costa Filho, é investigar se a instituição religiosa estava guardando ou lavando o dinheiro ilícito das empresas dos suspeitos, que teriam feito mais de 42 mil vítimas em todo o país.

“O simples fato de uma pessoa pertencer a uma igreja e fazer doações não é crime, nunca foi. Agora, se a igreja estiver recebendo esse dinheiro sabendo que é de origem ilícita e que não pode ser depositado na conta do investigado, aí a questão muda muito. Ela passa a ser criminosa”, afirmou.

Segundo Costa Filho, ex-funcionários de Viviane e Cintra relataram em depoimento que, semanalmente, o casal fazia doações à igreja. Em uma ocasião, os empresários teriam doado, inclusive, um carro de luxo avaliado em mais de R$ 100 mil.

O veículo supostamente seria o mesmo que foi apreendido nessa quarta-feira (2), em Guararema (SP), conduzido por um agente de segurança da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Em depoimento à polícia, o funcionários disse que levava o automóvel até um sítio em Igaratá (SP), a pedido de um deputado estadual que, segundo o promotor, é pastor na mesma igreja frequentada pelos suspeitos.

“Se, confirmarem essas informações, a gente deve iniciar outra [ação civil] para apurar se houve lavagem de dinheiro por parte da igreja. Nesse inquérito não trataríamos desse caso. Ficaria muita coisa, ele iria se estender por anos e não é essa a intenção”, disse Costa Filho.

Depoimentos
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Michele é a proprietária da empresa de vendas pela internet Pank, que possui uma unidade em Ribeirão Preto (SP), onde a empresária foi presa nesta terça-feira (1º). Ela é suspeita de vender, mas não entregar produtos eletrônicos. Em algumas ocasiões, aparelhos falsificados eram entregues no lugar.

Já Cintra, que está foragido, é ex-proprietário da Stop Play, que também comercializava produtos pela internet e foi fechada há oito anos pela mesma prática de golpes em clientes. Os dois respondem por estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular. 

A advogada do casal, Cláudia Seixas, afirmou ao G1 que não comentará as acusações porque o procedimento investigatório corre em sigilo.

Em depoimento à Promotoria nesta quinta-feira, a ex-funcionária do casal Tamires Spirandeli contou detalhes do esquema, que incluía sonegação fiscal. “A gente emitia notas fiscais com o valor abaixo do produto e, quando chegava na (sic) casa do cliente, a gente inventava uma desculpa”, afirmou.

Assim como outras testemunhas, Tamires disse que valores da empresa eram repassados à igreja evangélica frequentada pelo casal. “Toda semana algum pastor ou alguém da igreja ia lá receber produto ou dinheiro deles. Aí veio a doação de um carro. Foi quando eu fiquei indignada. Doar um carro para uma igreja é complicado”, disse.

Tamires contou também que os produtos vendidos pelos sites de compras como sendo originais, eram adquiridos no Paraguai por um funcionário de confiança de Michele e Cintra. “Depois, descobri que os produtos devolvidos para nós com avaria, eles consertavam dentro da empresa mesmo e mandavam o produto como sendo novo”, disse.

Agressão

Após deixar a empresa há sete anos, Tamires afirmou que entrou com uma ação trabalhista contra Michele e, ao Ministério Público, contou que foi agredida verbalmente e fisicamente pela empresária.

“Quando eu voltava para a empresa, eles me chamavam de louca na frente dos funcionários, falavam que eu não era uma funcionária que deveria ser seguida por ninguém. Eles me deixavam sem computador, sem trabalhar, sozinha, nenhum dos funcionários conversava comigo”, relembrou.

Sem qualidade
Segundo as investigações do MP, os sites administrados pelo casal comercializavam diversos produtos, principalmente eletroeletrônicos, que, após serem adquiridos pelos clientes, não eram entregues ou não apresentavam a qualidade anunciada, sendo, muitas vezes, artigos piratas.

“Ele [Cintra] sabia da qualidade dos produtos, porque era um canal de intermediação de oferta. Qualidade bem inferior. Sabia que ia ter problemas com esses produtos e mesmo assim ele colocava para vender”, afirmou o ex-funcionário, que preferiu não ser identificado.

A empresa em questão era registrada no nome de Viviane, funcionava no Jardim Irajá, zona sul de Ribeirão, e contava com 60 funcionários. Já Cintra respondia pelo site Stop Play, que também vendia produtos pela internet e foi fechado há oito anos pela mesma prática de golpes em clientes, segundo o MP.

De acordo com a testemunha, o site Pank vendia de 10 mil a 20 mil peças de um único produto, mesmo quando não havia estoque suficiente. “Poderia entregar um terço [do que era vendido]. Mas desse um terço mais de 50% ia dar problema. Com certeza."

Vida de luxo
Pelo menos 100 mil pessoas foram lesadas em golpes que somam, no mínimo, R$ 100 milhões, segundo a Promotoria. O valor adquirido com o esquema possibilitou que o casal levasse uma vida de luxo, que envolvia um apartamento em uma área nobre de Ribeirão Preto, a troca de carros importados a cada três meses, restaurantes caros e frequente ajuda em dinheiro à igreja - ele não revelou quantas nem quais eram.

“Funcionários sabiam que eles doavam não só dinheiro, mas ofertas também. Ele já deu muita grana na igreja. Inclusive doou carros. Três carros que eu sei. Isso dá mais ou menos R$ 700 mil, mas deve ter muita coisa que a gente nem sabe ainda”, disse o ex-funcionário.

Fonte: G1

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