quarta-feira, 6 de maio de 2015

30 ANOS DE ATLETAS DE CRISTO

Um dos símbolos do futebol nos anos 90, o Atletas de Cristo completou 30 anos passando em 2014 por uma grave crise. Sem grandes apoiadores em atividade e sem as vultuosas contribuições que os atletas daquela época faziam para manter as suas atividades, a organização tenta se reerguer mudando o foco de trabalho. Se antes atuava junto aos jogadores de futebol - por anos, a instituição foi coordenada pelo ex-goleiro do Atlético-MG João Leite -, agora p o trabalho com futuros atletas de alto rendimento.   
Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, por e-mail, o ex-atleta de handebol e atual presidente da organização, Marcos Grava, nega que a organização tenha perdido relevância nas duas últimas décadas, fala como a crise entre Kaká e a Igreja Renascer afetou a credibilidade dos movimentos evangélicos e critica a postura da Fifa por proibir manifestação de fé nas competições promovidas por ela.
Sobre Neymar, maior jogador de futebol do país na atualidade e evangélico, Grava afirmou nunca ter feito nenhum contrato para levá-lo para a organização. "Antigamente poderia se pensar que os atletas mais famosos seriam bons garotos ou garotas-propaganda de Atletas de Cristo, mas hoje vemos de forma diferente. Para nós o mais importante é que este atleta, independentemente de seu nível de performance, tenha um comportamento pessoal e esportivo acima de qualquer suspeita", afirma. 
UOL Esporte - O Atletas completou 31 anos neste ano. Que balanço faz sobre a importância  da instituição durante esse tempo e qual a função dela nos dias de hoje?
Marcos Grava - Atletas de Cristo teve em sua primeira geração um rendimento espetacular, ao ponto de, em 1990, ter sido escolhida a organização missionária do esporte mais influente no mundo. Como toda organização que ultrapassa as fronteiras de sua primeira geração, ela também enfrentou algumas crises e dificuldades. Os atletas que eram grandes apoiadores da causa deixaram de contribuir financeiramente depois da aposentadoria, o que afetou bastante a organização. Mas posso dizer que o pior momento já passou. Hoje, graças ao nosso Deus, respiramos tranquilos e podemos dizer que voltamos a crescer. Atualmente, os Atletas de Cristo se dedica, de um lado a encorajar atletas e torcedores das mais diversas modalidades a um prática esportiva ética que fomente uma cultura de paz, e de outro a apoiar projetos voluntários dentro e fora do país que utilizam o esporte como instrumento de inclusão social.
Nos anos 90,  muitos jogadores declaravam publicamente serem Atletas de Cristo. Hoje em dia, no entanto, não é tão comum, apesar de nunca tantos jogadores se declararem evangélicos. A organização perdeu a relevância? Por que o futebol já não revela tantos missionários como antes?
Marcos Grava - Esta é de fato a impressão que passa, mas o fato é que eles continuam lá cumprindo seu papel de testemunhas dentro e fora dos campos, quadras, tatames e pistas. O que houve foi uma mudança do enfoque nos grandes nomes do esporte para um incentivo aos futuros atletas de alto rendimento, hoje ainda esportistas desconhecidos e amadores.
Como funciona a cooptação de novos atletas para a missão?
Marcos Grava - O termo correto não é este, chamamos de alcance ou evangelização de atletas. Essa é a missão de qualquer organização cristã que segue e obedece os preceitos bíblicos: levar outros ao conhecimento integral e libertador da Palavra de Deus, a Bíblia. Neste sentido, o Atletas de Cristo trabalha através daquilo que denominamos a espinha dorsal de nossa organização, os grupos locais. São mais de 70 grupos espalhados pelo Brasil, e alguns em outros países, onde semanalmente atletas de diversas modalidades, categorias e idades se reúnem para compartilhar experiências, necessidades pessoais, e para crescimento mútuo. Neste local, que pode ser um salão, a residência de um atleta ou a concentração de um clube, outros atletas e simpatizantes do esporte são convidados para conhecer e participar, muitas vezes atraídos pelo comportamento atraente e exemplar de atletas cristãos próximos.
O Neymar, que é o atleta mais importante do país na atualidade, se diz evangélico. Nunca houve nenhuma tratativa para levá-lo para o Atletas?
Marcos Grava - No momento, não. O Atletas de Cristo não foca um atleta ou outro por conta de sua popularidade. Todos que de alguma forma amam o esporte são o alvo de nosso esforço, e penso que, assim que possível, algum atleta de Cristo poderá convidá-lo para estar junto conosco.
Mas qual seria a importância de ter o Neymar como garoto-propaganda? 
Marcos Grava - Antigamente poderia se pensar que os atletas mais famosos seriam bons garotos-propaganda, mas hoje vemos de forma diferente. Para nós o mais importante é que este atleta, independentemente de seu nível de performance, tenha um comportamento pessoal e esportivo acima de qualquer suspeita e se torne uma boa influência.
Contratos publicitários milionários e discussões sobre direito de imagem numa época que jogador virou produto dificultam a cooptação? 
Marcos Grava - Não, mesmo porque em toda a história de ADC tivemos atletas renomados e muito bem pagos. A questão importante aqui é alertar que o tempo de fama e altos salários no esporte duram pouco. Uma pesquisa feita em 2003 apontou que apenas 3,57% dos jogadores de futebol profissional recebiam mais que 20 salários mínimos mensais, e quase 50% deles estava na casa de um salário por mês. Nesse sentido, o que Atletas de Cristo oferece é muito mais importante e vantajoso, já que entre os princípios que compartilhamos estão o amor a Deus sobre todas as demais coisas, a valorização da família, o cuidado com as finanças e o preparo para a aposentadoria e um futuro profissional.
Quem é hoje o jogador de futebol mais ativo? Como cada um deles contribui para a divulgação do trabalho? Eles pagam "dízimo"?
Marcos Grava - Temos diversos nomes hoje no futebol brasileiro e mundial como atletas que não se envergonham da causa de Cristo, entre os quais vou me limitar a destacar os que participaram da última Copa do Mundo pela seleção brasileira, como o goleiro Jefferson, hoje titular da equipe, e os meios de campo Hernanes e Fernandinho. A contribuição que estes e outros atletas cristãos dão para o nosso trabalho é viverem uma vida de testemunho irrepreensível, falando sempre que possível daquilo que Deus tem feito em suas vidas e carreiras. Nenhum deles hoje contribui financeiramente com nossa organização.
O senhor é da Igreja Batista. A rixa que existe entre várias igrejas neopentencontais e protestantes afeta o trabalho de vocês de quais formas?  O Atletas tem menos força que poderia ter por causa das disputas de poder entre elas e por causa das inúmeras denominações das instituições cristãs? 
Marcos Grava - Não diria que há uma rixa, mas sim divergência de conceitos a respeito dos princípios e práticas cristãs. Como Atletas de Cristo é uma organização interdenominacional, não enfrentamos maiores problemas. Ao contrário, ADC é exemplo de que o sacrifício redentor de Cristo é o elo de ligação mais importante que temos e superior a qualquer diferença que possa existir.
O episódio da saída do Kaká da igreja Renascer afetou a credibilidade do Atletas de Cristo enquanto instituição?
Marcos Grava - Não, a saída de Kaká da igreja foi motivada por uma decisão familiar.  Não foi influenciada e nem influenciou nossa organização.
Qual é a relação da instituição com a CBF?  Como o senhor espera que seja o mandato do novo presidente, Marco Polo Del Nero, em relação aos anseios da instituição do senhor?
Marcos Grava - Não temos nenhuma relação, exceto a de respeito para com o maior órgão do futebol brasileiro. Nossa esperança é que seu mandato traga lisura ao futebol brasileiro, num momento em que toda a sociedade brasileira e organizações sérias cobram dos governantes e autoridades transparência e honestidade.
A divulgação da fé por atletas já foi, por vezes, punida em campo. A Fifa proíbe esse tipo de manifestação de crença. Qual a opinião do senhor sobre o assunto? 
Marcos Grava - A relação de Atletas de Cristo e outros ministérios esportivos ao redor do mundo com a FIFA e o COI, as duas maiores organizações esportivas do mundo, não é o mesmo. O COI já há muitos anos não apenas autoriza como também incentiva a valorização do aspecto espiritual dos atletas, por exemplo, ao permitir e orientar a instalação de uma capela ecumênica dentro das vilas olímpicas. Mostra seu respeito aos diversos credos religiosos, um gesto de consideração e tolerância cada dia mais raros em todo o mundo. Nossa expectativa é que, da mesma forma, os órgãos e autoridades que representam o futebol mundial respeitem as opções religiosas de seus praticantes e espectadores.
Este ano é o ano do jogos Pan-americanos e, ano que vem, teremos as Olimpíadas no Rio. Tem orientado os atletas a usarem a exposição para divulgarem a causa? 
Marcos Grava - O Atletas de Cristo sempre encorajou os atletas no sentido de apresentarem uma conduta dentro e fora de seu ambiente de competição, que seja coerente com os padrões bíblicos. Possivelmente um ou outro atleta poderá vir a expressar sua fé de maneira pública, verbal ou gestualmente. Porém, isso é uma atitude individual e espontânea, sem nenhuuma interferência ou participação direta da organização.
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