segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

IS-BOSETE E A REVOLUÇÃO

2 SAMUEL 2:8 a 4:12

Depois da morte do rei Saul e de Jônatas, seu filho primogênito, com outros dois dos seus filhos, o homem forte em Israel passou a ser o seu primo, o general Abner. Davi, tendo voltado do exílio e sido ungido rei por sua própria tribo, havia ficado em Hebrom como mandara o SENHOR.
Abner, ainda leal à casa de Saul, tratou de promover um dos seus dois filhos sobreviventes, Is-bosete (Homem de Vergonha), para ser rei de Israel em seu lugar.
Ele demorou em conseguir que o povo o aceitasse, pois os seus anciãos queriam que Davi reinasse sobre eles (3:17). Seu progresso foi lento:
  • primeiro foi aceito em Gileade (Montanha do Testemunho - Gênesis 31:21), pelos assuritas: era uma região montanhosa ao oriente do rio Jordão, pertencente às tribos de Gade, Rúben e Manassés. Uma das suas cidades principais, Jabes-Gileade, tinha uma dívida de gratidão para com o rei Saul, e via com simpatia o seu filho. Nada sabemos sobre os assuritas.
  • depois em Jezreel: pertencia à tribo de Issacar, ao ocidente do rio Jordão.
    Efraim e Benjamim ficavam entre Manassés e Judá. Benjamim era a tribo de Saul, logo favorecia o seu filho Is-bosete.
  • só depois de cinco anos e meio ele foi finalmente aceito pelo restante de Israel, fora a tribo de Judá. A Bíblia nos diz que Is-bosete reinou sobre as onze tribos de Israel por apenas dois anos, enquanto Davi reinou sete anos e meio sobre Judá antes de assumir todo o reino de Israel após a morte de Is-bosete.
O poder de Is-bosete sobre o seu reino era fraco e limitado, pois os filisteus controlavam grande parte, e Abner o intimidava (3:11).
Davi, rei de Judá, não procurou conquistar o resto de Israel para si, embora tivesse um exército considerável. Ele aumentou sua família, nascendo-lhe seis filhos em Hebrom, uma de cada mulher, pois adquirira mais quatro mulheres além das duas que já tinha.
Convém notar que uma delas, Maaca, era filha de Talmai, rei de Gesur. Davi e os seus homens haviam, anteriormente, massacrado os gesuritas, não deixando com vida nem homem nem mulher (1 Samuel 27:8,9). Teria o seu rei escapado e dado sua filha a Davi? Ou teria Davi levado sua filha cativa e a tomado como mulher? Não sabemos, mas foi um erro: mais tarde seu filho, Absalão, se rebelaria contra o próprio pai e lhe tomaria o trono de Israel por um pouco de tempo até ser morto por Joabe.
O personagem que mais se destaca nesta passagem é o general Abner. Ele e Davi haviam se conhecido anos antes quando batalhavam juntos contra os filisteus. Davi o admirava e respeitava. Mas sendo fiel a Saul, o seu rei, Abner havia depois perseguido Davi.
Tendo afinal conseguido que onze tribos se submetessem a Is-bosete, em seu esforço para manter a linhagem de Saul, ele procurou conseguir a adesão também da tribo de Judá, a maior de todas, sobre quem já reinava Davi.
Abner levou o seu exército para a fronteira, mas Joabe, primo e general do exército de Davi, foi encontrá-lo levando consigo o seu.
Esperando talvez uma vitória fácil, Abner propôs que a batalha fosse decidida apenas com um pequeno grupo de combatentes. Joabe concordou, e doze foram escolhidos de cada lado. Mas não deu certo porque todos morreram.
Seguiu-se então um combate geral, sendo o exército de Abner derrotado. Abner e os seus homens tiveram que fugir, perseguidos por Joabe e o seu exército.
O irmão mais novo de Joabe, Asael (Feito por Deus), veloz e corajoso mas imprudente, perseguiu Abner pessoalmente, embora sem estar protegido por uma armadura. Isto nos faz lembrar da armadura de Deus que devemos tomar e revestir sobre nós, para que possamos resistir no dia mau, ficar firmes contra as ciladas do diabo e, depois de termos vencido tudo, permanecer inabaláveis (Efésios 6:11, 13).
Abner, experiente, hábil e cônscio da sua superioridade, teve pena deste jovem e procurou persuadi-lo a desistir. Não o conseguindo, ele o aconselhou a cobrir-se com uma armadura para ter mais defesa. Mas Asael, confiante em si próprio, não deu ouvidos. Então Abner, depois de mais uma tentativa para o dissuadir, não tendo outra alternativa para livrar-se dele, matou-o com o cabo da sua lança.
A teimosia e autoconfiança de Asael foram a causa não somente da sua morte, mas desencadearam acontecimentos que trouxeram divisão ao exército de Davi por muitos anos depois (2 Samuel 3:26, 27; 1 Reis 2:28-35). A perseverança é uma virtude, mas verifiquemos sempre se o nosso alvo é legítimo, e se estamos confiando no Senhor, usando a Sua armadura, ao invés de nossas próprias forças.
Finalmente, ao anoitecer, cercado pelos homens da sua tribo, Benjamim, no cume de um outeiro, Abner propôs a Joabe a cessação das hostilidades, e Joabe concordou. Joabe voltou com o seu exército para Hebrom naquela mesma noite, tendo ganho uma vitória considerável - perdera apenas seu irmão Asael e outros dezenove homens, contra trezentos e sessenta homens mortos do exército de Abner.
A primeira batalha havia terminado, mas a guerra continuou por muito tempo, e Davi ia se fortalecendo enquanto os da casa de Saul se iam enfraquecendo.
Is-bosete então cometeu uma gafe que praticamente lhe custou o trono: ele acusou Abner de ter coabitado com a concubina do seu pai o rei Saul.
Para compreendermos melhor o que se passou, convém saber que a concubina de um rei, naquela época, era uma escrava de sua propriedade que lhe gerava filhos. Coabitar com uma concubina real podia ser interpretado como um insulto, uma declaração de igualdade ao rei, um ato de traição, ou mesmo uma reivindicação ao trono.
Abner, decerto desanimado com as derrotas que estava sofrendo, e agora amargurado com a ingratidão do Is-bosete, resolveu afinal reconhecer que era a vontade do SENHOR que Davi reinasse sobre Israel, e jurou que ia transferir todo o reino para ele, abandonando Is-bosete.
Mandou então mensageiros a Davi propondo uma aliança.
Davi aceitou desde que trouxesse com ele a sua esposa Mical, filha de Saul. Também mandou mensageiros a Is-Bosete, instruindo que a mandasse de volta para ele. Davi tinha uma dívida de gratidão para com Mical, pois ela o havia ajudado a escapar de Saul com risco próprio. Talvez ainda a amasse. Como filha do rei Saul, ela restauraria a dignidade de Davi como pertencente à casa real.
O rei Saul a havia dado como mulher a um homem chamado Paltiel. Evidentemente este infortunado homem a amava pois a acompanhou chorando durante parte do caminho quando a levaram a Davi.
Abner conclamou os anciãos de Israel, e a tribo de Benjamim, a aceitarem Davi como seu rei, e foi dizer a Davi em Hebrom tudo o que agradava a eles, oferecendo-se para ajuntar o povo para fazer aliança com Davi. Davi o recebeu bem e aceitou sua oferta.
Mas, na volta, Abner foi morto, à traição, por Joabe para vingar-se do seu irmão. Davi o amaldiçoou por isso.
Is-Bosete também foi morto à traição por dois dos seus capitães. Davi os executou quando levaram a ele a sua cabeça, tal como executou o homem que disse que havia matado Saul.

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