quarta-feira, 29 de março de 2017

Em meio à Reforma da Previdência, Jean Wyllys propõe aposentadoria especial para prostitutas Postado em: 29-03-2017

A Reforma da Previdência vem sendo debatida no Congresso Nacional em meio a inúmeras polêmicas, por conta da previsão de quase cinco décadas de contribuição para que o trabalhador tenha acesso ao benefício integral. E nesse cenário, O deputado Jean Wyllys propõe um regime especial para profissionais do sexo, já que atualmente essas pessoas teriam que contribuir como um profissional autônomo comum.

Imagem redimensionadaO deputado federal e ativista gay é autor do projeto de lei 4.211/12, apelidado de “lei Gabriela Leite” – uma ex-estudante de sociologia que adotou a prostituição como meio de vida aos 22 anos e faleceu em 2013 – que busca regulamentar a venda de sexo como profissão.

A ideia de aposentadoria especial para prostitutas e garotos de programa é defendida por Wyllys como forma de “garantir a dignidade” das pessoas que se sustentam com a chamada “profissão mais antiga do mundo”.

“Eu quero proteger os direitos delas, garantir a dignidade e combater a exploração sexual de crianças e adolescentes. Digo, ‘elas’, porque a maioria das pessoas que realizam trabalho sexual são do gênero feminino, mas o projeto também beneficia os garotos de programa”, disse Wyllys, segundo informações da Agência Brasil.

Para Jean Wyllys, a exploração sexual por parte de cafetões só “ocorre quando há apropriação total ou maior que 50% do rendimento da atividade sexual por terceiros”, dando a entender que a lei toleraria “parcerias” em que o proxeneta abocanha 49% ou menos.

“O projeto busca fazer uma clara distinção entre o que é trabalho sexual voluntário – praticado por pessoas adultas – e a exploração sexual de adultos”, argumenta.“O profissional do sexo poderá prestar serviços como trabalhador autônomo ou em cooperativas, e as casas de prostituição são permitidas desde que não ocorra exploração sexual”, concluiu.

Cida Vieira, presidente da Associação de Prostitutas de Minas Gerais (APROSMIG), defende o projeto, e diz que, como qualquer outro profissional, a prostituta deve ter o direito de se aposentar e receber benefícios da Previdência Social.

Outra apoiadora da iniciativa é Marcela Azevedo, representante do movimento Mulheres em Luta, mas afirma que gostaria existisse a oferta de condições para que as mulheres não precisassem mais vender o corpo para sobreviver.

“Nós nos solidarizamos com as lutas dessas mulheres contra violência, exploração, por direito a se aposentar. Mas a gente acha que o caminho não é regulamentar, pelo contrário, é superar a prostituição. A alternativa é garantir as condições para que as mulheres que estão em situação de prostituição, não por opção mas por necessidade, que possam construir a sua vida em outra condição”, concluiu.

A jornalista Rachel Scherazade comentou o projeto de lei e criticou a iniciativa, afirmando que o deputado “ex-BBB romanceia a prostituição, como se ela fosse uma opção, como se a exploração sexual não fosse uma agressão e uma indignidade contra a mulher, sua alma, seu corpo”.

“Quantas escolheriam a difícil vida fácil, se tivessem outra alternativa? Sem estudos ou profissionalização, o que restará a essas mulheres senão o mais humilhante dos serviços? Razão dou à feminista Nalu Faria. Para ela, o projeto de Wyllys falseia e distorce a realidade da prostituição, e não passa de um meio de suprir a necessidade da indústria sexual, que utiliza o corpo das mulheres para faturar altos montantes”, criticou, em comentário para a rádio Jovem Pan.

Fonte: Gospel Mais

Nenhum comentário:

“Não chame meninas de princesas”, diz campanha da Avon

Uma campanha da Avon tem gerado polêmica nas redes sociais por pedir aos pais que não chamem suas filhas de “princesas”, dizendo que o elo...